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segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Opinião "O Grande Gatsby", F. Scott Fitzgerald
Sinopse
"Considerado a obra-prima de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby tornou-se não só um clássico da literatura do século XX, como o retrato mais expressivo da «idade do jazz», em todo o seu esplendor e decadência. Jay Gatsby é o herói que personifica o materialismo obsessivo e o desencanto do pós-Primeira Guerra Mundial."
Opinião
O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, é um belíssimo clássico da literatura que mostra na perfeição que as grandes histórias não precisam de ser contadas num infindável número de palavras.
Peguei neste pequeno grande livro e sem que ele me pesasse quase nada nas mãos veio a pesar-me na alma todo o sofrimento de Gatsby. Apesar de, aquando da leitura, já conhecer as tramas deste romance, pela sua adaptação cinematográfica, a verdade é que isso não impediu que eu me emocionasse, aliás, pelo contrário, sabendo o que iria acontecer, sofri o dobro.
Nick Carraway, amigo de Gatsby e também ele uma personagem sui generis, é o narrador muitíssimo parcial e que nos dá a conhecer a fatalidade trágica em que Jay Gatsby se viu submergido. O protagonista, que se apaixona perdidamente pela encantadora e doce Daisy, é uma alma inquieta, alguém que se sonha muito além dos seus pés, que vive num tumulto constante e turbulento, mas que tenta cobrir-se com um manto de tranquilidade, deixando um rasto quase mágico de solene cordialidade e enigmatismo.
Separados durante cinco anos, Daisy refez a sua vida, porém Gatsby envergando o mesmo fervoroso sentimento por Daisy, e uma vontade inabalável de fazer repetir o passado a todo o custo, planeia ao mais doentio pormenor o tão desejado reencontro. Tudo o resto são as consequências dessa loucura, a de amar de mais, a de amar sem contenção e sem rede. Na verdade, Daisy nunca esteve à altura desse astronómico sentimento, ou melhor nunca poderia ter estado, pela sua condição ordinária, apenas contaminou Gatsby, parasitou-o, foi a “fétida poeira que pairou na esteira dos seus sonhos”.
Para mim este livro é mais que uma história de amor, é sobre algo transcendente, é, se quiserem, sobre o Amor em bruto, sobre a Alma humana. Talvez já tenham encontrado pessoas extraordinárias, pessoas incompreendidas, para quem certos conceitos, como o tempo, são abstrações irrisórias criadas pela necessidade de controlo dos vulgares e comuns mortais. Gatsby dá vida a esses seres, que conseguem construir mil vidas para a sua vida e depois a realidade escasseia em grandiosidade, e é tão-somente aquilo que é. Para almas assim é preferível deixarem-se ficar naquele engano de alma, ledo e cego (Que a fortuna não deixa durar muito), como diria o Poeta.
O estilo de F. Scott Fitzgerald faz-me lamentar que já ninguém escreva assim, assim duma maneira que nos faz sentir como se tivéssemos que ser cuidadosos ao virar as páginas para não deixarmos escapar nenhuma palavra de tão bem que ela está emaranhada no perfeito emaranhado poético e musical. É brutalmente lindíssimo ver as figuras de estilo dançarem subtilmente ao sabor da narrativa.
Não me sinto capaz de fazer qualquer crítica negativa, tudo o que eu possa não ter gostado ou não percebido advém da minha falta de capacidade de compreensão. Por exemplo, o contexto histórico ficou para mim em segundo plano, não o consegui apreciar devidamente, todavia tenho a certeza que o relato do período que se seguiu à I Guerra Mundial, pondo frente a frente a prosperidade americana e o desencanto da bonança ao som do esplendoroso Jazz dos anos 20, poderá fazer as delícias de leitores mais atentos a estas temáticas.
Sem dúvida uma obra que merece o estatuto de pertencer aos grandes romances do século XX.
Separados durante cinco anos, Daisy refez a sua vida, porém Gatsby envergando o mesmo fervoroso sentimento por Daisy, e uma vontade inabalável de fazer repetir o passado a todo o custo, planeia ao mais doentio pormenor o tão desejado reencontro. Tudo o resto são as consequências dessa loucura, a de amar de mais, a de amar sem contenção e sem rede. Na verdade, Daisy nunca esteve à altura desse astronómico sentimento, ou melhor nunca poderia ter estado, pela sua condição ordinária, apenas contaminou Gatsby, parasitou-o, foi a “fétida poeira que pairou na esteira dos seus sonhos”.
