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segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Opinião "Cem Anos de Solidão", Gabriel García Márquez

Sinopse

Podem ler a sinopse aqui.



Opinião 

Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, encontrava-se a embelezar-se de pó, desde há vários anos, na minha estante. Sempre me fugia a motivação para ler esta obra quando me diziam que tinha muitas personagens e muitas delas com o mesmo nome.

Assim que foi anunciada a série homónima da Netflix, decidi que era o momento ideal para conhecer a família Buendía. Parti para esta leitura com as expectivas muito elevadas, por ser um livro muito recomendado e inclusive que já me havia sido recomendado por pessoas próximas. Depois de me demorar um mês com Cem Anos de Solidão tenho de confessar que a minha experiência de leitura foi aborrecida e uma desilusão. Esta que é uma obra adorada por tantos leitores fez-me cair no sono várias vezes depois de algumas páginas de tédio.

Cem anos de Solidão envolve-nos numa estranha narrativa que nos dá conhecer a família Buendía durante várias gerações. Apesar de não acontecer propriamente nenhuma grande intriga, vamos acompanhando, com dificuldade, a passagem frenética do tempos que arrasta consigo amores, mortes e nascimentos. Não consegui sentir ligação a nenhuma das personagens, talvez porque a verdadeira personagem seja a própria família, e porque é fácil nos distrairmos e confundirmos as personalidades e relações.

A fabulosa aventura da família Buendía está robustamente pincelada daquilo a que os entendidos chamam de realismo mágico, sendo uma das obras que surge como exemplo dessa corrente, a realidade é reconhecível mas transfigurada pelo imaginário, o que sinceramente acabou por tornar o livro menos monótono e revelou a capacidade imaginitava de Gabriel García Márquez.

Adorei, no entanto, o final deste livro, e as grandes mensagens que sinuosamente são deixadas ao leitor, como o facto de não podermos fugir à repetição dos erros a cada geração e que o tempo não é um constructo finito e estanque. A maneira como o autor aborda de alguma forma os flagelos da América Latina num livro duma dimsensão tao esotérica foi também algo que me agradou.

A escrita deste Nobel da Literatura foi um dos motivos para não desistir deste livro e que me faz querer ler outros livros dele, mas de facto este não me convenceu. 


🌟🌟🌟

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terça-feira, 21 de abril de 2020

Opinião "Cem Anos de Solidão", Gabriel Garcia Marquez

Sinopse:

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.» Com estas palavras - tão célebres já como as palavras iniciais do Dom Quixote ou de À Procura do Tempo Perdido - começam estes Cem Anos de Solidão, obra-prima da literatura contemporânea, traduzida em todas as línguas do mundo, que consagrou definitivamente Gabriel García Marquez como um dos maiores escritores do nosso tempo. A fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán com os seus milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações são a representação ao mesmo tempo do mito e da história, da tragédia e do amor do mundo inteiro.” 


Opinião: 

Foi com grande curiosidade que enveredei na leitura de mais um clássico da literatura. Considerado o livro preferido de muita gente, as expectativas eram grandes. E, a verdade, é que apesar disso não desiludiu! 

Cem Anos de Solidão é um livro brilhantemente escrito! Talvez o clássico que mais me prendeu à leitura, sem nunca me ter maçado a escrita pesada muitas vezes associada a este género literário. Trata-se da descrição pura de várias gerações de uma família, descrição essa usando algo que nunca havia visto – o realismo mágico. Fiquei com imensa curiosidade de experimentar leituras do mesmo género e de me debruçar sobre livros aos quais nunca antes tinha pensado dar oportunidade. 

A narrativa desenrola-se numa cidade denominada Macondo, cuja localização exacta desconhecemos, e a cada virar de página acompanhamos a evolução da cidade, dos costumes e do conhecimento. Por outro lado, acompanhamos também de perto o destino de todos os membros da família Buendia – uma família muito sui generis, sendo responsável pelo título da obra – Cem Anos de Solidão – cem anos em personagens, pessoas, que apesar das suas vidas diferentes, carregam consigo o destino e o fardo que é a solidão! 

