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terça-feira, 19 de maio de 2015

Resultado Passatempo 1° Aniversário (#7) - Pedro Cipriano

Chegou ao fim o nosso sétimo passatempo de aniversário, e portanto está na altura de revelar quem vai receber o ebook oferecido pelo Pedro Cipriano.


Tivemos 70 participações individuais, sendo que 59 foram válidas.
Após verificação da partilha do passatempo numa rede social, tivemos um total de 101 participações válidas.
O sorteio foi realizado via random.org, que ditou que o vencedor é ...
 


 
Parabéns Sofia Simões!
Receberás em breve um e-mail da nossa parte. Desejamos-te uma boa viagem literária! :)


A todos os que participaram, muito obrigada, e esperamos que continuem a tentar! Nunca se sabe quando será a vossa vez de vencer!

Boas viagens,

Bloguinhas

domingo, 12 de abril de 2015

Passatempo 1º Aniversário (#7) - Pedro Cipriano

Na verdade, o Pedro Cipriano não nos deixou apenas uma prendinha neste nosso aniversário! Deixamos mais uma vez aqui o nosso grande obrigado ao Pedro Cipriano pela sua colaboração.


Assim, o blog em colaboração com o Pedro Cipriano tem para oferecer o seguinte ebook a 1 leitor sortudo!


"Crónicas do Porto e Galiza", Pedro Cipriano




Sinopse:

"Imagine que a própria União Europeia acabou numa violenta luta do Norte contra o Sul. Imagine um Portugal que se fragmentou em três estados. Imaginem que um desses estados vive mergulhado num regime fascista cujo objectivo único é dominar o resto da península Ibérica. Esta é a realidade de Rui, Bruno, Leonor, Manuel, Miguel, Ana e Daniel, assim como o de milhares de outros cidadãos."

Inclui os contos Boas Festas Vindas do Céu, Anjos da Morte, A Carta, O Poeta, O Guarda-Livros, A Primavera e O Cupão.


As participações são válidas até ao dia 3 de Maio de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do ebook está a cargo do autor.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. A partilha numa rede social (Facebook, Twitter, Google+) permite uma entrada extra no passatempo.
3. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
5. Os vencedores será determinado pela aleatorização das participações válidas.
6. Neste passatempo serão aceites participações internacionais.


O Nosso Obrigada ao Pedro Cipriano


 

Sobre o autor:

Pedro Cipriano gosta de escrever de tudo um pouco. É difícil definir o género literário no qual se encaixa mais, uma vez que escreve desde ficção histórica e policiais, passando por ficção científica até ensaios. Faz parte do grupo Fantasy & Co e fundou a Editorial Divergência. Profissionalmente tem doutoramento em Física experimental e dedica-se a tempo inteiro à editora, à escrita e às artes marciais.
 
 
 
 
Pedro Cipriano fez-nos companhia no mês de Janeiro, acabados de entrar no ano de 2015, com o seu Caderno Vermelho! Recordamos aqui alguns dos pontos altos do fim-de-semana:

Pensamentos do Dia: 1, 2, 3

E para o nosso aniversário, Pedro Cipriano presenteou-nos e aos nossos leitores com um texto num registo bem diferente, partilhando connosco um pouco da sua versatilidade!


