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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Opinião "Calor Humano", Mitch Albom

 

Opinião


A Editora Sextante, do Brasil, disponibilizou recentemente, em capítulos semanais, Calor Humano de Mitch Albom, um autor que eu já conhecia e que aprecio q.b, por isso, não podia perder a oportunidade de ler mais um dos seus livros. 

Calor Humano conta-nos uma história de esperança durante a pandemia que estamos a viver. Mitch Albom apresenta-nos um conjunto de vizinhos, que poderiam ser os nossos, e que se vêem diante de uma situação sem par, que altera as suas rotinas e os põe à prova das mais variadas formas. 

Esta narrativa descreve muito bem o poder desta ameaça invisível que nos separa fisicamente, mas que também nos aproxima nos nossos medos e na nossa capacidade de ultrapassar as adversidades. Confesso que me emocionei em alguns momentos, principalmente pela proximidade com a infeliz realidade que estamos a viver. A falta de material e o cansaço das equipas médicas, o medo de sermos agentes de transmissão no seio da nossa família e a xenofobia são alguns dos temas aqui retratados de forma muito verosímil. 

A espiritualidade e a esperança, muito caros ao escritor, têm uma presença forte e tocante nesta história. Moisés, uma criança que nunca adoece, é a personificação dessa esperança que tanto precisamos. Recomendo aos fãs de Mitch Albom e a todos aqueles que quiserem uma leitura fácil e realmente muito actual!




Podem encontrar os capítulos do livro gratuitamente Aqui

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Opinião " Reencontro no Céu", Mitch Albom

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Sinopse

Eddie tinha 83 anos e muito mau feitio. O que não o impediu de sacrificar a sua vida para salvar uma menina.

Annie nunca mais foi a mesma desde esse dia. O acidente quase a matou, e embora os ferimentos tenham sarado, as cicatrizes permaneceram para sempre. Só quando reencontra Paulo, um amor de infância, é que a felicidade parece estar finalmente ao seu alcance.

Mas o Destino tem outros planos para ela… planos que incluem novamente Eddie. O velhote rezingão vai ajudá-la a compreender o significado da sua vida na Terra e a aceitar os seus erros, pois é através deles que se aprendem as maiores lições. E vai mostrar-lhe também que, por mais insignificante que ela se julgasse, a sua existência era, afinal, de uma importância tremenda.

Belo e tocante, Reencontro No Céu vem complementar As Cinco Pessoas que Encontramos no Céu na perfeição. Trata--se de uma profunda reflexão sobre a vida, plena de esperança e sabedoria.

A tão aguardada sequela de As Cinco Pessoas que Encontramos no Céu. 

Opinião  

Começo por agradecer à Leya por gentilmente ter cedido ao Bloguinhas Paradise o ebook de Reencontro no Céu, um livro que eu queria muito ler por ser a sequela de As Cinco Pessoas que Encontramos No Céu. Li este último há cerca de seis anos e ainda sinto uma calma comoção quando recordo essa leitura.

Esta sequela, apesar de ser um livro de ficção, mantém uma aura muito espiritual e inspiradora, como sucedeu com o livro anterior. Mitch Albom, mais uma vez, partilha connosco a sua perspectiva do que será o céu, um lugar diferente para cada um, por que cada um de nós teve um céu diferente na terra, um sítio onde foi imensamente feliz. Além disso, quando se chega ao céu encontramos cinco pessoas, que de alguma forma influenciaram os caminhos mais ou menos tortuosos que percorremos. Se no primeiro livro conhecemos Eddie, no seu 83º aniversário, e confrontamos-nos com a sua morte ao tentar salvar uma criança, nesta sequela conhecemos essa criança, Annie. E por isso, a falta de originalidade de argumento neste livro, porque é em tudo semelhante ao anterior, é contornada por este reencontro entre os dois protagonistas.

Annie, após o acidente, que bloqueia na sua mente, torna-se uma mulher amargurada e solitária, a infância tumultuosa deu lugar a uma adolescência na rebeldia, sempre escondendo as sequelas físicas do acidente e repudiando a mãe por aquilo que ela representava para ela, a opressão. Várias tragédias assolaram a vida de Annie até a um momento de calmaria em que a conhecemos, no dia do seu casamento com o Paulo, um amor da infância. Pensavam ambos que, como dizem, depois da tempestade vem a bonança, porém saíram da noite de núpcias directos para um desastre. Annie chega ao céu e a sua viagem começa. Uma viagem repleta de lições e sobretudo de perdão, principalmente o perdão que ela precisava para si mesma. Mitch Albom volta a procurar mostrar-nos que a nossa condição humana de seres insignificantes adquire grandeza por todas as vidas se unirem numa teia de encontros e desencontros, de alegrias e tristezas, de coincidências que nos deixariam boquiabertos se as víssemos a todas com a lucidez que o céu impõe. O que vemos nem sempre corresponde à verdade, se possuíssemos visão sobre o grande plano das coisas talvez fossemos mais tolerantes e aceitássemos as decisões dos outros, que também erram mesmo quando acreditam estar a fazer o certo.

Reitero tudo o que disse na minha opinião de As Cinco Pessoas que Encontramos No Céu, que podem ler aqui, porque de forma geral a mensagem, ou as mensagens, de ambos os livros são as mesmas.

