terça-feira, 19 de março de 2019

Opinião "Sinto Muito", Nuno Lobo Antunes



Sinopse:

“É um livro de confissões/memórias de um neuro oncologista pediátrico e hoje neurologista sobre doenças de deficit de atenção. Uma reflexão sentida sobre aquilo porque muitas pessoas têm que passar ao longo da vida ou já no fim dela. Sinto Muito é sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, mas recompensa-o grandemente, tornando-o mais leve e melhor. Nuno Lobo Antunes pretende, com bom propósito e bons resultados, deixar que o seu coração se pronuncie, que se liberte a sua voz, que seja conhecida a sua humanidade. E, na verdade, a alma fala.”



Opinião:

Depois de uma má fase a nível literário, foi com esta obra de Nuno Lobo Antunes que consegui voltar a casa e recuperar a vontade de ler. “Sinto Muito” como devem já ter reparado não é propriamente um livro que eu compraria de livre e espontânea vontade. No entanto, no decorrer de uma visita à Feira do Livro de Viana do Castelo bem acompanhada, eis que me foi sugerida a sua leitura!

Trata-se de uma obra resultante da compilação de memórias e desabafos do autor – neuro-oncologista pediátrico. E acho que este foi o grande motivo que me permitiu cair na tentação de o comprar! Claro que não é o primeiro livro que leio sobre a oncologia, no entanto, não tenho por hábito ler livros sobre o mesmo na primeira pessoa.

Para melhor descrever a minha opinião sobre a obra, posso dizer que é um espelho do nosso dia-a-dia como médicos, escrito de uma maneira singular. Por vezes quando nos perguntam o que fazemos, porque é que gostamos disto, é-nos difícil explicar. Muitas vezes ouvimos «não sei como consegues ver constantemente pessoas a sofrer». Mas a verdade é que existe alguma beleza/gratificação em estar ao lado e contribuir para um simples sorriso nos momentos mais difíceis. A beleza de um abraço! A beleza de um olhar! A sinceridade de um obrigado! Aquele aperto de mão!

E se no meu dia-a-dia me deparo com situações dolorosas, a verdade é que não consigo sequer imaginar o sofrimento diário com que se depara um neuro-oncologista pediátrico. É impossível não empatizar com o autor em certas páginas. Por vezes de forma irónica, mas real, “Sinto muito”!

É verdade que o autor não me conquistou, no entanto, reconheço o mérito do seu testemunho!



domingo, 17 de março de 2019

E se eu remar


E se eu remar
E não amar
E se eu remar
Contra corrente
E o barco afundar
Assim de repente
E se eu remar
E não amar
Estarás na praia
Quando naufragar
E aí talvez (te) amar?
Pisarás a areia
Para me socorrer
Ou me ver de Amor
Morrer?
E se eu remar
E o vento,
para longe,
Me levar
E em solitárias águas
Eu não puder a sede apagar
Esperarás por mim
No fim dos tempos
Até virem os bons ventos
Até o barqueiro de mim desistir
E a Noite parar de rir?
E se eu remar
E não amar
E o frio gelado,
Em mim,
não derreter
Deixas-me ir
Beber o mar?
E,
Quebrantada,
Parar de remar?



domingo, 10 de março de 2019

Opinião "Os Contos dos Irmãos Grimm", Irmãos Grimm & Tiago Azevedo


Sinopse

"Neste livro serão imersos no mundo mágico de dez obras primas dos Irmãos Grimm ilustradas pela minha interpretação dessa magia.

Gostaria que iniciassem este livro como quem começa uma odisseia, com a mente aberta para uma fabulosa aventura que vos levará a lugares inexplorados e revelará antigos ensinamentos sobre a vida e nuances da nossa maravilhosa existência."