Os Cadáveres

Sou um homem morto. Respiro, o meu coração bate e ainda raciocino. Apesar disso, sou um homem morto. Aperto a arma que trago por dentro do casaco e dou alguns passos em frente. Os ouvidos zumbem. Não vale a pena sequer ir buscar o carro. Não iria funcionar. Acho que desloquei o ombro. É a menor das minhas preocupações. Aliás, um homem morto não tem preocupações. Passo a mão pela testa e vejo-a coberta de sangue. Só há uma coisa que gostaria de fazer. Mais que gostar, tenho de o fazer. Outras pessoas arrastam-se pela rua devastada. Outras pessoas não, cadáveres tal como eu. Talvez gritem. Parece-me que sim, não tenho meio de saber. O maldito zumbido continua. Vejo-os agitar os braços, enquanto correm à procura de ajuda. Alguns não se mexem. Estão apenas um pouco mais mortos que eu. A ajuda não virá. Estamos por nossa conta. E há um amaldiçoado vento, que sopra na pior direcção. Era polícia, enquanto estava vivo. O meu dever neste caso seria auxiliar os feridos e impedir o caos. Não vale a pena. No passeio jaz uma mulher de meia-idade com os membros torcidos em ângulos impossíveis. Há uma criança empalada num sinal de transito. Vomitaria se ainda tivesse algo no estômago. Há quem olhe para o meu uniforme desfeito com um raio de esperança no olhar. Incautos. O que fui antes da minha morte não vos pode valer. Passo após passo, vou-me aproximando do meu destino. As piores lesões são as queimaduras que desfiguram rostos. Há pequenos fogos um pouco por todo o lado. Vi roupas incendiarem-se nos corpos dos seus donos. As folhas de papel arderam também. E, claro, a pele. Vidros partidos espalhados por todo o lado. Perdi por completo o uso da audição. Nunca mais vou poder ouvir o riso da minha esposa. Ridículo! Mesmo que os meus ouvidos ainda funcionassem, não irei de escutar mais que gritos e choro. Tanto entulho. Um corpo em convulsões com numerosos pedaços de vidro espetados na face. Os que tiveram uma morte instantânea foram os mais afortunados. Sinto as pernas a fraquejar. Não posso parar, nem desistir. Uma eternidade de descanso me espera em breve. Os edifícios ruíram. Foram obliterados. Humanos foram projectados contra os objectos. E objectos foram projectados contra humanos. Sem distinção. Sem piedade. Partiram-se em vários pedaços. Quebraram-se. Foram os mais afortunados. Outros ficaram soterrados. Não consegui ouvir os gritos deles, mas consigo imaginá-los. E não pude fazer nada por eles. Ninguém pode. Eu não posso fazer nada por ninguém. Mas há uma coisa que tenho de fazer. Sinto líquido quente na boca. Cuspo sangue. Não interessa, estou morto. Vejo um par de pernas debaixo de um monte de entulho. Há uma viatura enfiada numa casa. Há um corpo esmagado entre a parede e o automóvel. Estou a chegar à minha rua. Aqui nem todas as casas ruíram. Há um grupo de pessoas que tenta ajudar outra. Ingénuos. Não vêem o vento? É tarde demais. Não interessa, somos todos cadáveres, só que alguns ainda não sabem disso. Eu sei. Há umas horas atrás, se me perguntassem se tinha medo da morte, eu afirmaria, sem hesitar, que sim. Mas isso foi antes de eu morrer. Agora, a morte é a melhor coisa que me poderia acontecer. E não vai tardar que aconteça. A luz. A grande luz. Não vi a grande luz. Gostaria de ter visto a grande luz. Tudo teria sido mais fácil. Mais imediato. Pensei nos meus dois filhos. A esta hora já deveriam estar em casa. Horas. Um morto não conta horas. O tempo deixou de existir. Estes são apenas instantes com os quais fui amaldiçoado. A casa ainda está de pé. Bem, quase toda. O pátio foi esmagado e a varanda arrancada. Já não tem janelas. As forças faltam-me. Sou cada vez mais cadáver. Somos todos. Entrei pela porta escancarada. Atravesso o corredor devastado. Não preciso de procurar, sei que estão na cozinha. Ao atravessar o vão, vejo que estava certo. Já nada me pode surpreender. O que foi o meu amor em vida olha-me e um sorriso trespassa-lhe o rosto. O meu coração contrai-se. Por favor, não tornes tudo mais difícil. Ela está sentada no chão e abraça a minha filha. As queimaduras de ambas são extensas. Há lágrimas. Vejo que sofrem. Claro que compreendem o que aconteceu. Quem poderia não compreender? O mais novo está no chão. Respira com dificuldade. Um pedaço de madeira alojou-se no ventre. Há compressas embebidas em líquido sobre a mesa. Tentativas fúteis. Ela diz-me algo. E a mais pequena também. Não quero lembrar-me do nome dela. Não quero lembrar do nome de ninguém. Não respondo. A minha expressão mantêm-se. Uma expressão de morto. Um morto que aceita aquilo que é. Eles ainda não aceitaram. Não pensei que fosse tão difícil. No entanto, é a coisa certa a fazer. Será que não compreendem? Os olhares dizem-me que não. Os lábios movem-se de novo. Não entendo, não quero entender. Não respondo. A brisa que outrora nos acariciou a pele molesta-nos a cada momento. Maldito vento. Amaldiçoada luz. Infeliz momento em nascemos. Não vale a pena esperar mais. Meto a mão dentro do casaco e empunho a arma. Sou recebido com um olhar de surpresa e medo. Um disparo. Ela cai com a cara desfeita. A garota começa a gritar. Outro disparo. Uma mancha de sangue, ossos, massa encefálica e cabelos espalha-se pelo chão. Mais um disparo. O mais novo deixou de sofrer. Desde a grande luz não passou mais de um instante. Encosto a arma à têmpora. Sou um homem morto.



