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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#8) - Porto Editora

É com grande ânimo que podemos contar com o apoio da Porto Editora neste nosso 1º Aniversário! Deixamos aqui o nosso grande obrigado à editora pela sua colaboração.


Assim, o blog em colaboração com a Porto Editora tem para oferecer o seguinte exemplar a 1 leitor sortudo!


Cavalo de Fogo - Paris, Florencia Bonelli



Sinopse:

"Matilda Martínez, uma jovem pediatra argentina, viaja até Paris para aprender o idioma antes de partir para o Congo, ao serviço de uma ONG, para ajudar os mais carenciados. Apesar das suas inseguranças, traumas e dramas, a determinação de Matilde é tão forte que nada nem ninguém conseguirá demovê-la de cumprir o seu sonho. Eliah Al-Saud é um homem poderoso e sem piedade, descendente da família real saudita. Dono de uma empresa de segurança privada, o negócio serve de fachada a um outro tipo de serviços: de espionagem, segurança e formação de mercenários. Desde o seu primeiro encontro que o destino os unirá numa paixão tão intensa e irrefreável que nada poderão fazer para evitar a conspiração crescente que ameaça não apenas o seu amor, mas também as suas vidas. No cenário ameaçador e bélico do conflito israelo-palestiniano, Matilde e Eliah viverão uma aventura que os levará a percorrer o mundo e a enfrentar os perigos que cercam todos aqueles que ousam desafiar os impérios dominantes.

Uma poderosa história de amor tendo como pano de fundo o conflito israelo-palestiniano."


As participações são válidas até ao dia 4 de Maio de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo da editora.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook da Porto Editora.
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog e a editora não se responsabilizam por eventuais extravios dos CTT.





domingo, 12 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#7) - Pedro Cipriano

Na verdade, o Pedro Cipriano não nos deixou apenas uma prendinha neste nosso aniversário! Deixamos mais uma vez aqui o nosso grande obrigado ao Pedro Cipriano pela sua colaboração.


Assim, o blog em colaboração com o Pedro Cipriano tem para oferecer o seguinte ebook a 1 leitor sortudo!


"Crónicas do Porto e Galiza", Pedro Cipriano




Sinopse:

"Imagine que a própria União Europeia acabou numa violenta luta do Norte contra o Sul. Imagine um Portugal que se fragmentou em três estados. Imaginem que um desses estados vive mergulhado num regime fascista cujo objectivo único é dominar o resto da península Ibérica. Esta é a realidade de Rui, Bruno, Leonor, Manuel, Miguel, Ana e Daniel, assim como o de milhares de outros cidadãos."

Inclui os contos Boas Festas Vindas do Céu, Anjos da Morte, A Carta, O Poeta, O Guarda-Livros, A Primavera e O Cupão.


As participações são válidas até ao dia 3 de Maio de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do ebook está a cargo do autor.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
6. Neste passatempo serão aceites participações internacionais.


O Nosso Obrigada ao Pedro Cipriano


 

Sobre o autor:

Pedro Cipriano gosta de escrever de tudo um pouco. É difícil definir o género literário no qual se encaixa mais, uma vez que escreve desde ficção histórica e policiais, passando por ficção científica até ensaios. Faz parte do grupo Fantasy & Co e fundou a Editorial Divergência. Profissionalmente tem doutoramento em Física experimental e dedica-se a tempo inteiro à editora, à escrita e às artes marciais.
 
 
 
 
Pedro Cipriano fez-nos companhia no mês de Janeiro, acabados de entrar no ano de 2015, com o seu Caderno Vermelho! Recordamos aqui alguns dos pontos altos do fim-de-semana:

Pensamentos do Dia: 1, 2, 3

E para o nosso aniversário, Pedro Cipriano presenteou-nos e aos nossos leitores com um texto num registo bem diferente, partilhando connosco um pouco da sua versatilidade!


