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sábado, 17 de setembro de 2022

Opinião "Lydia", Pedro Belo Clara

 

Opinião 

Não lia há já bastante tempo um livro de Poesia, pelo que me senti um pouco enferrujada ao percorrer as páginas de Lydia - Livro II, de Pedro Belo Clara, a quem muito agradeço por partilhar comigo as suas obras. 

Dito isto, ao fim de alguns poemas encontrava-me já embalada pela voz melíflua de um eu poético em constante agonia, numa ânsia de eternizar o presente, perante a certa finitude de tudo o que nos rodeia e de nós mesmos - tudo em breve adormecerá,/ sonhando a branca glória/ que um dia lhes deu vida.

Mais uma vez, tal como aconteceu nas obras prévias do autor, senti que os poemas cantam quase em uníssono a mensagem que o poeta quer transmitir, é por isso uma obra de alguma forma circular e que não se distancia muito das suas antecessoras. Ficando ao critério do leitor se esse é um aspecto positivo ou não. Eu não consegui decidir. Por um lado, gosto da coerência, da uniformidade da poesia deste autor mas, por outro lado, há alguma redundância nos seus trabalhos. Apesar disso, este segundo volume de Lydia pareceu-me mais triste e fatalista e menos entusiasta em cantar o fervor do Amor que o volume anterior.

A escrita do Pedro Belo Clara permanece límpida e ao mesmo tempo inebriante, transportando-nos para uma lugar idílico, uma pintura bucólica com o som dos riachos e a brisa estival a envolverem-nos numa experiência plena. A leitura de Lydia deixou-me entregue a uma melancolia doce que me serviu de companhia a um fim de tarde de Agosto.

🌟🌟🌟

 
 
Podem ler a minha opinião de Lydia Livro I aqui

Caso queiras comprar o livro, podes usar os nossos links de afiliados:
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Afiliados Bertrand

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Passatempo de Natal 2019 - Chiado Editora

Com o apoio da Chiado Editora temos o livro Os Contos Impossíveis, de Tiago Moita, para vos oferecer! 

Sinopse

O que tem em comum um pintor aluado, um quadro vazio, um transatlântico em apuros, uma estátua viva e o sexo dos anjos com uma lágrima numa sala? Apenas o facto de fazerem parte de uma colectânea de dez contos, escritos por Tiago Moita, onde o autor cruza a ironia com o absurdo, o real com o transcendente, o surreal com o assombro e o imprevisto com o impossível, como se todos eles fizessem parte de um todo chamado Vida e revelassem os aspectos mais belos e negros da Arte, do Universo e da condição humana.

a Rafflecopter giveaway

As participações são válidas até ao dia de Reis a 6 de Janeiro de 2020Leiam atentamente as regras de participação. Os vencedores serão contactados por email. 

Regras de Participação:
1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blogue Bloguinhas Paradise.
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página de Facebook da Chiado Editora.
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 1 entrada extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.
9. Nem o blog nem as editoras se responsabilizam por eventuais extravios. 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

domingo, 10 de março de 2019

Opinião "Os Contos dos Irmãos Grimm", Irmãos Grimm & Tiago Azevedo


Sinopse

"Neste livro serão imersos no mundo mágico de dez obras primas dos Irmãos Grimm ilustradas pela minha interpretação dessa magia.

Gostaria que iniciassem este livro como quem começa uma odisseia, com a mente aberta para uma fabulosa aventura que vos levará a lugares inexplorados e revelará antigos ensinamentos sobre a vida e nuances da nossa maravilhosa existência."

Sobre o ilustrador

" Tiago Azevedo nasceu a 9 de Abril de 1985 em Angra do Heroísmo, Portugal. É um pintor e arquitecto que reside actualmente na Alemanha. A pintura sempre foi a sua inspiração e isto fez com que seguisse os seus sonhos e a tornasse numa carreira. Participou em inúmeras exposições por todo o mundo incluindo Paris, Nova Yorque e Roma onde adquiriu o respeito do público e críticos de arte internacionais. A sua inspiração é derivada da religião e fantasia incluindo os contos dos Irmãos Grimm. O Barroco é também uma influencia pelo seu forte contraste e dramatismo. A pintura clássica a óleo fascina-o, o que é claro no seu estilo que combina os conceitos contemporâneos do Surrealismo Pop com as técnicas clássicas dos grandes mestres do mundo da arte."

Mais informações Aqui.

Opinião

Começo por agradecer à Chiado Editora por me ter enviado este lindíssimo exemplar que junta os clássicos contos dos irmãos Grimm às belíssimas ilustrações do artista Tiago Azevedo.

É simplesmente delicioso e visualmente fascinante percorrer as páginas deste livro e imergir no mundo mágico dos irmãos Grimm. Dispenso-me de quaisquer comentários aos contos pois são de um valor literário inquestionável e ocupam, certamente, um lugar nas estantes da grande maioria dos nossos leitores.

O livro contem dez obras primas que fizeram parte das viagens da minha infância e por isso é para mim uma obra com um significado muito especial. Deixo-vos algumas das encantadoras ilustrações para que vos levem ao mundo dos sonhos, onde a segunda-feira é um dia muito mais distante que o dia a seguir ao Domingo. 


Capuchino Vermelho
A Bela Adormecida

Opinião "A Ilha Misteriosa da Imaginação", Pedro Garcia e Raquel Nunes


Sinopse

Inspirado numa brincadeira, motivado por um concurso (que não ganhamos), criado por dois amadores e escrito à distância, este livro é exemplo de que com esforço, amor e dedicação tudo se consegue.

