quarta-feira, 21 de julho de 2021

Opinião " O homicídio perfeito - um guia para boas raparigas", Holly Jackson

Sinopse


Uma investigação que se transforma numa obsessão.
Um final que ninguém pode prever.

Todos em Fairview conhecem a história. Andie Bell, a lindíssima e popular finalista de liceu, foi assassinada pelo namorado, Sal Singh, que depois se suicidou. Ninguém falava noutra coisa. Passados cinco anos, Pip percebe que a tragédia ainda assombra a cidade.
A verdade é que Pip não consegue tirar da cabeça a impressão de que aquela história não está bem contada. Era amiga de Sal desde pequenina, e ele sempre foi muito amável. Como pode ter matado Andie?
Agora que também está a terminar o liceu, Pip decide investigar o caso: será o seu trabalho de final de ano. Primeiro, ela só quer pôr em causa o resultado da investigação policial, mas depois… Depois, Pip começa a descobrir um rasto de segredos perigosos, que podem provar realmente a inocência de Sal, e a linha que divide o passado e o presente torna-se cada vez mais ténue e frágil. Há alguém em Fairview que não quer que Pip desenterre a história e procure respostas. Agora, é a vida de Pip que está em risco.


Livro «O Homicídio Perfeito», de Holly Jackson na livraria online da Presença. Desconto em todos os livros

Opinião 


Começo por agradecer à Editorial Presença a cedência de um exemplar de O homicídio perfeito - um guia para boas raparigas, de Holly Jackson, um livro que eu há já algum tempo ansiava ver traduzido para português. 

Se procuram um livro de leitura compulsiva, de mistério, acção e crime, mas sem aquele toque sombrio e muito gráfico que a maioria dos policiais para adultos tem, este livro é perfeito para um dia na praia. Como é um young adult acaba por ser mais leve apesar de ser uma investigação de homicídio. 
 
Pip, a protagonista, finalista do liceu, está a desenvolver um projecto de investigação sobre um crime cometido há 5 anos na sua localidade, isto pode parecer uma premissa cómica, como é que uma adolescente vai tentar desvendar um homicídio resolvido pela polícia? Mas a verdade é que toda a narrativa acaba por ser muito verosímil. Andie bell desapareceu há 5 anos e foi dada como morta; Sal Singh,o seu namorado da altura e que se suicidou, foi declarado culpado. Pip vê aqui muitas pontas soltas, uma investigação que não foi muito profunda, e, juntamente com o irmão de Sal , Ravi, vai entrar numa aventura arriscada. A cada página surge mais um suspeito. E se o verdadeira culpado está à solta não vai querer que uma adolescente ande a desenterrar o que não é suposto, certo? 
 
O homicídio perfeito - um guia para boas raparigas é um livro repleto de suspense e reviravoltas e que nos intriga desde a primeira página. Adorei ver a amizade entre Pip e Ravi crescer enquanto tentavam provar a inocência de Sal.
 
O livro termina com algumas pontas soltas, o que me fez pesquisar e descobrir que esta história tem mais dois volumes que aguardarei ansiosamente que a Editorial Presença traga até nós. 
 

 

domingo, 18 de julho de 2021

Opinião "Meia-Noite em Chernobyl", Adam Higginbotham

Sinopse:

"A obra amplamente premiada e que inspirou a série de sucesso da HBO.

A história definitiva do acidente de Chernobyl, baseada numa investigação profunda sobre como a propaganda, o secretismo e os mitos encobriram a verdade de um dos maiores desastres do século XX.

O dia 25 de abril de 1986 foi um ponto de viragem na História. O acidente em Chernobyl não mudou apenas a nossa perceção da energia nuclear, mas também o conhecimento da delicada ecologia do planeta. Chernobyl foi igualmente importante na destruição da URSS e, como tal, na vitória dos Estados Unidos na Guerra Fria. Para Moscovo, foi um desastre político e financeiro – provocando a bancarrota de uma economia já vacilante –, mas também ambiental e científico. Esta é a história nunca contada dos eventos que começaram no centro de controlo do reator 4 da central nuclear de Chernobyl. Depois de centenas de entrevistas, consultas de cartas, memórias inéditas e documentos só agora tornados públicos, Adam Higginbotham revela-nos os acontecimentos dramáticos daquela noite através dos olhos dos homens e mulheres que os testemunharam em primeira mão e que enfrentaram um inimigo aterrador e invisível.


