segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Opinião "O Deus das Pequenas Coisas", Arundhati Roy

Sinopse

"O Deus das Pequenas Coisas é a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. Uma história feita de muitas histórias. A história dos gémeos Estha e Rahel, nascidos em 1962, por entre notícias de uma guerra perdida. A de sua mãe Ammu, que ama de noite o homem que os filhos amam de dia, e de Velutha, o intocável deus das pequenas coisas. A da avó Mammachi, a matriarca cujo corpo guarda cicatrizes da violência de Pappachi. A do tio Chacko, que anseia pela visita da ex-mulher inglesa, Margaret, e da filha de ambos, Sophie Mol. A da sua tia-avó mais nova, Baby Kochamma, resignada a adiar para a eternidade o seu amor terreno pelo Padre Mulligan. Estas são as pequenas histórias de uma família que vive numa época conturbada e de um país cuja essência parece eterna. Onde só as pequenas coisas são ditas e as grandes coisas permanecem por dizer. O Deus das Pequenos Coisas é uma apaixonante saga familiar que, pelos seus rasgos de realismo mágico, levou a crítica a comparar Arundhati Roy com Salmon Rushdie e García Márquez, e lhe valeu o Booker Prize."

Opinião

“O Deus das Pequenas Coisas” é, como a própria sinopse indica, uma saga familiar, povoada de personagens tão diversas quanto únicas. A história é construída em torno dos gémeos Estha e Rahel, e é em grande parte um reflexo da sua percepção infantil do mundo. Estabelece desde o início um paralelismo com a relação dos gémeos depois de adultos, revelando aos poucos os acontecimentos terríveis que os afastaram e alteraram irremediavelmente o rumo da família.

É uma obra que dá gosto explorar, sendo que a imaginação dos gémeos está presente em cada página, a par da sua inocência, que contrasta com a intolerância típica do sistema de castas da sociedade indiana e das diferenças sociais entre patrões e operários, numa altura em que a importância dos sindicatos emergia. É uma viagem que vale a pena fazer a um país muito diferente do nosso, num tempo que o distancia ainda mais da nossa realidade. No entanto, senti por vezes que a lente pueril através da qual se olha para esta sociedade acaba por se tornar excessiva, sobretudo com o avançar da história.

Apesar disso, é uma obra cheia de ternura, onde o amor materno e fraternal e as diferenças e conflitos familiares estão bem patentes. Uma história profundamente bonita, em que a mágoa pelo que outrora foi e os motivos do afastamento são expostos sem pudores. A perda está patente desde o início, com o relato dos gémeos em idade adulta, e a tristeza do desolamento e da solidão é gradualmente explorada sem eufemismos.

Foi uma leitura da qual gostei bastante, vencedora do Booker Prize. É rica em emoções, e um relato tocante de uma realidade muito longínqua da nossa através dos olhos de personagens interessantes e diversas. Em resumo, uma leitura que recomendo!


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