Esta é uma história que se passa numa ilha especial, onde tudo o que se possa imaginar existe lá. Nesta ilha vivem criaturas/animais nunca antes vistas, todas elas tão diferentes entre si que, por não saberem estar juntas, decidem viver sozinhas, até ao dia em que algo estranho acontece…Um terrível vulcão de sopa acordou e toda a ilha corre perigo. A Fada Labidenti (protetora da ilha) dá a difícil missão aos animais de salvar a ilha. Mas haverão regras, e se as cumprirem, além de salvar a ilha, poderão ainda ser surpreendidos com um tesouro de valor inestimável.

Conseguirão a Carboleta, o Macacão, o Gatifinho e o Girafão deixar as suas diferenças de lado e juntos ultrapassar os desafios que os esperam? Conseguirão encontrar o tesouro e salvar a ilha? Entra nesta aventura e desvenda os mistérios da Ilha da Imaginação.

Sobre os Autores


Pedro Garcia

Pedro Garcia nasceu a 23 de Dezembro de 1987, é vendedor, e vive em Lisboa. É curioso, gosta de descobrir coisas novas e sonha dar a volta ao mundo. 

Raquel Nunes

Raquel Nunes nasceu a 4 de Março de 1995, na Ilha Terceira (Açores), e vive atualmente em Lisboa. É estudante de Psicologia, mas desde pequena que gosta de ler e escrever, tendo participado em alguns concursos literários, como: "Uma Aventura...Literária 2007" e "Uma mulher, personagem literária" no ano letivo 2012/2013, tendo sido as suas obras distinguidas, respetivamente, com uma Menção Honrosa e o prémio de 2° lugar. Além disso, adora desporto e pratica Voleibol.



Raquel e Pedro são namorados desde 2015. Em 2017, participaram juntos num concurso literário com esta história e, apesar de não terem sido os vencedores, não desistiram. Ao lutar por este objetivo, vêem agora publicado o seu primeiro livro: "A Ilha Misteriosa da Imaginação", e acreditam que vale sempre a pena lutar pelos nossos objetivos, mesmo que isso não seja uma tarefa fácil.

Opinião

Começo por agradecer à Chiado Editora por fazer chegar até mim este pequeno livro infantil, mas que procura passar aos mais pequenos uma grande mensagem. Numa palavra, é um livro sobre Amizade. Os autores levam-nos numa viagem até uma ilha onde peculiares personagens, muito diferentes entre si, descobrem que a união faz a força, que a Amizade nos permite chegar mais longe do que quando percorremos sozinhos os acidentados caminhos da vida, que as diferenças nem sempre são obstáculos e que os nossos maiores tesouros são aqueles guardados dentro da nossa jaula costal. 

A Ilha Misteriosa da Imaginação é um livro simples, uma óptima leitura para um Domingo à tarde com os mais pequenos ou para uma aventura antes do sono chegar. 

Li na minha infância incontáveis histórias que me levavam para outros mundos, nascendo assim muito cedo o meu gosto pelos livros, ficava sempre felicíssima quando em épocas festivas me ofereciam livros, pois para mim o que me ofereciam eram amigos e viagens.

Assim, ainda que não seja esta obra um clássico dos irmãos Grimm ou um Pincipezinho de Saint-Exupéry é uma óptima sugestão de presente para os pequeninos que tiverem aí por casa e que merecem um miminho por terem comido a sopa toda!  


domingo, 16 de dezembro de 2018

Passatempo de Natal 2018 – "Os Contos dos Irmãos Grimm", Tiago Azevedo

A Chiado Editora festeja este Natal com o Bloguinhas Paradise e tem para vos oferecer Os Contos dos Irmãos Grimm, um belíssimo livro que fará as delícias dos mais pequenos (e não só)!

Poderão ler em breve a opinião no Blog, e encontrar mais informações aqui.

 



As participações são válidas de 16 de Dezembro de 2018 até 16 de Janeiro de 2019 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo do autor.

Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Colocar "gosto" na página do Facebook da Chiado Editora
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.

Boa sorte,

Bloguinhas

Passatempo Natal 2018 – "Lydia", de Pedro Belo Clara

O autor Pedro Belo Clara cedeu gentilmente um exemplar do seu novo livro - Lydia - para comemorar com os nossos leitores este Natal!

Podem encontrar a opinião da Tomé publicada no blog.



As participações são válidas de 16 de Dezembro de 2018 até 16 de Janeiro de 2019 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo do autor.


Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Colocar "gosto" na página do Facebook da Pedro Belo Clara.
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.

Boa sorte,

Bloguinhas

sábado, 24 de novembro de 2018

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Pensamento do Dia


Nada detemos, amor.
Somos poeira na estrada do tempo.

Pedro Belo Clara,  Lydia

Opinião "Lydia" , Pedro Belo Clara

Opinião


Pedro Belo Clara mantém-se em Lydia, a sua mais recente obra, fiel ao seu percurso, continuando a ser o Poeta do Amor, que se deu a conhecer nas suas criações prévias. 

Embalado num epicurismo estival, não tão comedido e sem limitações à felicidade como o epicurismo triste de Ricardo Reis, o Poeta busca a felicidade apenas conseguida pela consumação do Amor, Porque só o Amor é salvação, só o Amor é capaz de fazer a noite morrer. 