Os Cadáveres

Sou um homem morto. Respiro, o meu coração bate e ainda raciocino. Apesar disso, sou um homem morto. Aperto a arma que trago por dentro do casaco e dou alguns passos em frente. Os ouvidos zumbem. Não vale a pena sequer ir buscar o carro. Não iria funcionar. Acho que desloquei o ombro. É a menor das minhas preocupações. Aliás, um homem morto não tem preocupações. Passo a mão pela testa e vejo-a coberta de sangue. Só há uma coisa que gostaria de fazer. Mais que gostar, tenho de o fazer. Outras pessoas arrastam-se pela rua devastada. Outras pessoas não, cadáveres tal como eu. Talvez gritem. Parece-me que sim, não tenho meio de saber. O maldito zumbido continua. Vejo-os agitar os braços, enquanto correm à procura de ajuda. Alguns não se mexem. Estão apenas um pouco mais mortos que eu. A ajuda não virá. Estamos por nossa conta. E há um amaldiçoado vento, que sopra na pior direcção. Era polícia, enquanto estava vivo. O meu dever neste caso seria auxiliar os feridos e impedir o caos. Não vale a pena. No passeio jaz uma mulher de meia-idade com os membros torcidos em ângulos impossíveis. Há uma criança empalada num sinal de transito. Vomitaria se ainda tivesse algo no estômago. Há quem olhe para o meu uniforme desfeito com um raio de esperança no olhar. Incautos. O que fui antes da minha morte não vos pode valer. Passo após passo, vou-me aproximando do meu destino. As piores lesões são as queimaduras que desfiguram rostos. Há pequenos fogos um pouco por todo o lado. Vi roupas incendiarem-se nos corpos dos seus donos. As folhas de papel arderam também. E, claro, a pele. Vidros partidos espalhados por todo o lado. Perdi por completo o uso da audição. Nunca mais vou poder ouvir o riso da minha esposa. Ridículo! Mesmo que os meus ouvidos ainda funcionassem, não irei de escutar mais que gritos e choro. Tanto entulho. Um corpo em convulsões com numerosos pedaços de vidro espetados na face. Os que tiveram uma morte instantânea foram os mais afortunados. Sinto as pernas a fraquejar. Não posso parar, nem desistir. Uma eternidade de descanso me espera em breve. Os edifícios ruíram. Foram obliterados. Humanos foram projectados contra os objectos. E objectos foram projectados contra humanos. Sem distinção. Sem piedade. Partiram-se em vários pedaços. Quebraram-se. Foram os mais afortunados. Outros ficaram soterrados. Não consegui ouvir os gritos deles, mas consigo imaginá-los. E não pude fazer nada por eles. Ninguém pode. Eu não posso fazer nada por ninguém. Mas há uma coisa que tenho de fazer. Sinto líquido quente na boca. Cuspo sangue. Não interessa, estou morto. Vejo um par de pernas debaixo de um monte de entulho. Há uma viatura enfiada numa casa. Há um corpo esmagado entre a parede e o automóvel. Estou a chegar à minha rua. Aqui nem todas as casas ruíram. Há um grupo de pessoas que tenta ajudar outra. Ingénuos. Não vêem o vento? É tarde demais. Não interessa, somos todos cadáveres, só que alguns ainda não sabem disso. Eu sei. Há umas horas atrás, se me perguntassem se tinha medo da morte, eu afirmaria, sem hesitar, que sim. Mas isso foi antes de eu morrer. Agora, a morte é a melhor coisa que me poderia acontecer. E não vai tardar que aconteça. A luz. A grande luz. Não vi a grande luz. Gostaria de ter visto a grande luz. Tudo teria sido mais fácil. Mais imediato. Pensei nos meus dois filhos. A esta hora já deveriam estar em casa. Horas. Um morto não conta horas. O tempo deixou de existir. Estes são apenas instantes com os quais fui amaldiçoado. A casa ainda está de pé. Bem, quase toda. O pátio foi esmagado e a varanda arrancada. Já não tem janelas. As forças faltam-me. Sou cada vez mais cadáver. Somos todos. Entrei pela porta escancarada. Atravesso o corredor devastado. Não preciso de procurar, sei que estão na cozinha. Ao atravessar o vão, vejo que estava certo. Já nada me pode surpreender. O que foi o meu amor em vida olha-me e um sorriso trespassa-lhe o rosto. O meu coração contrai-se. Por favor, não tornes tudo mais difícil. Ela está sentada no chão e abraça a minha filha. As queimaduras de ambas são extensas. Há lágrimas. Vejo que sofrem. Claro que compreendem o que aconteceu. Quem poderia não compreender? O mais novo está no chão. Respira com dificuldade. Um pedaço de madeira alojou-se no ventre. Há compressas embebidas em líquido sobre a mesa. Tentativas fúteis. Ela diz-me algo. E a mais pequena também. Não quero lembrar-me do nome dela. Não quero lembrar do nome de ninguém. Não respondo. A minha expressão mantêm-se. Uma expressão de morto. Um morto que aceita aquilo que é. Eles ainda não aceitaram. Não pensei que fosse tão difícil. No entanto, é a coisa certa a fazer. Será que não compreendem? Os olhares dizem-me que não. Os lábios movem-se de novo. Não entendo, não quero entender. Não respondo. A brisa que outrora nos acariciou a pele molesta-nos a cada momento. Maldito vento. Amaldiçoada luz. Infeliz momento em nascemos. Não vale a pena esperar mais. Meto a mão dentro do casaco e empunho a arma. Sou recebido com um olhar de surpresa e medo. Um disparo. Ela cai com a cara desfeita. A garota começa a gritar. Outro disparo. Uma mancha de sangue, ossos, massa encefálica e cabelos espalha-se pelo chão. Mais um disparo. O mais novo deixou de sofrer. Desde a grande luz não passou mais de um instante. Encosto a arma à têmpora. Sou um homem morto.



O nosso muito obrigada a Pedro Cipriano! Que tenha um futuro repleto de sucessos!

sábado, 11 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#6) - Suma de Letras e Arena

É com grande ânimo que podemos contar com o apoio da Suma de Letras e da Arena neste nosso 1º Aniversário! Deixamos aqui o nosso grande obrigado às editoras pela sua colaboração.



Assim, o blog em colaboração com a Suma de Letras e a Arena tem para oferecer os seguintes exemplares a 9 leitores sortudos, isto é, 3 exemplares de cada um dos seguintes livros!

"O Nadador", Joakim Zander



Sinopse:

"Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80. Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial. 
Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco. 
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente."


"Amores Secretos", Kate Morten



Sinopse:

"«Amores Secretos» é o mais recente romance da Laurel, actriz de sucesso, regressa à casa da família para celebrar o nonagésimo aniversário da mãe. Esse dia recorda-lhe um outro, há muito esquecido. Naquele fatídico aniversário do seu irmão, Laurel estava escondida na casa da árvore, a fantasiar com um amor adolescente e um futuro grandioso em Londres, quando assistiu a um crime terrível, que mudaria a sua vida para sempre. Foi com terror que Laurel viu a mãe cravar a faca do bolo de aniversário no peito de um desconhecido. O regresso ao local onde tudo aconteceu é a última oportunidade para Laurel descobrir o temível segredo daquele dia e encontrar as respostas que só o passado da sua mãe lhe pode dar. Pista após pista, Laurel irá desvendar a história secreta de três desconhecidos que a Segunda Guerra Mundial uniu em Londres e cujos destinos ficaram para sempre ligados."