Sempre tive receio relativamente à leitura de clássicos, de poesia, de livros diferentes – o receio de não compreender o propósito da obra, a sua lição. No entanto, quanto comecei esta obra, um amigo disse-me “a interpretação é de cada um; talvez nem sempre haja algo para interpretar; o que importa é aquilo que cada livro faz sentir a cada um, e isso não tem de ser igual”. Talvez esta seja a chave para a leitura deste tipo de livros. Em Cem Anos de Solidão não vemos em momento algum comentários / sugestões de interpretação por parte do autor, ficando essa função exclusivamente para nós – leitores. E penso que esta obra tem inúmeras interpretações, lições, ensinamentos para o leitor! É impossível absorver a sua mensagem numa só vez!

Ficou a vontade de conhecer melhor a nossa história, a guerra por que passamos e o seu impacto neste que é o nosso país. Ficou a vontade de perceber mais sobre política, o que move as inúmeras decisões e opiniões partidárias. Ficou a vontade de saber mais sobre a religião, e o seu impacto naquilo que foi o nosso passado e naquilo que é o nosso presente. Ficou a vontade de dar uma oportunidade à psicologia e de compreender os efeitos de várias atitudes no estado neurológico e psicológico de alguém. Foi reforçada a importância daquilo que é a família, os sentimentos, a genética e a transmissão de tudo aquilo que trazemos connosco de geração para geração. 

Em suma, foi um livro que deixou a sua marca! Foram palavras que fizeram a diferença não só na forma de lidar com a nossa vida, mas também na forma como encarar a literatura, o conhecimento, aquilo que faz de nós quem somos hoje – o nosso passado, o nosso presente e quiçá o nosso futuro! 

Não sou a bloguinha mais amante de clássicos, mas recomendo este, sem reservas, esperando que deixe também a sua marca nos seus futuros leitores! :) Uma obra a reler! :)



quarta-feira, 25 de março de 2015

Pensamento do Dia


"O viúvo Xius morreu daí a dois meses. «Morreu disso», dizia o dr. Dionisio Iguarán. «Tinha mais saúde do que qualquer de nós, mas quando a gente o auscultava sentia borbotar as lágrimas dentro do coração.»"

Gabriel García Márquez, Crónica de Uma Morte Anunciada

Opinião - "Crónica de Uma Morte Anunciada", Gabriel García Márquez

Sinopse

"Vítima de denúncia falaciosa de uma mulher repudiada na noite de núpcias,o jovem Santiago Nasar foi condenado à morte pelos irmãos da sua hipotética amante,como forma de vingar publicamente a sua honra ultrajada e sob o olhar cúmplice ou impotente da população expectante de uma aldeia colombiana: é esta a história verídica que serve de base a este romance, e que, logo nas suas primeiras linhas, é enunciada.

A capacidade de Gabriel García Márquez em reconstruir um universo possuído pela nostalgia mágica e encantatória da infância e a sua genial mestria em contar histórias fazem deste romance mais uma das obras-primas que consagraram definitivamente este autor."

 

Opinião

O título desta obra é a mais perfeita descrição do assunto do qual trata. É um relato de um assassinato anunciado, uma dissecção literária de como é que um evento trágico anunciado aconteceu, por vontade de quem o quis perpetrar e por uma série de mal-entendidos e desafortunados acasos.
 
A acção decorre numa pequena terra colombiana, recheada de personagens bem ao estilo de Gabriel García Márquez, num local onde um boato corre veloz e, como tal, o plano de dois gémeos de assassinar o suposto culpado pela desonra da irmã rapidamente se torna conhecido de (quase) todos. O leitor é então levado a conhecer como é que tal acto foi concretizado, sem que ninguém efectivamente o impedisse.

A estrutura da obra faz o leitor pular de ponto de vista em ponto de vista, voltando atrás para recontar tudo de novo. No entanto, esta aparente redundância é conseguida de uma forma extremamente fluida, tornando-se, mais do que uma repetição, um revisionamento dos eventos por diversos ângulos, permitindo-nos preencher lacunas e compreender toda a história deste brutal assassinato. E, apesar de o assunto do livro ser dado a conhecer desde o seu ponto de partida, o suspense e antecipação são mantidos até ao final, mesmo depois da extensiva descrição dos ferimentos inflingidos durante o brutal assassinato.
 
As duas obras que li por Gabriel García Márquez, "Amor em Tempos de Cólera" e "Cem Anos de Solidão", ocuparam lugar entre os meus livros de eleição. E "Crónica de Uma Morte Anunciada" só veio confirmar a sua mestria, num registo diferente dos outros, mas no qual a assinatura do autor está presente a cada linha.