Sobre o ilustrador

" Tiago Azevedo nasceu a 9 de Abril de 1985 em Angra do Heroísmo, Portugal. É um pintor e arquitecto que reside actualmente na Alemanha. A pintura sempre foi a sua inspiração e isto fez com que seguisse os seus sonhos e a tornasse numa carreira. Participou em inúmeras exposições por todo o mundo incluindo Paris, Nova Yorque e Roma onde adquiriu o respeito do público e críticos de arte internacionais. A sua inspiração é derivada da religião e fantasia incluindo os contos dos Irmãos Grimm. O Barroco é também uma influencia pelo seu forte contraste e dramatismo. A pintura clássica a óleo fascina-o, o que é claro no seu estilo que combina os conceitos contemporâneos do Surrealismo Pop com as técnicas clássicas dos grandes mestres do mundo da arte."

Mais informações Aqui.

Opinião

Começo por agradecer à Chiado Editora por me ter enviado este lindíssimo exemplar que junta os clássicos contos dos irmãos Grimm às belíssimas ilustrações do artista Tiago Azevedo.

É simplesmente delicioso e visualmente fascinante percorrer as páginas deste livro e imergir no mundo mágico dos irmãos Grimm. Dispenso-me de quaisquer comentários aos contos pois são de um valor literário inquestionável e ocupam, certamente, um lugar nas estantes da grande maioria dos nossos leitores.

O livro contem dez obras primas que fizeram parte das viagens da minha infância e por isso é para mim uma obra com um significado muito especial. Deixo-vos algumas das encantadoras ilustrações para que vos levem ao mundo dos sonhos, onde a segunda-feira é um dia muito mais distante que o dia a seguir ao Domingo. 


Capuchino Vermelho
A Bela Adormecida

Opinião "A Ilha Misteriosa da Imaginação", Pedro Garcia e Raquel Nunes


Sinopse

Inspirado numa brincadeira, motivado por um concurso (que não ganhamos), criado por dois amadores e escrito à distância, este livro é exemplo de que com esforço, amor e dedicação tudo se consegue.

Esta é uma história que se passa numa ilha especial, onde tudo o que se possa imaginar existe lá. Nesta ilha vivem criaturas/animais nunca antes vistas, todas elas tão diferentes entre si que, por não saberem estar juntas, decidem viver sozinhas, até ao dia em que algo estranho acontece…Um terrível vulcão de sopa acordou e toda a ilha corre perigo. A Fada Labidenti (protetora da ilha) dá a difícil missão aos animais de salvar a ilha. Mas haverão regras, e se as cumprirem, além de salvar a ilha, poderão ainda ser surpreendidos com um tesouro de valor inestimável.

Conseguirão a Carboleta, o Macacão, o Gatifinho e o Girafão deixar as suas diferenças de lado e juntos ultrapassar os desafios que os esperam? Conseguirão encontrar o tesouro e salvar a ilha? Entra nesta aventura e desvenda os mistérios da Ilha da Imaginação.

Sobre os Autores


Pedro Garcia

Pedro Garcia nasceu a 23 de Dezembro de 1987, é vendedor, e vive em Lisboa. É curioso, gosta de descobrir coisas novas e sonha dar a volta ao mundo. 

Raquel Nunes

Raquel Nunes nasceu a 4 de Março de 1995, na Ilha Terceira (Açores), e vive atualmente em Lisboa. É estudante de Psicologia, mas desde pequena que gosta de ler e escrever, tendo participado em alguns concursos literários, como: "Uma Aventura...Literária 2007" e "Uma mulher, personagem literária" no ano letivo 2012/2013, tendo sido as suas obras distinguidas, respetivamente, com uma Menção Honrosa e o prémio de 2° lugar. Além disso, adora desporto e pratica Voleibol.



Raquel e Pedro são namorados desde 2015. Em 2017, participaram juntos num concurso literário com esta história e, apesar de não terem sido os vencedores, não desistiram. Ao lutar por este objetivo, vêem agora publicado o seu primeiro livro: "A Ilha Misteriosa da Imaginação", e acreditam que vale sempre a pena lutar pelos nossos objetivos, mesmo que isso não seja uma tarefa fácil.