Uma ténue linha temporal deixa transparecer o passar das estações, e o Carpe Diem, enaltecido nas temperaturas mais amenas, vai dando lugar à tranquila sabedoria da inevitabilidade da chegada do Inverno, à consciência da finitude e da inexorável passagem do tempo, mas ressalvando sempre que há momentos que podem ser eternizados: bebamos o eterno emergindo/da fugacidade lenta/de todos os instantes

Lydia é uma obra coesa, os poemas que a constituem, arestas de um lapidado diamante, fazem brilhar Lydia como se de um único poema se trata-se. Apesar disso, e tal como senti em Quando as manhãs eram flor, há uma grande proximidade entre as obras do autor, os seus poemas poderiam vaguear entre os seus livros sem que nos apercebêssemos de que ali não pertenciam. No entanto, percebo que possa ser um contínuo pretendido pelo escritor, todavia não poderia deixar de reparar nas evidentes semelhanças. 

Nada há a apontar à escrita de Belo Clara que nos habituou à voz principesca e romântica do seu eu poético, há neste livro versos de inigualável beleza, que nos embalam numa embriagante sinestesia. 

Termino agradecendo ao Pedro que mais uma vez me proporcionou uma leitura de fim de tarde maravilhosa e que me deixou ansiosa pelo Livro II de Lydia. Agradeço-lhe também que Lydia nos faça relembrar que podemos acordar de mãos vazias, vendo murchas todas as flores cujo perfume nos inebriou nas estações quentes, mas haverá sempre um recomeço, uma Nova Estação.


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Novidade - Lydia, Pedro Belo Clara

No início do mês de Outubro, Pedro Belo Clara, apresentou Lydia , o seu novo livro, publicado pela Chiado Editora.

É com grande alegria que as Bloguinhas trazem esta notícia, pois os nossos leitores mais atentos sabem que este Poeta tem um lugar especial neste nosso cantinho!

Sobre o autor

"Pedro Belo Clara nasceu na cidade de Cesário Verde e de Pessoa, duas das suas primeiras influências, no ano de 1986.

Participou em exposições de pintura como poeta convidado, em diversas colectâneas de poesia contemporânea e dirigiu, junto de escolas secundárias e de outros grupos interessados, conversas informais sobre a obra de alguns poetas portugueses.

Como colaborador de revistas e blogues literários, portugueses e brasileiros, pela sua actualidade e frequência destacam-se as seguintes publicações: SubVersa, 7Faces e Letras in.verso e re.verso.

É autor dos blogues Recortes do Real, Uma Luz a Oriente e The Beating of a Celtic Heart.

O presente trabalho é o sétimo que edita desde a sua estreia em 2010."

Chiado Editora

Sobre a obra

Para mais informações aceder Aqui.
Publicações no Blog relativas ao Autor e suas obras aceder Aqui.



Em breve opinião no Blog!

domingo, 4 de março de 2018

Passatempo "Quando as manhãs eram flor", Pedro Belo Clara (#39)

Provavelmente já perceberam que a Tomé é uma fã de Pedro Belo Clara, e depois de lerem a opinião sobre a sua nova obra, ficaram cheios de vontade de a ler... Pois bem, como já é costume nos nossos fins de semana de autor, um dos nossos leitores terá a obra a chegar-lhe a casa!


Sinopse:

«Os portões abrem-se de par em par, obedecendo ao firme impulso das mãos secas de manhãs. Estilhaçam-se com o esforço, num esgar mudo de pele rasgada, as heras que envidraçavam o lugar de abandono, cedendo a uma pressão tão faminta quanto essa ânsia animal de romper a virgindade do que foi bebido.

A rugosidade das pedras batidas por passos de cautela semeia poeiras subtis, os líquenes das superfícies abertas à erosão (de tempo ou gente?) cintilam numa estranha melodia de musgo fendido na quentura duma luz que não há.

Os lugares têm uma sonoridade própria. Cada recanto, cada cheiro, cada ausência rendida à invasão solar. A morte do vivido é velada por profundos silêncios.»




As participações são válidas até ao dia 31 de Março de 2018 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo da autora.

Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Colocar "gosto" na página do Facebook da Pedro Belo Clara.
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.


Boa sorte,

Bloguinhas

sábado, 3 de março de 2018

Posso Perguntar? Posso? - com Pedro Belo Clara

Sobre o autor: 

"Pedro Belo Clara nasceu em Lisboa, no ano de 1986. Desde que se dedicou com maior afinco à criação literária, participou com poemas de sua autoria em exposições de pintura, em diversas colectâneas de poesia contemporânea organizadas por editoras de renome e dirigiu, quando convidado, junto de escolas secundárias e doutros grupos interessados, conversas informais sobre a obra de certos autores portugueses dos séculos XIX e XX. Como colaborador de revistas e blogues literários, tanto portugueses como brasileiros, pela sua actualidade e frequência destacam-se as seguintes participações: SubVersa, 7Faces e Letras in.verso e re.verso. É autor dos blogues Recortes do Real e Uma Luz a Oriente. O presente trabalho [Quando as Manhãs eram Flor] é o quarto título que edita sob a chancela da Chiado Editora."


Entrevista:

Quando é que começou a escrever? E o que a fez começar a escrever?