"52 Semanas de Sedução", Betty Herbert



Sinopse:

Se gostou de "As Cinquenta Sombras de Grey", vai adorar "52 Semanas de Sedução". Quando Betty e Herbert se apaixonaram, mal conseguiam conter o desejo que sentiam um pelo outro. No entanto, e apesar do amor profundo a uni-los, dez anos de casamento transformaram uma química sexual avassaladora numa memória distante, algo nublada, até. É então que Betty decide recuperar a magia do romance e do desejo na relação com Herbert e embarca numa demanda de 52 semanas de sedução. Ao longo de um ano, uma vez por semana, Betty e o marido terão de se seduzir um ao outro, à vez, em cenários sensuais e voluptuosos, recriando e explorando as mais secretas fantasias eróticas de cada um.Baseada no blogue da autora e com direitos vendidos para mais de 10 países, esta é a história de como um casal se reencontrou na paixão, abandonando inibições e rendendo-se ao poder da sedução e do desejo.Inspire-se!


As participações são válidas até ao dia 2 de Maio de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio dos livros está a cargo das editoras.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook da Suma de Letras.
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog e a editora não se responsabilizam por eventuais extravios dos CTT.




sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Nosso Obrigada à Sónia Ferraz da Cunha

Sobre o autor:

"Sónia Ferraz da Cunha é licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e em Conservação e Restauro pelo Instituto Politécnico de Tomar. Ao longo da sua vida profissional exerceu diversos cargos em diferentes áreas, como Técnico Superior de Conservação e Restauro, Professora Universitária de Conservação e Restauro e Professora de História do 3º Ciclo e Secundário. A paixão pela Literatura em geral, e pela arte da escrita em particular, nasceu ainda Sónia se encontrava sob a estática e permanente observação das elevações montanhosas que coroam as paisagens de Trás-os-Montes, de onde é originária e onde nasceu decorria o ano de 1977, sendo que atualmente reside na Invicta cidade do Porto, cidade que a adotou e que por ela foi tão apaixonadamente adotada."



E foi com a Sónia Ferraz da Cunha que passamos o nosso mês de Outubro!

Para os mais distraídos, deixamos aqui a marca que a Sónia Ferraz da Cunha deixou no Bloguinhas Paradise!

Pensamentos do Dia: 1, 2, 3


E estando nós de parabéns, a Sónia Ferraz da Cunha deixou uma prendinha para nós e para os nossos leitores.


Dois homens e uma vida


“Não passamos de frágeis criaturas desorientadas” disse abstratamente o homem velho, não tão velho, mas o suficiente para a consideração de o ser.

“Quem? Do que falas?” Perguntou o homem jovem, com o rosto liso e firme de juventude e afogueado pela curiosidade.

“Morremos lentamente em desespero quando a alma irrequieta não se contenta com o tudo que lhe é apresentado à sua volta, e se o tudo nos é roubado, lutamos até à morte por sobreviver num mundo onde já nada vive ou nos contenta” continuou o homem velho, como se não tivesse ouvido as questões do outro, como se as ignorasse por inocência e não por maldade; e não porque não as houvesse escutado, não porque as quisesse de facto ignorar, mas o olhar de quem assim o questionava era de tal forma resplandecente de vigor, acutilante, fascinante, hipnótico, diabolicamente belo, que sem pudores lhe envergonhavam o pensamento, o discernimento.

Talvez todo aquele encantamento não passasse de ilusão, e a imagem que fascina tudo à sua volta ofusca, impedindo a construção duma ideia clara e objetiva sobre o objeto do feitiço.

“Falas absurdos, dia e noite, apenas proferes insuportáveis despropósitos nos quais só tu acreditas! Quando te tornaste tão amargo, cínico e arrogante? Que terei eu feito para merecer tão insustentável destino?” Ao acabar o protesto, o homem jovem apertou o lábio inferior com os dentes. Eram como cerejas frescas, os seus lábios, avermelhadas, sumarentas e esponjosas, e certamente deliciosas.

A cor destes contrastava agressivamente com a demais palidez da sua fisionomia que era violentamente realçada pelas vestes de um negro carregado. Era como se todas aquelas tonalidades travassem uma batalha de morte por alcançarem um bizarro protagonismo.

“Por que te vestes o tempo todo de negro?” Perguntou o homem velho ao homem jovem que ao ouvir a questão soltou uma sonora gargalhada.

“Tu sabes o porquê, talvez melhor do que eu, mas condescender-te-ei uma resposta – visto apenas preto porque cada dia morre um pouco de mim, seja um sonho, uma ilusão, uma esperança, a inocência dum pensamento, pelo que quando a morte final chegar para mim, o meu luto próprio estará feito”

“Ah! Naufraguei nas minhas próprias verdades, agora resta-me a mortalha final, estupidamente alva!” Suspirou através de palavras o homem velho, depois que durante silenciosos segundos tivesse considerado as palavras do homem jovem. Este cravou nele aqueles olhos vivos de luxuriante beleza e avidez, inundados por um marulhar de extraordinárias sensações que ainda estariam por vir. Por oposição estavam os olhos sem brilho, estáticos de esperança, secos de vida, do homem velho.

“Devias ter-me matado enquanto ainda me amavas, enquanto ainda sentias e sonhavas e te deixavas levar…” Disse o homem jovem, palavras que foram expostas pela sua boca como que em sussurro que lentamente se vai diluindo no silêncio.

“Avô? O jantar está pronto!” Exclamou jovialmente uma criança através da porta do estúdio onde o homem velho se sentava e extraordinariamente concentrado, olhava o seu próprio retrato, de quando muito mais jovem.

Distraidamente o homem, e sem um segundo olhar, um segundo pensamento, tão-somente soltando um prolongado suspiro, pousou o porta-retratos e foi jantar.



Mais uma vez, o nosso muito obrigada à Sónia Ferraz da Cunha. Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#5) - Editorial Bizâncio

É com grande ânimo que podemos contar com o apoio da Editorial Bizâncio neste nosso 1º Aniversário! Deixamos aqui o nosso grande obrigado à editora pela colaboração neste aniversário, assim como pela recente parceria estabelecida! :)


Assim, o blog em parceria com a Editorial Bizâncio tem para oferecer o seguinte exemplar a um leitor sortudo!