Opinião

Começo por agradecer à Chiado Editora por fazer chegar até mim este pequeno livro infantil, mas que procura passar aos mais pequenos uma grande mensagem. Numa palavra, é um livro sobre Amizade. Os autores levam-nos numa viagem até uma ilha onde peculiares personagens, muito diferentes entre si, descobrem que a união faz a força, que a Amizade nos permite chegar mais longe do que quando percorremos sozinhos os acidentados caminhos da vida, que as diferenças nem sempre são obstáculos e que os nossos maiores tesouros são aqueles guardados dentro da nossa jaula costal. 

A Ilha Misteriosa da Imaginação é um livro simples, uma óptima leitura para um Domingo à tarde com os mais pequenos ou para uma aventura antes do sono chegar. 

Li na minha infância incontáveis histórias que me levavam para outros mundos, nascendo assim muito cedo o meu gosto pelos livros, ficava sempre felicíssima quando em épocas festivas me ofereciam livros, pois para mim o que me ofereciam eram amigos e viagens.

Assim, ainda que não seja esta obra um clássico dos irmãos Grimm ou um Pincipezinho de Saint-Exupéry é uma óptima sugestão de presente para os pequeninos que tiverem aí por casa e que merecem um miminho por terem comido a sopa toda!  


domingo, 3 de fevereiro de 2019

Vencedores Passatempos de Natal 2018

Passadas as Festas, esperamos que todos os nossos leitores estejam a ter um óptimo início de ano... mas há 3, em particular, que podem contar com livros novos para o começar da melhor maneira.

Aqui estão os vencedores dos Passatempos de Natal 20181

"O Livro do Chocolate", Joanne Harris e Fran Ward

51 participações individuais


Fátima Valente


"Os Contos dos Irmãos Grimm", Tiago Azevedo

46 participações individuais


Berta Vinagre



"Lydia", Pedro Belo Clara

32 participações individuais



Lídia Fróis

(Não foi propositado, mas parece que este estava destinado ;) )


Todos receberão em breve um e-mail da nossa parte. Desejamos-lhes uma boa viagem literária! :)


Boas viagens,

Bloguinhas

domingo, 23 de dezembro de 2018

Mensagem de Natal

Quase-conto de Natal

Devagarinho as ruas foram enchendo-se de luzes, enfeites deixaram-se tombar em pinheirinhos cujo propósito existencial é tão-somente nos trazerem à lembrança que a Magia existe, enrolamo-nos em quentinhos cachecóis e mantas enquanto viajamos com os heróis dos nossos livros, deliciosos aromas começaram a incendiar o nosso olfacto e, num passo apressado, corremos à procura de pedacinhos de Felicidade para deixar nas chaminés de quem mais amamos. É Natal! 

E sentados estavam à mesa de Natal os elementos de uma peculiar família. Tristeza, filha mais velha, hoje mais triste que o habitual, lamentava a desarrumação instalada na cozinha. Alegria, a filha do meio, aguardava ansiosamente a abertura dos presentes, levantando-se sempre que não conseguia conter a excitação e dançando, e rodopiando, criando uma corrente de apressado ar, vulgo vento, que ameaçava a cada segundo deitar ao chão tudo o que sobre a mesa se encontrava. Tal era a alegria da Alegria que o seu sorriso hasteado não se demovia ao ver Tristeza cabisbaixa. Esperança e Resiliência, gémeas, e as mais pequenas, brincavam alheias ao seu redor, ignoravam o calendário e era para elas mais um dia em que tudo era possível, como sempre é para todas as crianças. 