O meu começo está ligado à música, curiosamente. Os primeiros poemas que escrevi, todos eles rimados, eram na verdade canções, palavras que juntava às melodias muito rudimentares e experimentais que de improviso inventava com a minha guitarra. Foi durante o processo de aprendizagem desse instrumento que o início se deu. Quando dei por mim estava a escrever poemas, só palavras, sem melodia no apoio, além daquela que se exalava dos versos escritos. Foi na realidade um fruto que cresceu de uma jornada de expansão, uma descoberta de possíveis talentos e desenvolvimento dos mesmos, mas de um modo muito natural e livre, aquele através do qual colhia (e ainda colho) maior felicidade, também porque me permitia escapar ao ritmo académico que então ameaça assoberbar-me. Acima de tudo, fazia o que fazia por paixão ao acto em si, ainda que tudo fosse, como antes referi, uma experiência, uma descoberta. O grande impulsionador, contudo, e apesar do que já contei, foi talvez as dores de um amor adolescente, raiz de grande parte dessas canções e dos primeiros poemas, aliadas às diversas circunstâncias da vida académica de então. Teria uns dezasseis anos, quase dezassete, quando tudo se deu, e pensamentos como o término do liceu e que caminhos seguir depois disso surgiam, obviamente. A pré-disposição já existia, essas circunstâncias apenas deram substância à expressão. Devo no entanto acrescentar que um pouco antes já me divertia, em conjunto com alguns amigos, a alterar as letras de canções existentes, e à época em voga, dando-lhes um toque satírico e irónico. Versávamos sobre assuntos vários, nomeadamente aqueles que então se consideravam tabu e que os adolescentes, sempre rebeldes, gostam de abordar pelo carácter provocatório dos mesmos. Mas não passavam de brincadeiras sadias. No entanto, o prazer de ficar a sós com uma caneta e folha branca surgiu aí, mesmo que não o tivesse compreendido desde logo.

Qual o primeiro livro que se recorda de ler? E o próximo na lista?

Desde tenra idade que me oferecem livros, mesmo antes de saber ler. Lembro-me de os ver na estante, livros próprios para a idade de então, e de algum familiar mais próximo mos ler. Lembro-me de livros com personagens da Disney, alguns clássicos de sempre como o “Capuchinho Vermelho” e as fábulas de Esopo e La Fontaine, lembro-me dos livros da Anita, onde aprendi a ler, curiosamente, e de alguma banda desenhada, com as Tartarugas Ninja, Lucky Luke e Astérix & Obélix à cabeça dos favoritos. Esse até foi o género que comecei a ler por iniciativa própria, mais tarde. Não era então muito dado a outras leituras… Até dizia que não gostava de ler. Mas apenas porque andava a insistir nos livros errados, como vim depois a descobrir… Tudo mudou quando encontrei a poesia, anos depois.

O próximo da lista? Bem, isso até para mim será surpresa… Não faço grandes contas aos livros que leio, tampouco planos. Dou sempre primazia à liberdade e à espontaneidade, mas se por ventura programar quatro leituras diferentes para um determinado mês, sou daqueles que quando o período estabelecido termina ainda tem para ler… cinco livros. Ou seja, mais do que quando começou. Pois facilmente compro outros além dos que já estou a ler, deixando-os “em espera” se um qualquer enfado por ventura se instalar. Mas depois vem outro, e outro, e outro… Livros na estante, livros na mesa de apoio, livros na cadeira… Enfim, é uma grande confusão. No entanto, sem contar com a releitura que de momento estou a fazer do grande clássico “A Ilha do Tesouro”, de Stevenson, creio que continuarei com o Nobel Ishiguro. “O Gigante Enterrado” foi uma experiência muito agradável, e quero ainda mergulhar n’ “Os Despojos do Dia”, cujo filme até já vi. Será esse ou “A Luz da Ásia”, do Edwin Arnold. Já o tenho há algumas semanas e pouco mais fiz que folheá-lo. 

Quais os seus livros preferidos e autores?

Existem três poetas portugueses que, além de terem marcado de forma mais duradoura e indelével o meu trabalho, por este ou outro motivo, ainda vigoram no meu topo de preferências e são leituras, ou melhor, releituras recorrentes. Desde logo, o grande Eugénio de Andrade. Mas também Sophia de Mello Breyner e António Ramos Rosa. Dos dois primeiros, curiosamente, sempre senti maior atracção pelos livros nascidos na primavera das suas carreiras. De Eugénio, por exemplo, livros como “As Mãos e os Frutos”, “O Coração do Dia” e “Ostinato Rigore” ainda me merecem um carinho muito especial. Embora o “Matéria Solar”, de que agora me lembro, “Branco no Branco” e “O Outro Nome da Terra”, livros mais maduros, sejam igualmente excelentes escolhas. Com Sophia passa-se o mesmo: “Coral” e “Dia do Mar” poderiam ser os meus destaques. Já Ramos Rosa tem um efeito contrário, é curioso. A minha preferência recai para os livros da sua maioridade, digamos assim. O último que editou, por exemplo, “Numa Folha, Leve e Livre”. É claro que existem outros autores que vamos lendo, dos quais vamos recebendo uma certa influência de pensamento ou discurso quando em contacto com a sua essência, mas que num determinado momento, seja por que motivo for, começamos por deixá-los de parte. Pessoalmente, autores como T.S. Eliot, Walt Whitman, Ruy Belo, José Agostinho Baptista e outros, tiveram esse tempo de maior influência e até de interesse. Ainda que os estime, não tenho sentido grande apelo para releituras ou para a descoberta do que ficou por experienciar. Certas leituras têm o seu tempo, a sua lógica, a sua justiça. Ainda que nem sempre saibamos porquê. De alguns anos para cá, tenho explorado bastante a literatura oriental, nomeadamente a sua poesia, um gosto que ainda perdura nos dias de hoje – ou não tivesse criado um blogue, de seu nome “Uma Luz a Oriente”, com o intuito de o partilhar com todos os que se interessem por tal. Dentro desse universo, nomes como Bashô, Li Bai, Kabir ou Rumi são referências obrigatórias. 

Pelo que já afirmei, compreende-se que tenho maior inclinação para a poesia do que, por exemplo, para o romance. Mas é óbvio que dentro do estilo existem autores cujos livros muito me cativaram. Steinbeck, Hemingway (os contos, em especial), Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, Hesse, Tagore (e este ainda produziu bastante poesia), o próprio Thoreau, num outro registo… Enfim, ainda são alguns. Mas todos estão claramente dentro do círculo das minhas maiores preferências. 