O nosso muito obrigada a Pedro Cipriano! Que tenha um futuro repleto de sucessos!

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Resultado do Passatempo "O Caderno Vermelho", Pedro Cipriano

Chegou ao fim o nosso passatempo, e portanto está na altura de revelar quem vai receber em casa o livro de Pedro Cipriano, oferecido pelo autor!


Tivemos 63 participações individuais, sendo que 55 foram válidas.
O sorteio foi realizado via random.org, que ditou que o vencedor é...



Parabéns Tânia Rute Duarte Machado!
Receberá em breve um e-mail da nossa parte. Desejamos-lhe uma boa viagem literária! :)


A todos os que participaram, muito obrigada, e esperamos que continuem a tentar! Nunca se sabe quando será a vossa vez de vencer!

Boas viagens,

Bloguinhas

domingo, 18 de janeiro de 2015

Pensamento do Dia


 Só a nós mesmos podemos ser leais

Pedro Cipriano, in O Caderno Vermelho

Passatempo "O Caderno Vermelho", Pedro Cipriano (#13)

Pois é, o fim-de-semana com o Pedro Cipriano está quase a acabar, e isso quer dizer que temos mais um passatempo! Um leitor sortudo irá ter a oportunidade de ler "O Caderno Vermelho". Se leram a entrevista ao autor e a opinião ao seu livro, decerto ficaram curiosos com a sua obra.


As participações são válidas até ao dia 8 de Fevereiro de 2015. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo do autor.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. O vencedor será determinado pela aleatorização das participações válidas.
5. Neste passatempo apenas serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.



sábado, 17 de janeiro de 2015

Pensamento do Dia




Aos hábitos estamos presos
Sem surgir vontade de mudar
Aos vícios sempre indefesos
Sem força para os controlar

Pedro Cipriano, in O Caderno Vermelho

Opinião - "O Caderno Vermelho", Pedro Cipriano

Sinopse:

“Ao iniciar a viagem, o neófito nada entende, pois não consegue ver. Está cego e não o sabe. Os símbolos em que está imerso são como um livro, só o pode ler quem o souber decifrar. O conteúdo só está acessível a quem tem vontade e uma mente aberta. A abertura de horizontes não é um processo reversível. Não é possível voltar a dormir depois de se ter acordado completamente, assim como não é possível voltar ao ventre materno depois de nascer. Esta não é uma iniciação a uma ordem secreta, nem a nenhum clube de eleitos. É uma iniciação ao mundo real.”



Opinião - Rosana

Para começar, tenho de agradecer a duas pessoas: ao Pedro Cipriano que gentilmente me cedeu o seu livro para leitura e opinião, e ao Fiacha, uma vez que foi através dele que conheci o Pedro Cipriano! E esta é uma das grandes vantagens da blogosfera. Se, por um lado, damos a conhecer as obras que lemos aos nossos leitores, por outro através da comunicação e trabalho entre bloggers conseguimos o mesmo!