A Mãe Amor e o Pai Razão tentavam animar Tristeza, até que ela não mais pode aguentar as gotas carnudas que agora lhe embaciavam a visão. Porque choras Tristeza, perguntavam sem parar. E sem parar chorava a Tristeza, sem tempo das lágrimas secar. E entre soluços e fungadelas lá deixou escapar, Porque só triste sei eu ser! E hoje perguntei-me se poderia sonhar, só hoje por ser Natal, quem sabe até ser feliz, construir um novo mundo, assim pela raiz, isento de tudo o que me faz chorar, um mundo só para Amar, porém a Alegria me disse que sonhos desses não posso ter, pois assim feliz nunca hei-de ser

Queres tu então um mundo melhor, perguntou-lhe a Mãe Amor, com ar pensativo de quem procura solução. Tristeza anuiu com prontidão. É impossível, respondeu severamente o pai Razão. É arriscado, retorquiu o Avô Experiência. É ridículo, responderam em uníssono as tias Inveja e Preconceito, enquanto trocavam risinhos de escárnio. E novamente Tristeza deixou-se cair em si mesma, e chorou, agora baixinho como que conformada com a sua condição. 

Foi então que a Avó Compaixão apertou-a para junto de si, Chora então, tudo o que tens a chorar, sem tristeza jamais saberíamos porque sorrir, a tristeza muda o mundo, pois vê o que há a mudar, chora então tudo o que tens a chorar. Então poderei eu sonhar com um mundo melhor, Podes tentar, respondeu Esperança, E não desistir, acrescentou Resiliência, continuando ambas a brincar como se a sua intervenção não fosse para ser levada a sério, como se soubessem que nunca ninguém liga ao que as crianças dizem, nunca ninguém tenta ver o mundo da maneira que ele é: simples. Tristeza foi juntar-se a Esperança e a Resiliência, e juntas, debaixo das luzes frenéticas do pinheirinho, brincaram ao faz-de-conta, a um mundo melhor. 

Tomé Castro, in Natal em Palavras
 

As Bloguinhas desejam a todos os seus leitores um Natal repleto de doces surpresas, calorosos abraços e páginas imensas!!

Boas Viagens, 

Bloguinhas Paradise


domingo, 16 de dezembro de 2018

Passatempo de Natal 2018 – "Os Contos dos Irmãos Grimm", Tiago Azevedo

A Chiado Editora festeja este Natal com o Bloguinhas Paradise e tem para vos oferecer Os Contos dos Irmãos Grimm, um belíssimo livro que fará as delícias dos mais pequenos (e não só)!

Poderão ler em breve a opinião no Blog, e encontrar mais informações aqui.

 



As participações são válidas de 16 de Dezembro de 2018 até 16 de Janeiro de 2019 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo do autor.

Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Colocar "gosto" na página do Facebook da Chiado Editora
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.

Boa sorte,

Bloguinhas

Passatempo Natal 2018 – "Lydia", de Pedro Belo Clara

O autor Pedro Belo Clara cedeu gentilmente um exemplar do seu novo livro - Lydia - para comemorar com os nossos leitores este Natal!

Podem encontrar a opinião da Tomé publicada no blog.



As participações são válidas de 16 de Dezembro de 2018 até 16 de Janeiro de 2019 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo do autor.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Colocar "gosto" na página do Facebook da Pedro Belo Clara.
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.

Boa sorte,

Bloguinhas

Passatempo Natal 2018 – "O Livro do Chocolate", de Joanne Harris e Fran Ward

Para festejarmos convosco o Natal que se avizinha aqui vos deixamos uma surpresa docinha! Agradecemos à Arcádia - Casa do Chocolate pelo apoio!

Sinopse:

Experimenta-me… Prova-me… Saboreia-me…Cinquenta receitas que celebram o delicioso chocolate! Quando Joanne Harris escreveu o romance "Chocolate", lançou sobre todos os amantes de chocolate do mundo um encantamento único. A “sua” excêntrica Vianne Rocher abriu uma tentadora chocolaterie e todos nós partilhámos do aconchego do seu lar e nos deliciámos com os seus devaneios gastronómicos. Muitos anos passaram, mas essa sensação de conforto e união mantém-se até hoje. Para celebrar um romance tão querido (e pecaminoso), Joanne Harris juntou-se à chef Fran Warde e, juntas, criaram o supremo livro de receitas de chocolate. E porque uma iguaria é (muito) mais do que a soma dos seus ingredientes, estas cinquenta receitas são como segredos ancestrais repletos de doçura e magia.