Qual a melhor companhia para um livro? O café, a praia, o quentinho do sofá?

Apesar da maioria das minhas leituras ter, como a epígrafe de um livro de Bashô, o gosto solitário do orvalho, partilhar o silêncio da leitura com alguém que amamos é de um conforto íntimo imenso. Mas na verdade ambas as situações são belas a seu modo, e justificam-se quando se proporcionam as devidas circunstâncias. Leio bastante na cama, antes de dormir, mas das hipóteses que enumerou terei de dizer… café, claro! Mas pouco movimentado, preferencialmente. Embora o sítio favorito seja o jardim, ou um sossegado parque urbano, rodeado pelas flores, árvores e pássaros que povoam muitos dos meus poemas. E não será por acaso, visto que muitos nascem em cenários assim. Quanto maior envolvência natural, melhor. Se não existir a possibilidade de um contacto mais profundo com a natureza, então um jardim ou um parque citadino fará as vezes da preferência principal. A praia também oferece uma grande disposição para a leitura, é verdade, mas o ambiente envolvente em regra propicia outras actividades. Não costumo ler na praia, definitivamente. O sofá… Bem, quando a chuva impossibilita a ida ao jardim ou até à esplanada de um café, o sofá surge como uma esplêndida hipótese! Com uma chávena de café feito em casa, como é de preceito. Sabe bem nas alturas e condições certas, mas não supera um banco de jardim ou a generosa sombra de uma árvore gentil. Nunca sabemos quando virá um simpático verdilhão espreitar a nossa leitura ou uma borboleta nos saudar com as suas vivas cores. Que maravilha haverá maior que essa?



O Poeta é um fingidor” ou quem escreve Poesia vive muito aquilo que escreve? É o poeta um ser em constante desalento e conflito?

Já me colocaram essa questão diversas vezes, sabia? Só não sei se a resposta tem variado muito… Ainda a creio sólida na sua essência mais íntima. Bem, no meu universo poético não me direi fingidor. Pelo menos no sentido de “fingir completamente a dor que deveras se sente”. Não é essa a minha abordagem. Mas admito um certo “fingimento” dentro da genuinidade do acto criativo. Parece paradoxal, tanto que a própria metáfora, sempre presente nas minhas linhas, pode servir de capa enganadora, mas não o creio intencional. Talvez até não seja fingimento, mas um disfarce inocente. É que da realidade apreendida e vivida facilmente se cria uma outra, a poética. Não direi que seja um mundo de evasão, uma fantasia desenhada para satisfazer desejos íntimos, apenas um plano que surge da própria criação poética. Mas ainda há muito de verdade naquilo que aí se pinta. No meu último trabalho, por exemplo, “Quando as Manhãs Eram Flor”, os leitores poderão considerar a figura feminina que pela sua ausência se faz presente alguém que me foi próximo e com quem tanto partilhei, e isto em termos de vida pessoal. Não estará errado, mas não é totalmente certo. Aqui sim, entrará o tal aspecto de “fingidor”, mas repito: não é em mim intencional. Essa figura não corresponde a ninguém na vida real, é apenas um rosto ao qual vários se colam, uma espécie de personagem-tipo, se preferir. A poesia nasce porque antes foi vivida, nem que tenha sido em pensamento. Mas mesmo esse teve de se basear numa qualquer experiência real para poder se extrapolar para os domínios da imaginação. Dentro disto, não me vejo em constante desalento e conflito, como creio que muitos poetas estiveram e estarão. Antes de mais, em termos de realidade pessoal, volto a sublinhar, é o poeta um ser de constante exigência, naturalmente direcionada para o seu trabalho, fruto de um esforço de lapidação, de depuração de essências e melodias, de apuro de brilho. Mas esse é o meu trilho, ou seja, o modo como a minha natureza se expressa por meio do exercício poético, embora a poesia, como cerne e extensões daí resultantes, esteja envolta em tantos mistérios…

É a Poesia o parente pobre e mal compreendido da literatura? 

Sim, é. E porque muitos indivíduos, por pouco entendimento, assim a julgam. Por ser mal compreendida torna-se o parente mais ostracizado da longa e ilustre família a que pertence. Obviamente, não a considero um parente pobre, muito pelo contrário: é das formas mais apuradas de literatura. Bem, poderíamos estar aqui a discutir os conceitos de Poesia e Literatura, mas esse é um assunto que dá azo a uma grande divagação. Falo somente, como é natural, do meu modo de os entender e, sobretudo, de os viver em primeira mão. Portanto, a poesia é pouco compreendida, e porque existe desânimo nos primeiros passos desse caminho, logo se a rotula de difícil, de coisa estranha, de experiência a evitar. A solução para isto reside nas escolas, a meu ver, onde a leitura poderia ser melhor educada. Explorar mais os autores e os poemas, as emoções e pensamentos neles contidas, os gritos surdos aí disfarçados, as celebrações que em parcas linhas se exaltam… Mais do que aspectos gramaticais ou outros traços técnicos, que de facto detêm a sua importância mas não serão determinantes, há que saber abrir uma mão e guiar o jovem leitor nessa aventura de mergulhar no coração de um poeta. Claro, como em tudo existem gostos pessoais. Se alguém não aprecia sopa de tomate, de nada vale tentar instigar-lhe o gosto. Mas muitos caem no julgamento fácil, muitas vezes graças a más experiências escolares. É disso que falo, e por alguma experiência pessoal, pois já assisti a algumas mudanças de opinião. A poesia pode exigir um pouco de paciência e determinação; é importante aprender a estar disponível para ela. Será um óptimo começo. Então, tornar-se-á cada vez mais claro que o importante nem é compreendê-la… Mas sim vivê-la. 