Posto isto, “O Caderno Vermelho” é um livro de poesia muito pequenino :). Não tenho por hábito (falha minha) ler poesia, no entanto, é um aspecto que gostava de corrigir. Como tal, não me sinto com grandes habilitações e competências para avaliar esta obra no que diz respeito à técnica necessária na escrita de poesia, pelo que aqui vou deixar apenas a minha opinião sincera do que esta leitura me proporcionou.

Basta olharmos para capa para percebermos que nem tudo o que parece é. Estamos perante um livro com uma capa verde cujo título é “O Caderno Vermelho”. E esta é, sem dúvida, uma boa forma de dar início à obra. Como diz a sinopse, com a obra, Pedro Cipriano quer que o neófito abra os olhos, que comece a ver e a entender aquilo que vai para além do óbvio nesta pequena viagem de 46 páginas.

Mas o que retrata esta viagem? Esta viagem retrata toda a nossa vida, e quando digo nossa, não falo individualmente mas de algo que nos engloba a todos. Na verdade, ao longo desta obra o leitor é alertado para tudo aquilo que o rodeia e para tudo aquilo de que faz parte, o nosso país e esta sociedade tão caricata em que vivemos.

Apesar de pequenino, foi um livro que me proporcionou uma agradável leitura e reflexão, abrindo-me ainda mais os olhos para esta nossa realidade. Assim sendo, penso que Pedro Cipriano conseguiu cumprir o seu principal objectivo. 




 Opinião - Tomé

Começo por agradecer ao escritor Pedro Cipriano por gentilmente ter cedido um exemplar da sua obra. Infelizmente, a minha opinião sobre este Caderno Vermelho, título peculiarmente antagónico com o verde esperançoso da capa, não é muito favorável. 

A verdade é que a crítica a esta coletânea de poemas poderá ser, em grande parte, enviesada pela poesia que costumo ler. Como já disse por aqui, para mim, a poesia é apenas a força que move o mundo. Há dias em que a vejo por todo o lado, que a ouço no inaudível som do universo que harmoniosamente embala os fios que nos unem. E embora passe horas em busca de novos nomes neste género literário, acabo sempre por me perder ao ler Pessoa, Florbela, O’neill e demais almas nesse espectro de talento. 

Assim sendo, a simplicidade da escrita de Pedro Cipriano, não dando grande margem para erros também não traz em si nada de sublime, pelo que não me cativou minimamente e tornou morosa a leitura deste pequeno volume. 

A ausência de pontuação, ainda que possivelmente uma opção calculada pelo autor, não foi bem conseguida porque senti falta de um ou outro ponto final, uma ou outra vírgula, que dessem mais expressividade e dramatismo a alguns momentos. 

Para quem gosta de poesia crua, simples e linear não deve deixar de ler O Caderno Vermelho. Vão encontrar uma escrita muito limpa, apropriada à frieza da temática abordada, é certo, mas com uma completa ausência de musicalidade, com rimas pobres e com uma mancha gráfica totalmente negligenciada. 

Apesar de todos estes aspectos negativos, tenho de salientar o corajoso propósito do livro, que tenta acordar a consciência do leitor para os problemas da sociedade em que (sobre)vivemos. Agradou-me também a estrutura pensada, dividida em três coerentes partes – Defeitos, Enganos e Esperança – cada qual com doze poemas com relação com o respectivo da parte precedente. 