Meia-Noite em Chernobyl, uma obra amplamente premiada e que inspirou a série de sucesso da HBO, mostra-nos não só as dificuldades épicas de um império a morrer, mas também o heroísmo individual e desesperado num momento transformador da História.

Opinião:

Um dos maiores desastres do nosso planeta é-nos trazido para livro por Adam Higginbottham com este “Meia noite em Chernobyl”. Neste livro, o autor relata-nos toda a sequência de eventos que resultaram na catástrofe e como as autoridades responsáveis actuaram perante toda a tragédia, bem como as consequências que daí resultaram para toda a população daquela região.

Parti para esta leitura após ter visto a série, inspirada neste livro - ”Chernobyl” -, à qual é impossível ficar indiferente. 

Para a realização deste trabalho, Adam Higginbottham efectuou uma incrível investigação, pois todo o desastre foi tratado pelo governo com o maior secretismo, até não conseguirem esconder mais o que se estava a passar e, mesmo aí, nunca foi contada toda a verdade do que estava a acontecer.

O autor vai-nos contando a história através de várias pessoas e de qual o seu papel em toda a cadeia de eventos. Desta forma, há um avançar e recuar, em partes da história, o que a torna por vezes um bocadinho confusa. É um livro bem escrito, onde nos são descritos todos os conceitos técnicos, de forma a compreendermos o que se está a passar nos reactores nucleares e para percebermos o que pode correr mal a cada instante. No entanto, estas “aulas” não são aborrecidas nem muito complexas pois apenas é dito o essencial.

Este é um livro que nos faz pensar em quão frágil é a Humanidade, em como o querer fazer tudo depressa sem olharmos às consequências pode trazer desfechos aterradores, no sacrifício que tantas pessoas fizeram para tentar ajudar a controlar a catástrofe e como tudo poderia ter sido muito pior.


sábado, 17 de julho de 2021

Opinião "A Morte de Ivan Ilitch", Lev Tolstoi

 
 

Sinopse

Aclamada como uma das maiores obras-primas sobre a temática da morte, esta é a história de Ivan Ilitch, um juiz respeitado que, apercebendo-se da morte próxima, se interroga sobre as suas escolhas, percurso de vida e a mentira em que vive.

Opinião

Ainda não me tinha aventurado na literatura russa e decidi começar por este pequeno grande livro, A Morte de Ivan Ilitch, uma leitura cinco estrelas, um daqueles livros que se tornam instantaneamente livros da vida e que sabemos que vamos reler sempre que precisarmos.

A Morte de Ivan Ilitch debruça-se, como o título indica, sobre a morte do protagonista, um homem comum, que adoece e percebe que está a morrer. Esta curta narrativa faz-nos reflectir sobre a nossa finitude, a nossa mortalidade, que apesar de ser tão comum e inevitável é como se a ignorássemos, e quando confrontados com ela o choque é avassalador.

Toda a sua vida, Ivan viveu de acordo com o que era suposto, sem grandes excessos, e só perante a morte equaciona o sentido da sua vida, parecendo-lhe que as boas recordações são apenas aquelas que remontam à sua infância. A sua relação com os outros é algo distante o que se exacerba com o aproximar do seu fim. Na verdade morremos sozinhos, mesmo que as pessoas que nos rodeiam nos apoiem, a derradeira caminhada pertence apenas ao moribundo, sozinho nesse caminho e sozinho a pensar nos porquês, porquê tanto sofrimento para um fim inexorável.

A Morte de Ivan Ilitch,
apesar de ser um livro breve, é carregado de uma profundidade que nos atinge como uma lança e nos desperta para a consciencialização de que vamos morrer, e do quão absurdo isso nos parece embora o natural seja morrermos.