As participações são válidas de 16 de Dezembro de 2018 até 16 de Janeiro de 2019 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. Os vencedores serão contactados por email. O envio do livro está a cargo do blogue.

Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise
4. Colocar gosto na página de Facebook "Arcádia Casa do Chocolate"
4. O vencedor será determinado pela aleatorização das participações. 
5. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.

Boa Sorte,

Bloguinhas

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Opinião "O Amante de Lady Chatterley", DH Lawrence

Sinopse

“A história da relação entre Constance Chatterley e Mellors, o guarda de caça do seu marido inválido, é o romance mais controverso de Lawrence e talvez o seu texto mais comovente sobre o amor. 
Escrevendo para libertar as gerações que, a seu ver, consideravam o sexo um simples constrangimento ou ato mecânico, Lawrence disse sobre este livro: «Trabalhei sempre o mesmo tema, encarar a relação sexual não como algo vergonhoso, mas válido e precioso. Penso que neste romance fui mais longe do que em qualquer outro. Para mim, é uma obra bonita, terna e frágil, tal como a nudez.»”


Opinião

Não é segredo que adoro romances clássicos. Os sentimentos assumem toda uma outra dimensão, e adoro o facto de, tendo lugar em épocas distantes à nossa, manterem a sua intemporalidade. São universais e, por isso, tão cativantes para mim.

Como tal, e sabendo que se tratava de uma obra com uma forte conotação sexual, parti para a sua leitura com expectativas relativamente altas. E ficaram defraudadas…

Para mim, o problema foi que o autor se foca tanto no seu objectivo de mostrar o sexo sob uma luz diferente que acaba por cair no exagero. As relações parecem ocas, as personagens dão-se a demasiados esforços para estarem juntas quando os momentos que partilham são superficiais, tornam-se arrogantes no seu egoísmo. E mesmo as cenas íntimas são por vezes tão exageradas que acabam por cair no ridículo…

Reconheço a agitação que deve ter causado na sociedade da época, uma vez que mesmo para os dias que correm é considerada uma obra ousada. No entanto, faltam-lhe os elementos que me prendem num romance: a profundidade das relações, todo o investimento que é colocado no outro, a expectativa...

Vale a pena ler “O Amante de Lady Chatterley” pelo contexto social da sua publicação, e pelo alvoroço que deve ter causado aquando da sua publicação original. Mas fica longe de ocupar um lugar na minha prateleira de favoritos…

domingo, 25 de novembro de 2018

Pensamento do Dia

Dá-me um sorriso ao domingo.

Dá-me um sorriso ao domingo.

Dá-me um sorriso ao domingo.
Para à segunda eu lembrar.
Bem sabes: sempre te sigo
E não é preciso andar.

Fernando Pessoa 


sábado, 24 de novembro de 2018

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Opinião "O Escritor e o Prisioneiro", Rute Simões Ribeiro


Sinopse


O Escritor e o Prisioneiro é a terceira obra publicada de Rute Simões Ribeiro, sucedendo aos romances Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade) (Finalista do Prémio LeYa 2015, sob o título Os Cegos e os Surdos) e A Alegria de Ser Miserável.

Assumindo a forma de um conto que se situa entre a narrativa e a dramaturgia, O Escritor e o Prisioneiro trata do conflito interno de um prisioneiro chamado Tom perante o seu médico psiquiatra, a quem solicita ajuda, por desconfiar da sua própria lucidez. Através de um quasi-monólogo, Tom narra os eventos que ocorreram dentro da prisão, ao mesmo tempo que confessa os questionamentos e as dúvidas que esses acontecimentos provocaram nele. Nesta exposição, fala obsessivamente de Otto, um escritor prisioneiro, que o agita e será talvez o causador dessa possível loucura, que procura esclarecer numa conversa onde se confundem intenções e identidades.