O que o inspirou a escrever Quando as manhãs eram flor? 

Nunca sei, objectivamente, quando irei escrever um novo livro. Escrevo, somente. Sigo a espontaneidade do acto, desde o mistério de onde a palavra brota ao seu dedicado arranjo. Nesse processo, que como se vê é bem mais do que meramente um exercício de registar palavras, algo se vai exalando, agitando, implorando uma justa manifestação. No fluir dessa corrente vou observando diversas cores e melodias, e é com base nisso que saberei quando um novo trabalho começa ou não. Portanto, não é algo propriamente premeditado, mas sim, ao nível do impulso, espontâneo, e por isso autêntico, genuíno. Foi o que aconteceu com esse trabalho. Os primeiros poemas terão surgido, sem que o adivinhasse, em meados de 2014. Devido ao cariz que iam apresentando, pois cada poema tem a sua natureza, a sua melodia, o seu perfume, aplicando-se o mesmo para um conjunto de trinta ou quarenta, por exemplo, comecei por colocá-los de parte. Na altura, guardei-os numa pasta que tinha o nome de “Ecos”, pois eram poemas, digamos, saudosistas, que davam a conhecer ao leitor, através da sua recordação, um certo amor vivido pelo sujeito poético. Falavam de partidas, de prenúncios de despedida, de ameaças escondidas nas faldas do verão. Daí o nome inicial, em jeito de esboço: pareciam ecos de vivências passadas, querendo ser recordadas por forma a serem, por fim, expurgadas. Ou, por outras palavras, um amor antigo que requeria a aceitação de todo o sucedido para que se desse a catarse da dor remanescente. Em 2015 o âmago da obra tornou-se bem mais definido, com traços já muito próximos daqueles que hoje o livro tem. Nos princípios de 2016 surgiram os últimos, pois nesses primeiros meses senti que teria material suficiente para compilar um novo trabalho. Mas não só: deixaram de surgir poemas com perfume idêntico. Curiosamente, muitos dos primeiros “ecos” foram colocados de parte. Agora, à distância, compreende-se melhor, assim como antes referi, como vários rostos se colaram ao rosto da amada do sujeito poético e como a mera evocação de diversos episódios vividos, sempre com a ameaça da finitude no dobrar de cada curva, trouxe em si a luminosa catarse, o entendimento que, afinal, a morte é algo que não existe, somente o renascimento. O texto que encerra a obra concede essa pista ao seu leitor mais dedicado. 


É mais fácil cantar as tristezas ou as alegrias?

Direi as alegrias, pois da fonte donde jorram é natural que canções nasçam. Então tudo se resume a uma melodia composta, muitas vezes extravasando a própria palavra que tenta defini-la ou simplesmente indicá-la. O problema das tristezas é a exposição que acarretam. Quem escreve expõe-se, invariavelmente. Poderá esconder-se nas capas do fingimento, mas quantas vezes não tem a máscara a forma do próprio rosto? Ademais, há ainda a questão de enfrentar o caso, a raiz da tristeza. Mergulhar fundo na dor, na dúvida, na fragilidade requer um coração afoito. Contudo, o meu exemplo não se encaixa no sentido da pergunta. A questão da exposição, assim creio, já a ultrapassei há algum tempo. Nas primeiras rimas que esbocei, aquelas que tinham acordes de guitarra por companhia, houve claramente esse travão. Dar a conhecer o nosso estado de espírito por esse meio, a princípio, requer alguma coragem. Com o tempo a sensação foi passando, pois fui retirando cada vez mais o foco no outro e a colocá-lo em mim. Não era tanto “o que o outro irá pensar?”, mas sim “o que quero eu dizer?”. É claro que há coisas que guardo para mim, mas se tal acontece não é pelo desejo de simplesmente as guardar, protegendo a intimidade num ímpeto receoso, é por não surgir qualquer impulso digno para registar tais pensamentos ou sensações no papel. Nem sempre o poema é confessional, embora nas entrelinhas muito se possa adivinhar. Acima de tudo, foi sendo meu intento firmar a genuinidade, a fidelidade à minha voz, a partir do momento em que a fui conhecendo. Se ela canta tristezas, pois que assim seja. Se forem alegrias, que de igual modo o seja. Não distingo. A facilidade que refere, no meu entender, mesmo sabendo-o subjetivo, reside na espontaneidade do primeiro gesto, no fluir do acto criativo por si só, muito antes de todas as lapidações e aprumos de que são alvo os meus poemas. A génese é limpa no seu impulso livre, e limpa em essência, pois a forma é algo que posteriormente se lima. E, sendo livre, espontâneo, genuíno… não há como ser difícil. Tenha um sol a brilhar no peito ou uma lágrima cravada na garganta.

Já alguma vez se deparou com alguém a ler algum dos seus livros? Como reagiu?

Que me tenha apercebido, nunca aconteceu. É curioso, pois no princípio, instigada por uma natural ingenuidade, essa hipotética situação visitava o meu imaginário diversas vezes: «Quando verei alguém lendo um livro meu? Terão sequer os meus livros qualidade suficiente para que ouse pensar em algo assim? Irei convidar o leitor para uma conversa breve? Que interessante seria se não me reconhecesse num primeiro momento!». Mas, que desse conta, nunca aconteceu. Nem é hipótese que me preocupe muito, hoje em dia. Se acontecer, acontece. Caso contrário, ser-me-á totalmente indiferente. O importante é que os leitores leiam, seja por gosto, interesse ou mera curiosidade. Os meus livros foram lançados ao mundo para isso mesmo. É como sempre digo: os meus livros são frutos que eu, árvore plantada na berma da estrada, ofereço a quem passa. Quem desejar esticar o braço e colher um ou vários, que o faça. E que tenha um óptimo apetite! Se desejar passar como se nada fosse… pois que assim seja. Limito-me a oferecer o melhor que sei produzir, nada mais. O resto já não é da minha responsabilidade. E sou feliz assim, nessa natural simplicidade das coisas simples – se o quiser chamar desse modo. 