“Chorou pelo seu desamparo, pela sua horrível solidão, pela crueldade dos homens, pela crueldade de Deus, pela ausência de Deus.” 
 

 


sábado, 26 de junho de 2021

Opinião "A Filha do Irlandês", V. S. Alexander


 Sinopse

Irlanda, 1845. Para Briana Walsh, nenhum lugar se compara a Carrowteige, no condado de Mayo, com os seus campos verdejantes e penhascos rochosos com vista sobre o Atlântico. As pequenas quintas que cercam a centenária Lear House são administradas pelo seu pai, feitor do rico e imprudente Sir Thomas Blakely. Os rendeiros vendem a aveia e o centeio que cultivam para pagar a renda a Sir Thomas, sobrevivendo com as batatas que florescem nos restantes pedaços de terra.

Mas quando a produção de batata é assolada por uma praga devastadora, as famílias que Briana conheceu durante toda a vida ficam sem comida, sem recursos e à mercê do impiedoso proprietário, que parece indiferente a tudo exceto ao lucro. Rory Caulfield, o jovem camponês com quem Briana espera casar, partilha do desespero dos rendeiros — e da sua raiva. Fala-se de represálias violentas contra a nobreza insensível e os seus representantes. A tensão religiosa é também palpável, e ninguém parece saber em quem confiar.

Com a fome e as doenças a alastrarem pelo país, matando e deslocando milhões, Briana sabe que deve encontrar uma maneira de guiar a sua família por um dos momentos mais sombrios da Irlanda — em direção à esperança, ao amor e a um novo recomeço.

Opinião

A Irlanda é uma das minhas viagens de sonho e por isso sou atraída por livros e filmes que tenham esse país como pano de fundo. Assim, perante este título e esta capa, não consegui resistir! Agradeço à Saída de Emergência por me terem cedido um exemplar de A Filha do Irlandês para partilhar convosco a minha opinião!

A Filha do Irlandês é um Romance Histórico que acompanha uma família Irlandesa durante a praga que atingiu as plantações de batata, motivando a grande fome. Nunca tinha lido sobre este período sombrio da História da Irlanda e gostei muito do trabalho do autor, que consegue criar um ambiente de desespero, em que conseguimos ouvir os gritos e o choro dos famintos.

Briana Walsh, a protagonista, tenta guiar a sua família com força e determinação, sem nunca perder a esperança, e gostei muito dela por isso mesmo e pela sua relação com as outras personagens, o seu grande amor Rory, a sua irmã Lucinda e o seu pai Brian Walsh.

Recomendo este livro aos amantes de Romances Históricos, mas alerto-vos para uma certa lentidão da narrativa, mas no global foi uma leitura de que gostei muito e passava o dia a pensar em chegar a casa para ler mais um bocadinho e descobrir se Briana conseguiria salvar a sua família.

A Filha do Irlandês é uma história de resiliência e procura de um novo começo quando as nossas circunstâncias o exigem. Briana e a sua família tiveram de se reinventar face às adversidades, mostrando-nos que é possível sobreviver às mais extremas condições se mantivermos o foco e apoiarmos-nos no amor de quem nos rodeia.
 


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Opinião "Siddhartha", Hermann Hesse

Sinopse

Siddhartha, filho de um brâmane, nasceu na Índia no século VI a.C. Passa a infância e a juventude isolado das misérias do mundo, gozando uma existência calma e contemplativa. A certa altura, porém, abdica da vida luxuosa, protegida, e parte em peregrinação pelo país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra. Na sua longa viagem existencial, Siddhartha experimenta de tudo, usufruindo tanto as maravilhas do sexo, quanto o jejum absoluto. Entre os intensos prazeres e as privações extremas, termina por descobrir «o caminho do meio», libertando-se dos apelos dos sentidos e encontrando a paz interior. Em páginas de rara beleza, Siddhartha descreve sensações e impressões como raramente se consegue. Lê-lo é deixar-se fluir como o rio onde Siddhartha aprende que o importante é saber escutar com perfeição.