Opinião

Depois de ter lido e adorado o Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade), de Rute Simões Ribeiro, fiquei com imensa vontade de ler tudo o que esta autora viesse a escrever. E a verdade é que estou em falta para com a Rute, que amavelmente me enviou a sua segunda obra, A Alegria de Ser Miserável, e que eu ainda não tive oportunidade de ler. 

Mas deu-se o acaso de O Escritor e o Prisioneiro, a sua mais recente criação, ter ficado disponível na Amazon no formato de ebook num dia em que eu precisava de me entreter e só tinha disponível o meu pouco-smart phone. 

O Escritor e o Prisioneiro apresenta-se-nos como uma espécie de pitoresco conto e leva-nos numa intimista conversa entre enigmáticas personagens. Um prisioneiro chamado Tom procura um psiquiatra por acreditar estar louco ou na eminência de perder a pouca lucidez que lhe resta, e vai partilhando com o seu médico eventos que tiveram lugar no seu tempo de clausura. Destaca-se nos seus relatos uma presença, Otto, um escritor, que ele desconfia ser o principal motivo da sua alienação. 

Rute torna-nos a nós, leitores, espectadores atentos de um estranho diálogo, e que pela sua estranheza nos prende numa leitura que é rápida e interessante, mas que, na minha perspectiva, se perde num final deixado demasiado em aberto. O Escritor e o Prisioneiro parece-me uma ideia (brilhante!) inacabada, queria saber mais destes personagens, mais do que se passou no cárcere. 

E ainda que o mistério em absoluto possa ser o propósito da autora e eu consiga interpretar e encontrar razões para isso gostava genuinamente de poder ler mais uns quantos capítulos. Acredito que Rute Simões Ribeiro levanta ao de leve questões sobre a reabilitação após os erros, sobre os recomeços, faz-nos pensar como por vezes somos a nossa própria prisão, como são tantas as versões de nós mesmos que vamos experimentando consoante as vicissitudes da vida, como quem muda de casaco ao virar da estação. 

A escrita de Rute mantém-se cuidada e de exemplar perfeição, coberta ainda das influências saramagueanas, porém dispensava por completo uma espécies de didascálias que foram introduzidas pelo texto e que a meu ver em nada o enriqueceram. 

O Escritor e o Prisioneiro não deixa de ser uma boa companhia para uma café, ainda que não alcançando a genialidade do primogénito de Rute Simões Ribeiro.



Podem ler a minha opinião do Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade) Aqui

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Pensamento do Dia


Nada detemos, amor.
Somos poeira na estrada do tempo.

Pedro Belo Clara,  Lydia

Opinião "Lydia" , Pedro Belo Clara

Opinião


Pedro Belo Clara mantém-se em Lydia, a sua mais recente obra, fiel ao seu percurso, continuando a ser o Poeta do Amor, que se deu a conhecer nas suas criações prévias. 

Embalado num epicurismo estival, não tão comedido e sem limitações à felicidade como o epicurismo triste de Ricardo Reis, o Poeta busca a felicidade apenas conseguida pela consumação do Amor, Porque só o Amor é salvação, só o Amor é capaz de fazer a noite morrer. 

Uma ténue linha temporal deixa transparecer o passar das estações, e o Carpe Diem, enaltecido nas temperaturas mais amenas, vai dando lugar à tranquila sabedoria da inevitabilidade da chegada do Inverno, à consciência da finitude e da inexorável passagem do tempo, mas ressalvando sempre que há momentos que podem ser eternizados: bebamos o eterno emergindo/da fugacidade lenta/de todos os instantes

Lydia é uma obra coesa, os poemas que a constituem, arestas de um lapidado diamante, fazem brilhar Lydia como se de um único poema se trata-se. Apesar disso, e tal como senti em Quando as manhãs eram flor, há uma grande proximidade entre as obras do autor, os seus poemas poderiam vaguear entre os seus livros sem que nos apercebêssemos de que ali não pertenciam. No entanto, percebo que possa ser um contínuo pretendido pelo escritor, todavia não poderia deixar de reparar nas evidentes semelhanças. 

