Sinopse
 |
Edição: 2013
Páginas: 160
ISBN: 978-989-51-0797-1
Goodreads: mais informação aqui. |
"Charles Chaplin? Arnaldo Antunes? Rita Lee? Noel Rosa? Glauber Rocha? Tarsila do Amaral? Racionais MCs? Chico Buarque? Quentin Tarantino? Sons, quadros, letras e imagens invadem a mente de um homem que perambula durante um dia, talvez, algumas horas, talvez uma vida inteira, pela Rua Direita, no centro de São Paulo. Ele tem fome e deseja se alimentar. Durante sua busca por comida, o protagonista vê desfilar pela rua, de forma desordenada como a arquitetura da cidade de São Paulo, várias manifestações e aspectos da cultura brasileira, como o carnaval, o futebol e as injustiças sociais. A fome do personagem principal é uma referência à Antropofagia, de Oswald de Andrade. A narrativa está amarrada por uma cachoeira de citações e referências literárias, musicais, cinematográficas, artísticas e históricas, construindo uma espécie de teia sobre a qual se tece o enredo. Quem pautará o próximo passo no calçadão?"
Opinião
Gostaria, em
primeiro lugar, de agradecer a gentileza do autor, Anderson Borges Costa, que
nos cedeu um exemplar de “
Rua Direita”.
Aproveito ainda
para reiterar a minha crença de que os Prefácios deviam dar definitivamente
lugar a Posfácios, pois fui novamente surpreendida por revelações acerca da
história ainda antes de a ler e que gostava de ter descoberto por mim mesma.
Para além disso, penso que a leitura do texto de Carlos Felipe Moisés é de mais
fácil compreensão após a leitura da obra.
Fechados estes
reparos (manias minhas!), passo à verdadeira opinião sobre a obra.
 |
1905 – Desfile de Carnaval na Rua Direita.
Foto: Gustavo Machado da Costa/AE |
Para falar de “Rua
Direita”, devo dividir a obra em três partes, que marcaram também o meu ritmo
de leitura.
Numa primeira
fase, somos apresentados ao protagonista, um sem-abrigo que tem fome. Esta
simples descrição é tão completa como insuficiente, pois ninguém pode ser
reduzido a meia dúzia de palavras, nem um mero sujeito lírico como este. No
entanto, é esta fome que o guia através do labirinto em que se transforma a Rua Direita, e que cria um constante aperto no ventre do próprio leitor.
Não consegui deixar de me sentir angustiada à medida que seguia as desventuras
desta pessoa, que encerra em si um mundo de cultura e personalidade, tão
grandes quanto a sua fome.
 |
| Edifício Guinle |
Passamos então a
uma segunda parte da narrativa, em que a consciência do protagonista começa a
perder-se para um cenário de alucinações. A passagem é progressiva, mas
notória. Foi nesta fase que, confesso, a leitura começou a tornar-se mais
difícil para mim – os mesmos jogos de palavras que me cativaram ao início
começam a tornar-se mais cerrados e cansativos. O protagonista torna-se
espectador, e a narrativa parece não avançar.
Na terceira parte
há um retorno à lucidez relativa, e o protagonista ganha uma voz. Voltei a
sentir a curiosidade inicial sobre o que o destino guardava para o nosso “herói”,
se alguma vez conseguiria saciar a sua fome, até ao final do livro.
Em conclusão,
para mim a obra ganhava se fosse reduzida a parte intermédia, e não acho que isso
levasse à perda de significado. Um dos pontos que mais me agradou foi o facto
de o narrador nos conseguir fazer sofrer realmente pelo protagonista, e pela
sua condição, percebida pelos outros, de “não-humano”.
P.S. Fiquem com a bela memória de infância do protagonista, para vos transportar também para a calçada da Rua Direita.