"Maya", Alastair Campbell



Sinopse:

"Maya Lowe é uma das actrizes mais famosas da actualidade e Steve Watkins o seu velho amigo dos tempos de escola. Ambos juram que nada mudou na sua amizade desde então. Mas pode uma amizade sobreviver à fama mundial? Pode um homem como Steve, que trabalha numa empresa de distribuição para as bandas de Heathrow, fazer parte da vida desta estrela? Ele está convencido disso… Mas, por entre as voltas e reviravoltas da vida pública e privada de Maya, a distância entre o que Steve pensa e a realidade é cada vez maior. No mundo em que a obsessão com a celebridade é uma constante, a descoberta da realidade pode ser dura. Este novo romance de Alastair Campbell, em parte thriller, em parte uma análise da psicologia da fama, retrata-nos uma sociedade que se alimenta da vaidade, do êxito, e que sofre as perigosas consequências desta voragem."


As participações são válidas até ao dia 30 de Abril de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio dos livros está a cargo da editora.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook da Editorial Bizâncio.
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog e a editora não se responsabilizam por eventuais extravios dos CTT.




quarta-feira, 8 de abril de 2015

Passatempo 1° Aniversário (#4) - Carla Lima

Na verdade, a Carla Lima não nos deixou apenas uma prendinha neste nosso aniversário! Deixamos mais uma vez aqui o nosso grande obrigado à Carla Lima pela sua colaboração.


Assim, o blog em colaboração com a Carla Lima tem para oferecer o seguinte exemplar a 1 leitor sortudo!

Excerto:

- O que estás a fazer?
- Estou a fingir que estou morta
- Porquê?
- Porque me apetece. Importas-te?
- Mas porquê?
- Porque antes estar morta do que viver assim
- Assim como?
- Numa prisão
- Numa prisão?
- Estou presa a ti
- Estamos presos um ao outro
- Nem a fingir de morta me deixas em paz"


As participações são válidas até ao dia 29 de Abril de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo da autora.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook do livro "O Baloiço Vazio".
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog e a editora não se responsabilizam por eventuais extravios dos CTT.



O Nosso Obrigada à Carla Lima


E foi com a Carla Lima que passamos o nosso mês de Novembro!

Para os mais distraídos, deixamos aqui a marca que a Carla Lima deixou no Bloguinhas Paradise!
 
 
E estando nós de parabéns, a Carla Lima deixou uma prendinha para nós e para os nossos leitores. Um texto que pode ou não fazer parte do próximo livro ;)


A VELHA E O VELHO

"O verdadeiro mal da velhice não é o enfraquecimento do corpo, é a indiferença da alma."

André Maurois

1.

Chovia. A velha segurava uma chávena de chá. Chá verde. A velha olhava pela janela da cozinha. Observava as vacas deitadas nos pastos pintados de verde. O branco e preto das vacas a dissolverem-se na relva. A velha chorava. Chorava pelas vacas molhadas pela chuva. E a chuva insistia. Pingos grossos de água a caírem do céu e dos olhos da velha. Pingos na relva. Verde. Pingos no chá. Verde.
O velho entrou na cozinha. Olhou para a velha. O velho suspirou.
- O que é que se passa agora?
- São as vacas.
- As vacas?
Parou de chover. A velha limpou as lágrimas dos olhos. Já não caíam pingos de água. Nem do céu, nem dos olhos da velha. Nem nas vacas. Nem na relva, nem no chá. Verde.
A velha olhou para o velho. A velha suspirou.
- Queres chá?
- E as vacas?
- As vacas?
Já não chovia. A velha bebeu um gole da chávena de chá. Chá verde. A velha olhou pela janela da cozinha. Observou as vacas deitadas nos pastos pintados de verde. O branco e preto das vacas a dissolver-se na relva. A velha sorriu.

2.

A culpa foi do relógio. Foi por causa de um relógio que tudo começou. Não o casamento. O amor. Se foi à primeira vista ou não nenhum o dirá, nem a velha, nem o velho. Amor à primeira vista. Não casamento à primeira vista. Mas que foi o relógio ambos dirão que sim. Ou talvez não. O velho é distraído. Nem se deve ter apercebido que tudo começou por causa do relógio.
A velha nova não procurava amor. Aliás, odiava amor ou qualquer coisa que se parecesse com tal.
Mas um dia a velha nova foi a um baile e uma empregada da mãe disse-lhe:
- Quando fores logo ao baile usa os teus sapatos vermelhos.
E assim fez a velha nova. Usou os seus sapatos vermelhos. E o velho usou o relógio do avô. Mas a velha nova ainda não sabia.
No baile a velha nova viu o velho novo ao longe e confundiu-o com outro rapaz. Acenou. O velho ficou maravilhado e não conseguiu tirar os olhos da velha nova durante o baile inteiro. A velha nova envergonhada pela confusão passou o baile a fugir daquele rapaz que a perseguia. Até que o velho novo chegou ao pé da velha nova e atirou-lhe literalmente com um copo de vinho tinto para cima. A velha nova ficou em estado de choque e só conseguiu olhar para o relógio do velho novo. O velho novo ficou radiante por finalmente ter chamado a atenção da velha nova. A velha nova ainda em estado de choque só conseguiu dizer:
- Tens um relógio igual ao do meu avô!
E o velho novo respondeu:
- Queres um copo de vinho tinto?
A velha nova riu-se e a partir daí nunca mais se largaram. Mas se foi amor à primeira vista nenhum dos dois sabe dizer. A velha diz que a culpa é do relógio. O velho diz que a culpa é da velha por se ter rido. E nenhum dos dois culpa os sapatos vermelhos.