Nada há a apontar à escrita de Belo Clara que nos habituou à voz principesca e romântica do seu eu poético, há neste livro versos de inigualável beleza, que nos embalam numa embriagante sinestesia. 

Termino agradecendo ao Pedro que mais uma vez me proporcionou uma leitura de fim de tarde maravilhosa e que me deixou ansiosa pelo Livro II de Lydia. Agradeço-lhe também que Lydia nos faça relembrar que podemos acordar de mãos vazias, vendo murchas todas as flores cujo perfume nos inebriou nas estações quentes, mas haverá sempre um recomeço, uma Nova Estação.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Pensamento do Dia


"Um amigo não é alguém a quem dás as coisas de que precisas quando o mundo está em guerra. Um amigo é alguém a quem dás as coisas de necessitas quando o mundo está em paz."

Anna e Homem-Andorinha, Gabriel Savit


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Novidade - Lydia, Pedro Belo Clara

No início do mês de Outubro, Pedro Belo Clara, apresentou Lydia , o seu novo livro, publicado pela Chiado Editora.

É com grande alegria que as Bloguinhas trazem esta notícia, pois os nossos leitores mais atentos sabem que este Poeta tem um lugar especial neste nosso cantinho!

Sobre o autor

"Pedro Belo Clara nasceu na cidade de Cesário Verde e de Pessoa, duas das suas primeiras influências, no ano de 1986.

Participou em exposições de pintura como poeta convidado, em diversas colectâneas de poesia contemporânea e dirigiu, junto de escolas secundárias e de outros grupos interessados, conversas informais sobre a obra de alguns poetas portugueses.

Como colaborador de revistas e blogues literários, portugueses e brasileiros, pela sua actualidade e frequência destacam-se as seguintes publicações: SubVersa, 7Faces e Letras in.verso e re.verso.

É autor dos blogues Recortes do Real, Uma Luz a Oriente e The Beating of a Celtic Heart.

O presente trabalho é o sétimo que edita desde a sua estreia em 2010."

Chiado Editora

Sobre a obra

Para mais informações aceder Aqui.
Publicações no Blog relativas ao Autor e suas obras aceder Aqui.



Em breve opinião no Blog!

domingo, 4 de novembro de 2018

Opinião "Bestiário de Kafka", Franz Kafka

Sinopse

“Uma coleção de contos de um dos maiores nomes da literatura mundial, todos eles protagonizados por animais. De salientar que alguns destes contos são completamente inéditos em Portugal, a maior parte deles traduzidos pelo seu tradutor «de marca», Álvaro Gonçalves.”

Opinião

Esta colectânea de contos reúne várias narrativas de Franz Kafka, que têm como ponto comum serem protagonizadas por animais. Inclui Metamorfose, o ex-libris do autor, que se destaca, de longe, dos outros. Este primeiro conto suscita um misto de compaixão, estranheza e repulsa. O leitor não fica indiferente ao desespero do protagonista, estimado ganha-pão da família, que se vê da noite para o dia transformado em insecto – e de estimado passa a ostracizado...

Quanto aos outros contos, ficam muito aquém de Metamorfose. Se por um lado partem de ideias de uma originalidade inegável, por outro falham na execução: um cão que conduz investigações para desvendar o que desconhece (por exemplo, a origem da sua comida, que ou vem de baixo ou vem de cima), uma toupeira que descreve a engenharia por detrás da sua toca,… Fiquei com a sensação de que são rascunhos, de que não foram editados nem correspondem à sua versão final. Em alguns falta lógica, um deles está dividido em duas partes escritas em alturas diferentes, e outro prolonga-se durante páginas e páginas para terminar de forma abrupta.

A obra vale muito por Metamorfose. Porém, fiquei desiludida por as restantes narrativas não terem chegado a ser trabalhadas pelo autor de forma a serem publicadas no seu melhor…