É nos apresentado, por um lado, o fundo do poço – os Defeitos da sociedade –, por outro, a utopia que acreditamos estar próximos de alcançar e as ilusões que nos deixam cegar, por ser mais fácil ignorar que resolver – os Enganos – e por fim, um meio-termo, a Esperança num amanhã melhor, dentro do limite do possível, construído primeiramente a partir daquilo que somos. 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pensamento do Dia

Liberdade

É tida como garantida
Mas dada só à parte pequena
Podendo só ser usufruída
Até às cercas do sistema

Pedro Cipriano, in O Caderno Vermelho

Posso Perguntar? Posso? - com Pedro Cipriano





Sobre o autor:

Pedro Cipriano gosta de escrever de tudo um pouco. É difícil definir o género literário no qual se encaixa mais, uma vez que escreve desde ficção histórica a policiais, passando por ficção científica até ensaios. Faz parte do grupo Fantasy & Co e fundou a Editorial Divergência. Profissionalmente tem doutoramento em Física experimental e dedica-se a tempo inteiro à editora, à escrita e às artes marciais.




Entrevista:

Quando é que começou a escrever?

A minha primeira tentativa séria foi em 2008, um policial que ainda está na gaveta, espero que não por muito tempo. Chamo-lhe tentativa séria porque foi o primeiro livro que realmente terminei. A minha primeira experiência foi aos sete ou oito anos de idade, com uma espécie de peça de teatro com os elementos meteorológicos: o Sol, as Nuvens, a Chuva, etc.

Qual é o primeiro livro que se recorda de ler?

Não me recordo muito bem do título, nem da história para além de que envolvia um burro. Era um livro de aprendizagem de leitura com um um burro desenhado numa capa azul. O que me faz recordar é facto de o ter roubado da biblioteca para ler no fim-de-semana. Isto aconteceu na escola primária e eu devia ter uns sete anos. A dita biblioteca ainda não estava em funcionamento mas os livros estavam na prateleira e eu meti um na mala na sexta-feira e devolvi na segunda-feira sem ninguém dar de conta. Ainda não estava ao corrente do procedimento de empréstimo.

Qual é o próximo livro na sua lista de leitura?

Tenho na minha mesa de cabeceira Anna Karenina de Leão Tolstoi. Ainda estou a arranjar coragem para me atirar a ele de cabeça. Entretanto ando a ler outros mais pequenos.

Quais são os seus livros preferidos? E autores?

O escritor que admiro ao ponto de adquirir todos os seus livros é o Ken Follett, ele consegue prender o leitor desde a primeira linha. Outro autor que gosto bastante é Frank Herbert com a famosa saga Duna. Adoro O Senhor dos Anéis, Guerra dos Tronos e His Dark Materials. No campo português, admiro bastante Fernando Pessoa, Miguel Torga, Álvaro Magalhães, João Aguiar e José Saramago.

Qual a melhor companhia para um livro? Um café, a praia, o quentinho do sofá?

Eu gosto muito de chá verde. Ajuda a aguentar certas noites em que não consegui pousar certos livros. Sou capaz de ler em todo o lado, seja na praia, no autocarro, comboio ou sofá. Conhecem melhor companhia para uma viagem de avião de três horas, quem ninguém nos obriga a desligar nem fica sem bateria?

Que autores influenciaram a sua escrita?

O escritor que mais influenciou a minha escrita foi Ken Follet. Foi ao ler o livro Mundo Sem Fim que eu decidi que queria conseguir contar histórias como ele. Frank Herbert é outra das minhas grandes inspirações, para além de uma história muito interessante e de um universo de uma complexidade surpreendentes, carrega também uma mensagem importante. Os clássicos são também uma fonte de ideias que nem sempre estão desactualizadas ou que necessitam de ser recuperadas e reinterpretadas.

O que o inspirou ao escrever O Caderno Vermelho?

Arrisco-me a dar a resposta mais cliché de sempre: foi o mundo. Passo a explicar, foi o estado em que está o mundo. Falo de tema actuais e bastantes pertinentes, os quais não consegui guardar só para mim. Ao inicio não pensei que estava a escrever um livro, os poemas foram saindo até eu me aperceber que já tinha uns quantos e decidir fazer um livro deles, dando-lhe uma estrutura coerente. 

Como tem sido a reacção dos leitores ao seu livro?

Eu acho que está a ser boa. As críticas tem sido bastante positivas, em especial se tivermos em conta o facto de ser o meu primeiro livro. Cerca de uma em cada sete pessoas que comprou o livro classificou-o ou fez uma crítica. Não podia esperar uma reacção melhor.