3.

O velho na cozinha a fazer ovos estrelados. A velha sentada à mesa. O velho:
- Às vezes, não percebo os ovos.
O velho a olhar a frigideira fixamente.
A velha:
- Os ovos são muito complicados. Até hoje ainda não se sabe quem nasceu primeiro. Se o ovo, se a galinha.
A velha riu-se.
O velho desviou os olhos da frigideira de encontro à velha.
- O quê?
A velha suspirou.
O telefone tocou. O velho:
- Continuo sem perceber os ovos. Fazem o que querem.
O velho desligou o lume e deixou os ovos em paz na frigideira. Andou com andar de velho até ao telefone e levantou o auscultador do telefone:
- Sim?
Do lado de lá alguém falou com voz feminina. O velho respondeu:
- Mais um?
O velho balbuciou algumas palavras que a velha não conseguiu ouvir. O velho desligou o telefone. Suspirou. O velho andou com andar de velho até à cozinha. Olhou para a frigideira. Uma gema rebentada. O velho:
- Não percebo. Os ovos fazem mesmo o que querem.
A velha suspirou. Depois perguntou:
- Quem era?
- A tua neta.
- Matou mais um?
- Sim.
- Será que ela usou os sapatos vermelhos como lhe disse?
- O quê?
A velha suspirou.


FIM

Mais uma vez, o nosso muito obrigada à Carla Lima. Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#3) - Editorial Presença

É com grande ânimo que podemos contar com o apoio da Editorial Presença neste nosso 1º Aniversário! Deixamos aqui o nosso grande obrigado à editora pela colaboração neste aniversário.


Assim, o blog em colaboração com a Editorial Presença tem para oferecer os seguintes exemplares a 1 leitor sortudo!

O Miniaturista, de Jessie Burton



Sinopse:

"Num dia de outono de 1686, a jovem Nella Oortman, recém-casada com um próspero mercador de Amesterdão, Johannes Brandt, chega à cidade na expetativa da vida esplendorosa que este casamento auspicioso lhe promete. Mas, entre a amabilidade distante do marido e a presença repressiva da cunhada, Nella sente-se sufocar na sua nova existência. Até que um dia, Johannes lhe oferece uma réplica perfeita, em miniatura, da casa onde vivem. Nella encomenda então a um miniaturista algumas peças para ornamentar a casa. Mas algo de surpreendente acontece: novas encomendas de miniaturas continuam a chegar sem terem sido solicitadas, como presságios silenciosos de futuras tragédias. O Miniaturista é um romance de estreia magnífico, sobre amor e traição, que evoca com grande sensualidade a atmosfera da Amesterdão do século XVII. Bestseller do New York Times e do Sunday Times, este livro foi ainda considerado o melhor livro do ano de 2014 pela Waterstones."


A Verdade e Outras Mentiras, de Sascha Arango



Sinopse:

"A Verdade e Outras Mentiras é um thriller psicológico que reúne inteligência, elegância, comédia negra e um elemento surpresa tão forte que nos hipnotiza desde o primeiro momento. Henry Hayden, um escritor de sucesso com um passado secreto, seduz toda a gente com a sua sensualidade e os seus modos de dandy. Mas a vida de fachada que construiu é subitamente ameaçada quando Betty, a amante, lhe revela que está grávida. Desesperado por salvar o seu casamento e o enorme sucesso literário de que goza, Henry comete um erro fatal e, na ânsia de o consertar, entra num vórtice imparável de mentiras e destruição."


Para mais informações, consulte o site da Editorial Presença aqui.


As participações são válidas até ao dia 28 de Abril de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio dos livros está a cargo da editora.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook da Editorial Presença.
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog e a editora não se responsabilizam por eventuais extravios dos CTT.




segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Nosso Obrigada à Carla M. Soares


Sobre o autor:

"Carla M. Soares nasceu em 1971. Formou-se em Linguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa, e tornou-se professora. Tem um Mestrado em Estudos Americanos, em Literatura Gótica e Film Studies. É doutoranda no Instituto de História da Arte, na Faculdade onde se formou. É, antes de mais, filha, mãe, mulher, amiga. Leitora e escritora compulsiva. Sempre."




E foi com a Carla Soares que passamos o nosso mês de Junho!

Para os mais distraídos, deixamos aqui a marca que a Carla Soares deixou no Bloguinhas Paradise!
E estando nós de parabéns, a Carla Soares deixou uma prendinha para nós e para os nossos leitores.

Para quem não sabe, dia 2 de Abril comemorou-se o Dia Internacional do Livro Infantil. Como tal, mesmo a calhar, temos o prazer de divulgar um belo conto de fadas que a Carla escreveu para a sua menina quando era pequenina! Também os desenhos são da autoria da Carla! :)


"A Princesa na Árvore", Carla M. Soares



Era uma vez uma menina bonita, que por acaso nasceu princesa de um reino muito grande. Todos gostavam muito dela, o rei e a rainha, a ama, o cozinheiro, as meninas da aldeia com quem não brincava porque estavam sujas, e até o pastor que nunca a tinha visto. Todos gostavam tanto dela, que tinham numa parede uma imagem da princesa sem dentes da frente, que o rei mandara fazer e distribuir e pendurar, para fazer todos muito felizes logo pela manhã.

A verdade, porém, era que princesa bonita, que lá bonita era ela, passava o dia a fazer tropelias e disparates que deixavam toda a gente com os cabelos em pé. Toda a gente gostava de ter os cabelos em pé, claro, nem outra coisa lhes ocorreria, porque do que não gostavam era que andasse infeliz. Quando andava infeliz, que era sempre que alguém se aborrecia com ela, a princesa gostava de esconder coisas importantes, como os sapatos no Inverno e os chapéus no Verão, para obrigar as pessoas a andarem descalças pelo palácio quando estava frio, e de mioleira ao sol, se estava calor.