Compreendo as críticas negativas a este livro, é de facto demasiado trágico, mas não é algo que me incomode, porque as tragédias são muitas vezes relâmpagos a cair persistentemente no mesmo local, e quem acredita no contrário esteve em poucas tempestades.

Por outro lado, também percebo que seja um livro com muitas “frases feitas” o que irritou muitos bons leitores, todavia Mitch Albom é um autor de bestsellers muito particulares e que exigem do leitor uma aceitação desde início das temáticas abordadas.

Reencontro no Céu é um livro pequeno e comovente, não me tendo tocado tanto como As Cinco Pessoas que Encontramos No Céu não deixa de ser uma leitura que recomendo, principalmente a quem leu a história de Eddie e ficou curioso com o que futuro teria reservado para Annie. 


terça-feira, 13 de maio de 2014

Opinião - "As Cinco Pessoas Que Encontramos No Céu", Mitch Albom

Sinopse

"Eddie é um veterano da Segunda Guerra Mundial que sente que a sua vida não tem qualquer sentido nem importância e lamenta o facto de não ter vivido mais intensamente. No dia do seu 83º aniversário, morre num acidente trágico ao salvar a vida de uma criança. A última coisa que sente é duas mãozinhas a segurar as suas - e depois o silêncio. É então que tudo começa. Eddie desperta no Céu. À sua espera estão cinco pessoas que, de uma forma ou outra, determinaram o percurso da sua vida. Através delas, vai descobrir as ligações invisíveis que constituíram o padrão da sua vida. Será que passou 83 anos insignificantes na Terra? Ou teria a sua vida tido afinal algum sentido?"

Opinião

A estranheza de abrir um livro que começa pelo fim e cujo título encerra uma premissa curiosa rapidamente deu lugar a um sentimento de calma introspecção e reflexão. As Cinco Pessoas Que Encontramos No Céu leva-nos com Eddie na sua derradeira viagem. Depois de morrer, no seu 83º aniversário num heróico acto ao tentar salvar uma criança, Eddie acorda no céu onde cinco pessoas o esperam e uma a uma vão-lhe desvendando como são as pequenas coisas da vida que fazem girar o mundo.

Eddie, um homem desgastado pela guerra, mergulhado em culpa e arrependimento, envelhecido pelas mágoas de uma vida aparentemente desperdiçada e preso à saudade do seu grande e único amor, Marguerite, é um homem como outro qualquer, vulgar, apanhado na necessidade rotineira de que todos somos escravos. É um homem que se deixou envelhecer num trabalho que sempre desprezou e que por tantos e tão válidos motivos deixou os sonhos que tinha para viver e limitou-se a sobreviver. Porém, Eddie lamenta profundamente naquilo em que a sua existência se tornou e desejava que a sua vida tivesse tomado um rumo diferente.

Mas, as cinco pessoas que Eddie encontra vão-lhe mostrar que, na verdade, a sua vida, como todas as outras, não foi tão em vão. E junto com Eddie vemo-nos obrigados a reflectir sobre as cinco lições que esta narrativa contempla, como são os sentimentos o que mais importa e como nunca temos todas as versões, nem todos os factos nem todas as versões dos factos. As coincidências, que transbordam no nosso dia-a-dia e que nos são vedadas porque certamente causariam em nós tamanho assombro que não seriamos capazes de as compreender, mostram nesta história, aliás nestas cinco histórias, que somos mais que o caminho solitário que percorremos e que é inimaginável a influência mútua entre nós e os outros. Há uma grande beleza em acreditar que as vidas que tocamos e as que nos tocam são fruto de um emaranhado de fios invisíveis que nos unem e que puxar um tem sempre repercussões nos outros. É como se a história de cada pessoa fosse superior a ela por não lhe pertencer em absoluto.

A organização peculiar, alternando entre as memórias de Eddie dos seus aniversários, os seus encontros no céu e o relato de quem ficou vivo e está a cuidar do seu funeral, torna esta leitura diferente, agradável, dinâmica e faz nos perceber a imensidão do tempo, de como é tão mais grandioso do que nós e que o sol nascia antes de nascermos e continuará a nascer quando partirmos.

É quase antagónica a tentativa do autor de nos mostrar que somos pequeninas peças, mas que ao mesmo tempo insubstituíveis e necessárias.

Deixem-me terminar admirando a perspectiva do céu de Mitch Albom que nos confessa na dedicatória que a versão que ele apresenta é apenas um palpite, um desejo de que Pessoas que se sentiram pouco importantes aqui na Terra - percebam, finalmente, quão importantes e amadas foram. O céu apresentasse-nos por um lado como O lugar onde fazemos com que o nosso ontem tenha sentido e por outro como um lugar que guarda a nossa mais feliz memória, aquele momento em que dissemos “pudesse eu agora parar o tempo e ficar para sempre aqui, a teu lado”.

Em última análise, questionando o verdadeiro significado da nossa existência, As Cinco Pessoas Que Encontramos No Céu tenta-nos dissuadir da procura do sentido da vida, pois é a vida o próprio sentido.

sábado, 10 de maio de 2014

Pensamento do Dia


O espírito humano sabe, bem lá no fundo, que todas as vidas se intersectam. Quando a morte leva uma pessoa, outra qualquer escapa e, na pequena distância que existe entre partir e escapar, há vidas que se alteram. 

Mitch Albom, As Cinco Pessoas Que Encontramos No Céu