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Opinião

Parti para esta leitura com grandes expectativas, acreditei tratar-se de um livro life-changing, adorado por aqueles que abraçam crises existenciais todas as segundas-feiras quando toca o despertador. Mas, embora a temática seja do meu agrado, Siddhartha não me conquistou, gostei mas não adorei.

Siddhartha, o protagonista, nasce na Índia, numa casta privilegiada. Quando adulto sente-se insatisfeito e parte à descoberta, à procura de si mesmo e do sentido da vida. Inicialmente e por vontade própria passa privações extremas, aprende a viver com a fome e com o frio para depois se deixar enlear pelo jogo e pela riqueza, vivendo anos envolto em álcool e luxúria, voltando depois à procura da sua voz interior, voltando para renascer.

Siddhartha experiência assim os extremos da vida sentindo-se sempre incompleto, terminando a sua viagem existencial percebendo que o amor, mais do que qualquer doutrina, é soberano, que devemos ouvir o nosso coração e que a paz interior é mais um equilíbrio do que a vida num extremo. Vivemos tão focados com os nossos objectivos e com a procura que somos consumidos e ficamos alheados do que realmente importa.

Siddhartha é um livro bonito pelas passagens que o preenchem. Todos nós em algum momento nos questionamos tal como o protagonista, por isso, recomendo esta leitura apesar de não ter sido tão revolucionária como eu esperava.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Opinião “Pecados Santos”, Nuno Nepomuceno

Sinopse:

Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança? 

Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu. O caso parece encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão. Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se. Estarão ou não estes acontecimentos relacionados? Poderá o docente vir a ser injustamente condenado? Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados? As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado? 

Abordando temas fraturantes da sociedade contemporânea como o antissemitismo e o conflito israelo-árabe, e inspirando-se nos Dez Mandamentos e noutros episódios marcantes do Antigo Testamento, Pecados Santos guia-nos através das ruas históricas de Londres, Lisboa e Jerusalém, numa viagem intimista e chocante sobre o que de mais negro e vil tem a condição humana.”


Opinião: 

Fui acompanhando o Nuno Nepomuceno desde o início com “O Espião Português”. E que bela estreia essa! Desde então, é certo e garantido que mais depressa ou mais devagar o Nuno é um autor português a acompanhar e irei ler todas as suas obras! 

“Pecados Santos” é o segundo livro da série Afonso Catalão. No entanto, já tinha lido “A Célula Adormecida” - o primeiro - na sua primeira edição em 2016! Começando pelo islamismo e agora passando pelo judaísmo, conseguimos perceber o quão rica e interessante acaba por ser a leitura da série. Segue-se “A Última Ceia”, com a qual estou muito curiosa! 

Tive pena por já ter lido o primeiro volume há bastante tempo, mas são livros passíveis de serem lidos de forma independente, partilhando apenas algumas das personagens e a sua história de vida (deveras importante). 

Ao longo de todas estas obras, é bastante óbvio o crescimento do autor enquanto escritor! No entanto, sinto que para este crescimento, aquela estrelinha que me conquistou na sua primeira trilogia, a parte mais humana e emocional, me tem feito alguma falta nas suas obras. Mas, mantenho a esperança de encontrar um pedacinho da “Trilogia Freelancer” nas páginas dos seus livros! 

Posto isto, falando agora de “Pecados Santos” propriamente dito! Tecnicamente e a nível da escrita nada a apontar! Assim como em "A Célula Adormecida", mas melhor, deparamos-nos nas primeiras páginas com uma grande quantidade de informação, principalmente para quem nunca se dedicou a este tipo de temáticas. No entanto, considero que esta quantidade foi bem medida nesta obra, o que a coloca em vantagem em relação ao primeiro volume. 