Para mim este livro é mais que uma história de amor, é sobre algo transcendente, é, se quiserem, sobre o Amor em bruto, sobre a Alma humana. Talvez já tenham encontrado pessoas extraordinárias, pessoas incompreendidas, para quem certos conceitos, como o tempo, são abstrações irrisórias criadas pela necessidade de controlo dos vulgares e comuns mortais. Gatsby dá vida a esses seres, que conseguem construir mil vidas para a sua vida e depois a realidade escasseia em grandiosidade, e é tão-somente aquilo que é. Para almas assim é preferível deixarem-se ficar naquele engano de alma, ledo e cego (Que a fortuna não deixa durar muito), como diria o Poeta.
O estilo de F. Scott Fitzgerald faz-me lamentar que já ninguém escreva assim, assim duma maneira que nos faz sentir como se tivéssemos que ser cuidadosos ao virar as páginas para não deixarmos escapar nenhuma palavra de tão bem que ela está emaranhada no perfeito emaranhado poético e musical. É brutalmente lindíssimo ver as figuras de estilo dançarem subtilmente ao sabor da narrativa.
Não me sinto capaz de fazer qualquer crítica negativa, tudo o que eu possa não ter gostado ou não percebido advém da minha falta de capacidade de compreensão. Por exemplo, o contexto histórico ficou para mim em segundo plano, não o consegui apreciar devidamente, todavia tenho a certeza que o relato do período que se seguiu à I Guerra Mundial, pondo frente a frente a prosperidade americana e o desencanto da bonança ao som do esplendoroso Jazz dos anos 20, poderá fazer as delícias de leitores mais atentos a estas temáticas.
Sem dúvida uma obra que merece o estatuto de pertencer aos grandes romances do século XX.
Podem ler a opinião da Bloguinha Rosana Aqui.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Opinião - "O Grande Gatsby", F. Scott Fitzgerald

Sinopse:
“Considerado a obra-prima de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby tornou-se não só um clássico da literatura do século XX, como o retrato mais expressivo da «idade do jazz», em todo o seu esplendor e decadência. Jay Gatsby é o herói que personifica o materialismo obsessivo e o desencanto do pós-Primeira Guerra Mundial. Esta edição de O Grande Gatsby foi traduzida e prefaciada por José Rodrigues Miguéis. Uma nova adaptação cinematográfica deste romance estreia em 2013, produzida e realizada por Baz Luhrmann e com Leonardo di Caprio no papel principal.”
Opinião:
“O Grande Gatsby” é apenas o segundo clássico que leio, e confesso que ainda não me rendi ao género, apesar de lhe reconhecer o devido valor e de continuar a tentar encontrar a magia neste género. Podiam perguntar-me: “Porque continuas a tentar?” Primeiro porque é, como disse, apenas o segundo que leio. E segundo, porque consigo levar sempre algo comigo de cada um.
Este é aquele tipo de clássico a que ninguém conseguirá ficar indiferente. E isto aplica-se quer a quem lê o livro, quer a quem vê o filme, uma vez que o filme é bastante fiel à obra que lhe deu origem. No entanto, acho que o filme ganhou neste caso ao livro, no que diz respeito à transmissão dos sentimentos. Lembro-me como se fosse hoje de sair frustrada da sala de cinema.
O filme começava, se bem me lembro, com Nick Carraway a dizer: “Gatsby era o homem mais esperançoso que conheci”. E, apesar de isto não estar explícito no livro, a verdade é que traduz em muito esta bela história.
“O Grande Gatsby” retrata não só a história de amor de Jay Gatsby e Daisy, mas também a sociedade daquele tempo que, infelizmente, se virmos bem, não é muito diferente da actual. E é com este retrato que conseguimos ver, entender e sentir o verdadeiro significado da palavra “esperança”.
Gatsby é um homem de extravagâncias. No entanto, com elas apenas tem um objectivo: atrair/reencontrar Daisy, um antigo amor. Ao mostrar-lhe aquilo que conseguiu, este mantém a esperança que Daisy volte para ele. E com isto surgem logo várias críticas à sociedade: uma sociedade onde o dinheiro é valorizado acima de tudo e, pior do que isso, onde nascer rico tem mais valor do que enriquecer por mérito.
Esta obra não é das minhas favoritas, no entanto é, sem dúvida, uma das críticas à sociedade mais bem conseguidas que já li.
"Quando te sentires com vontade de criticar alguém, lembra-te disto: nem todos tiveram neste mundo as vantagens que tu tiveste."
Deixo aqui o trailer do filme para quem ainda não tiver visto.
sábado, 28 de junho de 2014
Pensamento do Dia
"... precipitara-se de corpo inteiro naquele sonho, como toda a sua paixão criadora, acrescentando-o hora a hora, ornando-o de todas as plumas e pedrarias de cor que de caminho lhe surgiam. Não há fogo nem gelo, por imensos que sejam, que possam aceitar o repto de todos os fantasmas ocultos no coração de um homem."
F. Scott Fitzgerald
terça-feira, 24 de junho de 2014
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