Considera que se aposta devidamente nos autores portugueses ou que as editoras tem deixado escapar ou não dão a devida atenção e visibilidade a bons livros escritos por pessoas desconhecias?

Nos novos autores a aposta é muito limitada e débil. Há gente com grande talento que demora a ter a oportunidade que o seu trabalho merece. Conheço alguns exemplos. E até compreendo a posição de muitas editoras, compreendo perfeitamente o risco de publicar um autor desconhecido. Mas só se é desconhecido por não existir uma divulgação conveniente, não é assim? Daí que editoras mais corajosas escarrapachem nas capas frases de outros autores mais conhecidos e incluam nos livros prefácios ou posfácios de nomes mais sonantes, de modo a tranquilizar o leitor que se depara com um autor ainda desconhecido. Existem também círculos muito fechados, onde certos indivíduos de renome parecem ter lugar cativo, editem ou não uma possível obra-prima. Esses nem precisam de o fazer, na realidade; o nome já garante vendas. O trabalho de “fazer nome”, para quem o desejar, é bastante árduo. E refiro-me a um percurso limpo e justo, nada de saltaricos sobre curvas e as cabeças (e livros) de outros que partilham a estrada com eles. Daí que tenham surgido nos últimos anos diversas editoras direccionadas para os chamados “jovens autores”, ou autores ainda desconhecidos. Mas nesse caso há que pagar pela edição do livro, gesto que, aliás, é muito comum, eu creio, hoje em dia, e por vezes até com boas hipóteses de retorno, há que dizê-lo. Ou seja, grande parte do que se edita é pago pelos autores, chegue ou não às grandes livrarias. Esse é outro problema: as grandes cadeias só aceitam em regra encomendas do livro editado nessas condições por uma chancela do tipo, nada de presença em escaparates. Portanto, o livro é editado e lançado em evento público, mas em termos de maior divulgação deixam quase sempre muito a desejar. Existem até cláusulas contratuais que só enganam os inocentes, dado as promessas que firmam, mas que na realidade traduzem-se em metas muito difíceis de alcançar, principalmente pela falha na divulgação. Claro que nenhuma editora pode obrigar o livreiro a expor o livro, mas sobre esse tema pouco mais sugerem do que realizar novos lançamentos. Se o autor tem poucos contactos e não é conhecido… de que lhe vale? Há também que ter em conta o seguinte: algumas dessas chancelas editam de tudo, desde que se lhes pague, o que diminui claramente o valor da sua imagem junto dos grandes livreiros, o maior meio de distribuição. Um autor jovem, e menos avisado, pode perfeitamente cair num lugar que não merece e sofrer pela reputação de quem o representa. Mesmo que tenha produzido um livro belíssimo. Se se ganha um prémio de relevo, o caso muda de figura. Se se possui contactos privilegiados também. Caso contrário, é um trilho muito duro e solitário, de insistência contínua. Mas quem disse que do mais rude chão não pode brotar a mais bela das flores? 

Quais são os seus projectos para o futuro?

Tenho o meu próximo livro praticamente pronto. Quer dizer, para a fase em que se encontra, uma vez que não passa de um manuscrito revisto, estará pronto. Será mais um trabalho de poesia, e de cariz lírico, embora diversos desenvolvimentos nele se introduzam. Julgo que será notória a diferença para com os que o antecederam. De momento encontro-me em conversações com várias editoras no intuito de encontrar a melhor proposta de edição. Andamos sempre em busca de melhores condições, como compreenderá. Por agora, é isto. Não antevejo grandes novidades para breve, antes um longo caminho a ser trilhado. Mas tudo no seu tempo. A pressa não é sombra que me aflija. 

Agradecemos ao Pedro Belo Clara por se ter disponibilizado para responder a esta entrevista.
Desejamos-lhe as maiores felicidades e sucesso!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Opinião "Quando as manhãs eram flor", Pedro Belo Clara

Sinopse

«Os portões abrem-se de par em par, obedecendo ao firme impulso das mãos secas de manhãs. Estilhaçam-se com o esforço, num esgar mudo de pele rasgada, as heras que envidraçavam o lugar de abandono, cedendo a uma pressão tão faminta quanto essa ânsia animal de romper a virgindade do que foi bebido.
A rugosidade das pedras batidas por passos de cautela semeia poeiras subtis, os líquenes das superfícies abertas à erosão (de tempo ou gente?) cintilam numa estranha melodia de musgo fendido na quentura duma luz que não há.
Os lugares têm uma sonoridade própria. Cada recanto, cada cheiro, cada ausência rendida à invasão solar. A morte do vivido é velada por profundos silêncios.»

Opinião

Pedro Belo Clara, autor do livro Cristal, amavelmente fez chegar até mim a sua mais recente criação, Quando as manhãs eram flor, que li de uma assentada num sôfrego e chuvoso serão.