Já alguma vez se deparou com alguém a ler O Caderno Vermelho por exemplo num transporte público ou outro local? Como se sentiu?

Ainda não aconteceu, mas gostava. Este acho ser o grande problema das edições de autor, são difíceis de fazer chegar ao grande publico.

Quando escreve vai mostrando a alguém ou só no final pede opinião? E quem é a primeira pessoa a quem mostra o seu trabalho?

Normalmente prefiro só mostrar no fim, de preferência depois de uma revisão da minha parte. Prefiro ter a certeza que estou a mostrar algo com um mínimo de qualidade, se bem que as primeiras versões são bastante diferentes do produto final. No caso do Caderno Vermelho mostrei alguns dos poemas a alguns colegas escritores antes de ter terminado o livro.

Pensa apostar apenas na escrita de poesia ou abrir portas para outro tipo de livros?

Prefiro escrever romances e contos à poesia. De momento estou a apostar em duas vertentes que me cativam mais: ficção especulativa e policiais. Tenho vários projectos desses géneros à espera de tempo para serem concretizados ou concluídos.

Considera que se aposta nos autores portugueses, que as editoras tem deixado escapar ou que não dão a devida atenção e visibilidade a bons livros escritos por pessoas menos conhecidas?

Desde 2013 que estou envolvido na Editorial Divergência, uma pequena editora que aposta em exclusivo nos escritores portugueses. Estando do outro lado da barricada posso dizer que há bons autores que não são publicados porque os seus géneros não são comerciais. Há editoras de nicho, como por exemplo a Saída de Emergência, que têm dificuldades em manter segmentos menos comerciais. É um problema que afecta todos os negócios, é preciso que um certo produto tenha compradores para poder existir. Portanto, da minha parte como autor e editor considero que o mercado não está preparado para sustentar esses autores e por isso é que eles não são publicados. Excluindo o caso das vanities, para um livro ver a luz do dia é preciso um escritor com qualidade, um editor com visão e um publico que lhe seja fiel.

O que diria a alguém que se estiver a iniciar como autor? 

Não há uma receita de escritor instantâneo. O mais importante para se ser escritor é querer ser escritor e trabalhar para isso. Tem um quê de inspiração, mas também muito de formação, prática e aprendizagem. Um escritor deveria escrever/rever todos os dias. Gosto de tomar o Stephen King como exemplo de quem se comprometeu com a escrita com resultados notáveis. De certo que o The Shining ficou na memória de todos os que leram o livros ou viram o filme, ou não? O Stephen escreve todos os dias 2000 palavras e depois passa o resto do dia a fazer o que lhe apetece, com isso consegue viver da escrita.

Quais são os seus projectos para o futuro?

Estou de momento a rever um romance de aprendizagem chamado A Menina dos Doces. A vida académica reserva muitas surpresas a Mariana. Entre as novas amigas e um possível namorado, a maior reviravolta é a existência de uma falecida prima, chamada Liliana, cuja memória foi ostracizada pela família. À medida que os pais se escondem em mentiras e abusos de autoridade, Mariana vai conhecendo Liliana através das cartas e do diário que ela deixou. Foi um livro que escrevi durante o Nanowrimo de 2012. É um manuscrito que trato com algum carinho, já que algumas das situações descritas aconteceram pessoas que me são próximas e acontecem todos os dias a pessoas que vós rodeiam sem quem a maioria dê de conta. Aborda temas como a negligência parental, sexualidade, morte e pressão de grupos.

Agradecemos ao Pedro por se ter disponibilizado para esta entrevista, assim como por nos ter cedido um exemplar do seu livro! Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

Um Fim de Semana com ...

Neste mês de Janeiro, vamos poder contar com a companhia de mais um escritor português: Pedro Cipriano, autor do livro O Caderno Vermelho.

E porque nunca é demais dizer, fiquem atentos ao longo deste fim-de-semana, ao qual daremos início ainda hoje com a publicação da entrevista com o autor!