Certo dia em que estava muito aborrecida, a princesa decidiu subir ao alto da torre proíbida, onde vivia a bruxa que lhes fazia as poções para mudar cores de cabelo e os remédios para a tosse, e esconder-se por trás de uma porta, esfregando as mãos de contente, a pensar na grande partida que pregaria à velha. Assim que a apanhou de costas, deu uma corrida e deitou para dentro do caldeirão uma grande quantidade de cada um dos pós em cima da mesa. Depois, escapou-se pela porta, e ficou à espreita.

- Ocus-Pocus, lingua de dragão. – disse a bruxa, voltando-se para o caldeirão para mexê-lo com uma grande colher – Hoje vou fazer sopa de...

De repente, ouviu-se uma terrível explosão e a sala ficou cheia de fumo verde e roxo. A bruxa fugiu, com os cabelos vermelhos todos arrepiados, e deu de caras com a princesa. 


- Então foste tu outra vez! – gritou-lhe – Queimaste-me as sobrancelhas! Vais ver o castigo que te dou!

A princesinha começou a choramingar.

- Vou dizer ao meu paizinho. Vou dizer-lhe e tiro-te os sapatos!

- Pois do que tu precisas é de um bom castigo!

A bruxa levantou os braços e começou a cantar:

Ocus-pocus, princesa malvada,
com a minha magia, serás castigada!
Do chão uma árvore há-de crescer
E no cimo dela tu hás-de viver.

Com um grande estrondo, a bruxa fez desaparecer a menina, que voltou a aparecer mesmo no meio do jardim.

- É só isto? – disse a princesa, desatando a rir. – Olha que que bruxa tão parva.

Ainda mal acabara de falar, quando o chão tremeu e uma árvore começou a crescer mesmo debaixo dela. A princesa agarrou-se com força e fechou os olhos. Quando voltou a abri-los, estava sentada no único ramo da árvore, a subir rapidamente. De repente, parou, e a princesa estava tão alto que mal via o chão.


- Paizinho! Socorro! - gritou com toda a força dos seus pulmões, e logo acorreu muita gente aflita.

- Oh, minha querida filha! – chorou a Rainha – Quem a ajuda, por favor?

- Oh, minha querida filha! – chorou o Rei. – Uma recompensa a quem a salvar!

Os criados tentaram trepar ao tronco da ávore, mas era muito liso e escorregadio. Trouxeram escadotes, cada vez mais compridos, mas o mais longo mal chegava ao meio do tronco. Procuraram a bruxa, para que desfizesse o feitiço, em vão.

- Ó meu Rei, manda mensageiros pelo Reino. Alguém há-de poder ajudar a nossa filha. – pediu a Rainha, desesperada, e o Rei assim fez.

- Ouçam-nos, ouçam-nos! – gritavam eles, nas praças das cidades – O Rei de Beignet pede ajuda para a sua filha, que está presa na árvore mais alta do Reino. O Cavaleiro que a salvar, será recompensado com muitas riquezas e a mão da Princesinha.

O tempo passou. De todo o lado vieram cavaleiros e princípes, homens de muito valor e coragem para tentar salvar a menina.

- Eu salvo-a. – dizia cada um deles, e aproximavam-se da árvore, muito decididos.

Mas nenhum foi capaz nem de a tirar dali, nem de quebrar o feitiço. Por isso, a menina foi crescendo sozinha no topo da árvore, até ser quase uma mulher. Alimentava-se dos frutos que nasciam todo o ano, as suas roupas surgiam magicamente e cresciam com ela e, por muito que chovesse, à sua volta o tempo estava sempre bom. Era assim porque, toda a gente sabe, as bruxas sabem embruxar muito bem todas as coisas. A menina não tinha frio nem fome, mas estava tão cansada da solidão, que há muito se arrependera das suas maldades e caprichos.

Um dia, um dos mensageiros chegou a um reino extraordinário, onde as pessoas moravam em cavernas cobertas de pedras brilhantes. Farto de correr mundo por uma princesa que roubava sapatos e chapéus, disse apenas:

- Se alguém quiser ir tirar a peste do cimo da árvore, há uma recompensa.

O mais corajoso desse reino era um rapaz ainda novo, e a aventura de ir salvar uma princesa num país distante pareceu-lhe muito divertida. Para além disso, tinha curiosidade em saber que menina era essa, que se metera em tamanho sarilho. Montou no dorso do seu pássaro gigante, tão azul que se confundia com o céu atrás dele, e partiu nesse mesmo dia. Durante muito tempo, viajou. Por vezes, só se via o vermelho da sua capa de veludo e o dourado flamejante dos seus cabelos. Quando finalmente a sua ave fantástica aterrou no pátio do palácio, o Rei apareceu à varanda e o rapaz gritou:

- Venho salvar a princesa! – apontou para a asua águia gigante, e o rei ficou tão feliz que veio a correr, apertar-lhe a mão com todas as suas forças.

- Se conseguires trazer-me a minha filha sã e salva – prometeu – dou-te todo o ouro que quiseres e a sua mão em casamento.

O cavaleiro, que não viera em busca de recompensas, achou que aquela era uma oferta muito estranha.

Ora essa, e se não gostarmos nada um do outro?, pensou, mas nada disse.

Fez uma vénia e montou na sua ave, que se elevou suavemente no ar e se dirigiu ao jardim. Já lá estavam muitas pessoas, que queriam ver se ele era realmente capaz desse salvamento e queriam vê‑la, porque ela estava há tanto tempo lá em cima, que já ninguém sabia qual era a sua aparência.

O jovem aproximou-se do único ramo da árvore e descobriu uma rapariga de cabelos muito compridos, com um ar muito enfadado, tão distraída a observar um pássaro amarelo que quase saltou quando o viu.