Voltamos nesta obra a reencontrar-nos com um Poeta da Natureza, não ao estilo de Alberto Caeiro, mestre na recusa do pensar, mas um Poeta que através de um exímio bucolismo canta o Amor. Tal como em Cristal, as páginas de Quando as manhãs eram flor trazem-nos um Adeus de despedida, um hino à Saudade, é como se todo o livro fosse apenas um único poema que nos dá a conhecer o amargurado desgosto de Inverno, quando uma paixão estival assolapara o coração de ave ferida do sujeito poético. A citação inicial de Pablo Neruda resume muito bem estas cerca de noventa páginas Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Senti que o autor nos contava a sua história, o que não é vulgar num livro de poesia, quase como se de uma narrativa em prosa se tratasse e pudéssemos acompanhar os amantes sentados à margem de um rio, que tanto trazia esperanças como levava mágoas, e com eles pudéssemos ver passar as estações do ano, intimamente relacionadas com ambiente psicológico do sujeito poético.

A escrita mantém-se fiel ao autor, o que para mim é um aspecto muito positivo, começar a ler um poema e saber de imediato a quem pertence, e Pedro Belo Clara tem uma deliciosa forma de escrever, tão esmerada e visual que me faz estar constantemente de sorriso hasteado como se o próprio Mr. Darcy saltasse das páginas de Jane Austen e me viesse sussurrar ao ouvido.

Quando as manhãs eram flor está dividido em quatro partes – tantas quantas as estações do ano – mas se em Cristal a divisão me parecia muito consistente aqui não me convenceu e tive alguma dificuldade em delimitar fronteiras entre os capítulos que justificassem a divisão. Além disso, o facto dos capítulos I e IV serem escritos em prosa poética confere à obra uma heterogeneidade que, pessoalmente, não creio que tenha trazido nenhum acrescento.

Apesar de estar repleto de poemas lindíssimos, enquanto obra creio que Quando as manhãs eram flor ainda ficou muito próxima do livro anterior. Tenho ainda de deixar o aviso que não é uma leitura fácil, exige alguma dedicação, podendo tornar-se cansativo sempre que não consigam decifrar em pleno a mensagem do autor.

Por fim, o livro encerra com um texto de prosa poética, todo ele uma metáfora ao fim e ao recomeço das relações e que serve para nos lembrar que Por morrer uma andorinha / Não acaba a primavera.

Termino agradecendo ao Pedro por partilhar comigo este seu livro e por me trazer à lembrança que temos essa imensa capacidade de cicatrizar, que podemos sofrer a nostalgia de recordar Quando as manhãs eram flor mas que inevitavelmente O coração inflama-se de vida. Por tantas tormentas se pensou condenado ao sono dos mutilados.



Podem ler a minha opinião do livro Cristal Aqui.

domingo, 14 de maio de 2017

Vencedores Passatempos de Aniversário

Chegou o tão antecipado momento - passamos a revelar os vencedores dos nossos passatempos de aniversário. Muito obrigada a todos os participantes e às editoras que tanto têm enriquecido este projecto!


Chiado Editora

Raquel Lima Luísa Mano Brandão André Silva Berta Vinagre


Editorial Presença

Fátima Valente


Saída de Emergência

Ana Marques Alexandra Guimarães


Penguin Random House

Ana Machado Margarida Serrano


Marcador Editora

Patrícia Gil
Silvana Martins
Raquel Lima
Dália Antunes
Arnaldo Santos
Regina Filipe
Milú Reis
Ana Machado
Alexandra Guimarães

Porto Editora

Catarina Pa Emília Silva



Todos receberão em breve um e-mail da nossa parte. Desejamos-lhes uma boa viagem literária! :)

A todos os que participaram, muito obrigada, e esperamos que continuem a tentar! Nunca se sabe quando será a vossa vez de vencer!

Boas viagens,

Bloguinhas


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Passatempo de Aniversário - Chiado Editora

Começamos em grande com quatro livros para quatro vencedores - digam lá se os nossos amigos na Chiado Editora não estão uns mãos-largas? 

    



Para mais informações, pode clicar sobre a capa de cada livro!

As participações são válidas até ao dia 30 de Abril de 2017 às 23h59. Leiam atentamente as regras de participação. O vencedor será contactado por email. O envio do livro está a cargo da editora.

Regras de Participação:

1. Apenas será permitida uma participação por pessoa/email.
2. Para participar é obrigatório ser seguidor do blog Bloguinhas Paradise. 
3. Para participar é obrigatório colocar "gosto" na página do Facebook de Bloguinhas Paradise.
4. Colocar "gosto" na página do Facebook da Chiado Editora.
5. Cada participante pode conseguir 2 entradas extra partilhando este post numa rede social à escolha, em modo público.
6. Cada participante pode conseguir 1 entrada extra tornando-se seguidor da página do Instagram do Bloguinhas Paradise.
7. O vencedor será determinado aleatoriamente.
8. Neste passatempo são aceites apenas participações de residentes em Portugal.

a Rafflecopter giveaway

Boa sorte,

Bloguinhas

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Passatempo de Aniversário - 3 Anos de Bloguinhas Paradise!

Chegou a altura de revelarmos uma das surpresas que estavam prometidas...


Aniversário significa festa, e nós já estamos em contagem decrescente! Como tal, até lá temos um livro por dia para oferecer! 


Mas não se preocupem, que apesar de termos estes passatempos todos a começar, vão ter muito tempo para participar - terminam todos no fim do mês de Abril. Quem não gosta de prolongar uma boa festa? ;)



Como sempre, contamos com a colaboração de alguns dos nossos parceiros e apoios, sem os quais não seria possível muito do que é feito neste blogue. Muito obrigada a todos, por nós e pelos nossos leitores!








Portanto, não se esqueçam de voltar amanhã para o primeiro passatempo!

Boas viagens,
Bloguinhas