quarta-feira, 2 de julho de 2014

Opinião - "O Mundo de Sofia", Jostein Gaarder

Edição: 1991 (1ª), 2013 (31ª)
Páginas: 464
ISBN: 978-972-23-1949-2
Goodreads: mais informação aqui.
Sinopse

"O bestseller mundial, O Mundo de Sofia, é a prova de que Demócrito, Aristoteles, Kant, Espinosa, Freud e os outros são fabulosos personagens romanescos. Um thriller filosófico à boa maneira, com a vantagem de possuir uma elegante e inexcedível clareza. O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder é um sucesso literário só comparável ao Nome da Rosa de Umberto Eco."


Opinião

Precisei de algum tempo para conseguir escrever esta crítica. Não é fácil abandonar O Mundo de Sofia e todas as reflexões a que nos obriga.

(A sinopse desta edição não diz verdadeiramente muito sobre o livro… Pelo que é imperativo falar um pouco da história antes de dar a minha opinião.)


Sofia é uma jovem de 14 anos (quase 15!) que vive numa pequena vila Norueguesa. Num dia como tantos outros, recebe duas cartas misteriosa com questões para as quais não tem resposta  - “Quem és tu?” e “De onde vem o mundo?” Este é o início de uma correspondência que vai levar Sofia a conhecer a Filosofia, desde o início dos tempos.
No entanto, as cartas filosóficas não são as únicas que aparecem na caixa de correio de Sofia; esta recebe também um postal que lhe é endereçado, mas cuja mensagem é para uma pessoa que não conhece e que, aparentemente, vive a uma grande distância. Quem é esta pessoa e como poderá Sofia encontrá-la?

Ao início, fiquei um pouco de pé atrás. O livro não era aquilo de que estava à espera (se bem que, verdade seja dita, não sei muito bem o que esperava). O curso de Filosofia por correspondência ocupa muita da leitura, e dei por mim a pensar se o livro seria apenas um manual de Filosofia em forma de romance. Por muito que tenha adorado aprender e pensar sobre as questões abordadas, isto não seria suficiente para construir um bom romance, na minha opinião!

A verdade é que o livro é mesmo um manual de Filosofia, mas vai muito para além de qualquer explicação ou lição das que foram dadas a Sofia.

Há um elemento que é introduzido quase nas entrelinhas, e que começa a mudar o rumo da história – o postal para Hilde Møller Knag. Esta parte da narrativa, que parece tão secundária, apenas mais uma questão sobre a qual filosofar, torna-se, na minha opinião, o combustível para o resto da história. É com grande expectativa que seguimos Sofia e somos, ao mesmo tempo que ela, assombrados por cada coincidência que nos leva invariavelmente até Hilde.

Sofia é uma rapariga madura, e pela sua voz e a da sua melhor amiga, Jorunn, Gaarder injecta na história uma ou outra crítica social que, passados 12 anos, ainda traz em si alguma verdade. É inteligente, seguindo as lições do seu professor de Filosofia atentamente, sem nunca perder a irreverência dos seus quase 15 anos. Há duas grandes questões a que Gaarder dá particular atenção durante todo o livro, tendo Sofia um papel importante na sua discussão: a destruição da Natureza em proveito do Homem e a igualdade entre os sexos. De um ponto de vista humano, senti um grande apego por esta personagem; sofri com os seus problemas e senti a sua revolta... 

Alberto, o professor, é para além disso um guia quase espiritual para a protagonista (e, consequentemente, para o leitor). Esta figura nunca chega a perder a sua aura de mistério, mesmo quando se revela.
Sobre Hilde, não vou falar. Foi mágico o momento de viragem da história, o da grande epifania, o da verdadeira revelação… Não quero retirar isso ao leitor.

Foi com grande surpresa que constatei que este livro não faz parte do Plano Nacional de Leitura. Se fosse professora de Filosofia (ou de Física, ou de Biologia, ou de Psicologia, ou de História, ou de Literatura, etc) recomendaria este livro a todos os meus alunos, por terem muito a ganhar no seu percurso de aprendizagem.
No entanto, mesmo quem já deixou a escola será surpreendido pela curiosidade que este livro instiga, por tudo o que ensina como quem não quer a coisa. Dei por mim a reflectir, tal como Sofia, no meu papel no mundo, nos meus objectivos e no meu conceito de moralidade.

Em suma, para além de um “manual” a transbordar de conhecimento, este livro encerra em si mistério e fantasia, viagens pelo tempo e espaço e pela nossa própria consciência, que expandem os nossos horizontes para além do que achamos possível.


"...o importante é que aquilo que tu perdes é inferior em relação ao que ganhas. Perdes-te quanto à forma que possuis de momento, mas ao mesmo tempo compreendes que na realidade és algo infinitamente maior. És todo o universo. És a alma do mundo, Sofia."






P.S. Não resisti…
Berkeley
Bjerkely

2 comentários :

  1. Viva,

    Ora aqui está um livrinho que deve valer bem a pena sim senhor.

    Bjs e boas viagens

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    Respostas
    1. Olá Fiacha!

      Acredita que sim, mudou a minha forma de pensar, e acho que isso é sempre um ponto a favor :)

      Boas viagens! ;)

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