Como podem ler na sinopse, tudo começa com uma série de homicídios que recriam episódios bíblicos da história judaica. E ao fim de 5 livros percebo de facto a marca do Nuno - o thriller, sendo possível identificar as suas obras pela escrita e pelo seu conteúdo! Como sempre, o mistério persiste até às últimas páginas, não se tornando nunca previsível! Há livros em que conseguimos prever o final e descobrir o assassino; não é o caso dos livros do Nuno. Imprevisível não só no culpado desta série de homicídios, mas em toda a história! 

Senti apenas uma ou outra ponta solta! Uma ou outra questão que ficou por esclarecer na minha cabeça, e talvez por isso não possa dizer que o livro me arrebatou! Foi muito bom, e imprevisível, mas faltou-me algo. 

Como surpresa nesta obra, o lado mais chocante. Não estava a contar sentir o choque pelas palavras do Nuno, em momentos que quem já leu saberá identificar. 

Enfim, palavras para quê? 
Livro do Nuno Nepomuceno = Leitura obrigatória :) 

Publicado pela primeira vez em 2018, já vou um pouco atrasada :)! Infelizmente a vida nem sempre corre como gostaríamos, tendo sido o último ano um bom exemplo disso, mas felizmente teremos sempre nestas páginas, em qualquer hora, um refúgio para ela. 

Deixo aqui também os meus parabéns ao Nuno não só por tudo o que já li, mas pela sua mais recente novidade - a tradução de “A Morte do Papa” - Edição Húngara.


terça-feira, 1 de junho de 2021

Opinião "Os Filhos de Krondor - O Príncipe Herdeiro", Raymond E. Feist

Sinopse:

"Os gémeos Borric e Erland são os homens mais despreocupados do Reino das Ilhas. Mas a bem-aventurada juventude deles termina quando se preparam para suceder ao trono do seu pai, o Príncipe Arutha. Como primeira tarefa, o Príncipe envia-os no papel de embaixadores ao reino de Kesh, a mais poderosa das nações. Mas, mesmo antes de partirem, uma tentativa de assassínio a Borric, o mais velho dos irmãos, é evitada no último momento. Trata-se somente do início de uma jornada traiçoeira que levará os irmãos por caminhos separados e mortíferos – um, enquanto fugitivo, o outro, enquanto futuro rei. Agora, cada um deles deve traçar o seu próprio caminho rumo à maturidade, honra e paz, enquanto os que anseiam pela guerra se tornam cada vez mais audaciosos." 


Opinião:

Em Os Filhos de Krondor – O Príncipe Herdeiro, Arutha decide enviar os seus dois filhos mais velhos para Kesh, em representação do Rei, para o aniversário da Imperatriz. No entanto, a paz que se vive entre as duas nações é muito delicada, o que torna esta viagem incerta. 

O facto de a imperatriz já ter uma idade avançada origina vários jogos de bastidores para eleger o próximo líder o que faz com que a viagem de Borric e Erland se torne perigosa e com muitos mistérios por descobrir, não sabendo em quem confiar. 

Feist descreve-nos mais uma vez de forma detalhada e fluída esta nova cidade com uma cultura e costumes muito diferentes. 

Ao longo da narrativa, podemos ver o desenvolvimento do carácter dos irmãos, como passam de dois jovens despreocupados que se sentem invencíveis até perceberem os perigos que correm e, tendo personalidades parecidas, estas vão se alterando com os diferentes caminhos a que são sujeitos nas suas aventuras. Ao longo da jornada amadurecem, e se ao início não estavam prontos para serem líderes de uma nação, talvez no final estejam um pouco melhor preparados. 

Mais uma vez, Feist desenvolve personagens de tal forma que ficamos irremediavelmente ligados a a elas, criamos afecto. Este é o grande trunfo de Feist na sua escrita. O peculiar Nakor, o Cavaleiro Azul, e os seus “truques” é um desses exemplos. 

Este livro é um pouco diferente dos anteriores, não se focando tanto em magia, mas sim em conspirações e jogos de poder. A escrita continua muito fluída, com as todas as pormenorizações essenciais, nunca tornando a leitura chata. 

Sem dúvida um livro a ler. Segue-se “O corsário do Rei” para terminar a saga de “Os Filhos de Krondor”.