- Quem és tu? – perguntou, pondo-se de pé no ramo fininho, para o ver melhor.

- Venho salvar-te. Anda daí. Salta para o dorso do meu pássaro.

A princesa deu um gritinho de alegria.

- Viva! Estava tão aborrecida, aqui em cima, sozinha.

Não hesitou um segundo, antes de dar um grande salto e aterrar mesmo atrás dele. O cavaleiro riu-se.

- És corajosa, Princesa. Vamos, os teus pais estão ansiosos para te verem.

A princesa deu uma grande gargalhada. Estava tão feliz!

- Eu também quero muito abraçá-los. Mas, primeiro, gostava que voasses por cima da cidade, para que todos vejam que me salvaste. E podemos conversar. Há tanto tempo que não converso com ninguém!

Deram duas grandes voltas à cidade, voando baixinho para que todos pudessem ver bem a princesa. Iam conversando, porque a rapariga queria saber todas as coisas que, no alto da sua árvore, já esquecera. Fez muitas perguntas, o que vestiam as pessoas e o que comiam, do que falavam e se ainda dançavam nas festas, que livros liam e se havia guerra. Não havia, e o rapaz divertiu-se muito a responder a tudo o que sabia. Quando finalmente pousaram no pátio do palácio, o rei e a rainha apertaram-na tanto nos braços que ela nem conseguia respirar.

- Tentamos apanhar a bruxa, - explicou o Rei – para a castigarmos, mas não conseguimos encontrá-la.

A princesa abanou a cabeça com força.

- Não, pai. Deixa a bruxa em paz. Se quero estar ao pé dos outros, não posso estar sempre a fazer-lhes mal.

O rei abraçou-a outra vez. Depois, falou para o rapaz:

- A nossas gratidão não tem fim. O que desejas para ti?

O rapaz pensou e concluiu que afinal até gostava da rapariga, e afinal sempre era princesa. Era de mau tom recusar a sua mão.

- Eu gostaria de casar-me com a princesa, mas só se ela quiser casar-se comigo.

A princesa ficou de repente muito corada e com os olhos muito arregalados.

- Casar? Mas se ainda agora desci da árvore!

Todos olharam para ela, muito calados. O Rei prometera a sua mão. A princesa observou o rapaz um bocado, pensou, repensou, e disse:

- Está bem. Caso-me contigo, mas tens que esperar... dois anos. Quero ver o mundo primeiro!

O rapaz achou que, para além de bonita, ela também era esperta, e concordou.

Todas as pessoas do palácio gritaram “VIVA! VIVA!”, tão alto, tão alto, que se ouviu até aos confins do reino, onde a bruxa vivia numa casa amarela. A bruxa riu-se e estalou os dedos. No jardim, ouviu-se um pequeno ‘pop’. A árvore que fora a casa da princesa tantos anos desaparecera para sempre.

FIM


Mais uma vez, o nosso muito obrigada à Carla M. Soares. Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

domingo, 5 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#2) - Arte na Costura

É com grande ânimo que podemos contar com o apoio da Arte na Costura neste nosso 1º Aniversário! Deixamos aqui o nosso grande obrigada pela sua colaboração!

Para quem não conhece a Arte na Costura:

"o resultado de algumas horas que eu e a minha mãe passamos juntas, rodeadas por tecidos, elásticos, linhas... Um ótimo passatempo!"


Digam lá que as Bloguinhas não têm umas capas de livros muito bonitas? E que tal a ideia de um dos nossos leitores poder ter uma também? :)

Pois é, temos para oferecer uma capa de livros a um leitor sortudo!


As participações são válidas até ao dia 26 de Abril de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do prémio está a cargo do blog.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook da Arte na Costura.
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog não se responsabiliza por eventuais extravios dos CTT.





sábado, 4 de abril de 2015

O Nosso Obrigada ao Rui Serra ...

Sobre o autor

"Rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro". Cresceu e sempre viveu no alentejo. Desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”. Participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. Por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013 e 2014. A convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto. Em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora. Um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras."


E foi com o Rui Serra que passamos o nosso mês de Março!

Para os mais distraídos deixamos aqui a marca que o Rui Serra deixou no Bloguinhas Paradise! 

E estando nós de parabéns, o Rui Serra deixou uma prendinha para nós e para os nossos leitores!

Aqui fica uma deliciosa prosa poética por Rui Serra :)


Esteganografia da vida

Não. Esta foi a mais dura das palavras que tive de pronunciar naquela tarde, mas um sim seria impensável e só o tempo, muito mais tarde, revelou que afinal de contas aquela tinha sido a palavra mais sábia que algum dia pude proferir.

Importa saber que jamais possuí a capacidade de predizer o futuro em toda a minha vida, mas, sem saber o que naquele dia estava a fazer, tomei uma, se não, a decisão mais acertada e ajuizada de toda a minha existência.

O significado de tal palavra ecoou para sempre até aos confins dos dias.

Passado, como alguns de nós o entendemos, é algo que não existe. É algo que num determinado momento foi o presente e que na efemeridade da nossa existência passou. Não existe um passado, nem nunca existiu, existe sim um momento.

Nem imagino que a vida alguma vez tenha sequer existido. A vida existe neste momento em que escrevo estas simples linhas. O que está para trás também existe, única e exclusivamente na forma em que existe, não como um passado, mas como algo que está simplesmente aqui e que foi em tempos um presente.

O que pretendo dizer é que não existindo passado, também não existe qualquer tipo de futuro.
Futuro é apenas um tempo verbal do que, hipoteticamente achamos, está para vir.

E, é no meio destas duas condicionantes temporais que existimos. O que é o presente, se não o momento actual. E foi num momento como este, que embora pareça que foi passado, antes pelo contrário, foi, é e continua a ser presente, em que proferi aquela palavra que deu início a tudo o que alguma vez importará, em qualquer existência, minha ou tua.

No momento em que escrevo estas linhas o tempo está suspenso, culpa de uma conspiração cósmica que no seu sempre presente conspira para que o que realmente importa seja o momento, nada mais que o momento temporal que levo a colocar um ponto final nesta frase.

Presente significa agora. Significa o instante e é no presente instante que o presente se apresenta. Não há como o esperar, pois ele simplesmente é, nem como lhe fugir pois ele é. É no presente que reside a vida. Não deixes que o teu “passado” interfira no teu “futuro”, e vive o momento, vive o presente que se te apresenta.

Eu não sou nem quero ser um oráculo, nem quero aqui profetizar qualquer tipo de presente futuro ou futuro presente. Quero apenas deixar-te estes escritos para que os leias com toda a atenção e carinho e percebas o que te quero transmitir, que percebas a mensagem que está no seu interior.

Amo-te.


Mais uma vez, o nosso muito Obrigada ao Rui Serra. Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#1) - Chiado Editora

E é com grande ânimo que podemos contar com o apoio da Chiado Editora neste nosso 1º Aniversário! Deixamos aqui o nosso grande obrigado à editora por todo o apoio durante este ano, assim como pela colaboração neste aniversário.


Assim, o blog em parceria com a Chiado Editora tem para oferecer os seguintes exemplares a 2 leitores sortudos!


"A Alice mora Aqui", Maria Ló de Almeida




Sinopse:

"Fui feliz, se é que existe esse conjunto de duas palavras.
Estive triste. Mas estou sã. Precisava de conhecer, de passar por este momento para crescer. Vou renovada. Tenho a cabeça arrumada. Tal como a consegui organizar aquando da minha adicção.
Não era amor. Era dúvida. A dúvida transformou-se em certeza e consequentemente em desencanto. Vim ao engano: não vim enganada, vim para me desenganar."


"Amor em Tempos de Crise", José Moreira da Cunha



Sinopse:

A vida dá-nos surpresas. Acontecem coisas inesperadas, complexas e incríveis, parecendo não haver espaço para a razão, tornando-se difícil encontrar explicações, por voltas que se deem e argumentos que se procurem. Os planos que se fazem com tempo, cuidado e lógica podem ser totalmente alterados de um momento para outro, por motivos aparentemente estranhos, surpreendentes ou incompreensíveis. Por isso o povo diz, na sua sabedoria, que o futuro a Deus pertence. Não se sabe com certeza o que se passará no dia seguinte. E é verdade, não é fácil prever com exatidão o que vai acontecer amanhã. Pode ter-se uma ideia, fazer-se um cálculo aproximado, preparar-se, mas saber-se com certeza absoluta é que não. Só sabemos – se é que sabemos – do presente e do passado, se a memória o quiser deixar, não nos pregando uma das suas frequentes partidas. É no meio da incerteza que se fala do destino. Há quem pense que tudo está previamente traçado para cada pessoa, quando se nasce, e que o que se faz é o que está previamente estabelecido, nem mais nem menos.


As participações são válidas até ao dia 24 de Abril de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio dos livros está a cargo da editora.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Colocar "gosto" na página do Facebook da Chiado Editora.
6. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
7. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
8. O blog e a editora não se responsabilizam por eventuais extravios dos CTT.





quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Nosso Obrigada à Célia Correia Loureiro ...



Sobre o autor:

"Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. Licenciou-se em Informação Turística pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, mas garante que a sua vocação é a escrita. Desde cedo começou a contar histórias através de ilustrações. Aos doze anos leu o seu primeiro romance e, desde aí, não parou de ler nem de escrever. Com algumas obras terminadas, apresenta-se aos leitores através da Alfarroba com "Demência" em Nov. de 2011 e, em Out. de 2012 lança, pela mesma chancela, "O Funeral da Nossa Mãe"."




E foi com a Célia Loureiro que passamos o nosso mês de Dezembro!

Para os mais distraídos, deixamos aqui a marca que a Célia Loureiro deixou no Bloguinhas Paradise!
E estando nós de parabéns, a Célia Loureiro deixou uma prendinha para nós e para os nossos leitores.

Para quem não sabe, avizinha-se a continuação de "A Filha do Barão" - "Uma Mulher Respeitável", a qual esperamos que seja publicada! E para aguçar o apetite aos mais famintos e curiosos, temos o prazer de divulgar a sinopse desta tão esperada continuação!


"Uma Mulher Respeitável", Célia Correia Loureiro



Sinopse: 

“Jamais alguém lhe falara assim. Chegara a cultivar a ilusão de que era algo de belo e sagrado; algo que seria, para sempre, estimado. Voltou-se sobre o ombro para a rua de onde viera. A fome incomodara-a nas primeiras horas, espicaçara-a nos primeiros dias. Volvida uma semana, contudo, era algo que a moldava. Ela já não era Evelyn St. Clair, a menina privilegiada da Casa da Pereirinha que falava Português, Inglês e um pouco de Francês. Era uma escultura de ossos, uma catedral de fome, um monumento à sobrevivência.”


Mais uma vez, o nosso muito obrigada à Célia Loureiro. Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

1º Aniversário

Quase sem darmos conta vimos passar um ano desde que criamos o Bloguinhas Paradise! Sim, é verdade, dia 20 deste mês de Abril este projecto, que nos é tão querido, completa o seu primeiro aniversário!!!
 
Fiquem atentos pois serão muitas as surpresas que temos preparadas para os nossos seguidores sem os quais o Bloguinhas Paradise não teria sentido! Assim, sintam-se à vontade para deixarem a vossa opinião sobre este primeiro aninho de vida do nosso bebé bem como sugestões para o futuro.
 
Obrigada por estarem desse lado!!!
 
 

Boas viagens,

Bloguinhas Paradise