sexta-feira, 8 de maio de 2020

Opinião " A Corrente", Adrian McKinty

Sinopse

A manhã começa normalmente. Rachel Klein deixa a filha, Kylie, na paragem de autocarro e segue a sua rotina diária. Mas um telefonema a partir de um número desconhecido para o seu telemóvel muda tudo. Do outro lado da linha, está uma mulher a avisá-la de que tem Kylie em seu poder, no banco de trás do seu carro, e que Rachel só voltará a ver a filha se pagar um resgate...e raptar outra criança. A mulher diz-lhe que é mãe de um rapazinho que foi também raptado e que, se Rachel não fizer exatamente o que ela lhe diz, o menino morrerá e Kylie também. Rachel faz agora parte da Corrente, um esquema aterrorizador que transforma os pais das vítimas em criminosos - e que, ao mesmo tempo, deixa alguém muito rico. Rachel é uma mulher comum mas, nos dias que se seguem, vai ultrapassar limites até aí inimagináveis. Terá de fazer escolhas morais impossíveis e praticar coisas terríveis. A Corrente é implacável e totalmente anónima.

As suas regras são simples: entregar o dinheiro exigido, encontrar uma vítima e, a seguir, cometer um ato abominável que nunca passaria pela mente de uma pessoa comum. Os cérebros por trás da Corrente sabem que os pais farão qualquer coisa pelos seus filhos. Mas o que eles não sabem é que podem finalmente deparar-se com alguém à sua altura. Rachel é inteligente, determinada e uma sobrevivente.

Será ela a pessoa capaz de quebrar A CORRENTE? 

Opinião

A Corrente, de Adrian McKinty, é um thriller psicológico que chamou a minha atenção pela sua premissa ímpar e assustadora: Kylie é raptada na paragem de autocarro e a sua mãe, Rachel, recebe um telefonema que muda tudo. Rachel só voltará a ver a filha se pagar um resgate e raptar outra criança, por sua vez os pais dessa criança deverão raptar outra criança, tudo isto em nome d’A Corrente, a qual não pode de maneira alguma ser quebrada. E quem o tentar sofrerá consequências. Graves consequências. Mortais consequências. Este esquema aterrorizador deixa-nos com pele de galinha e impele-nos numa leitura compulsiva. 

Mckinty explora assim um dos medos mais primitivos e nossa capacidade de nos transformarmos no que for preciso para proteger as nossas crias, reduzindo o ser humano ao seu estado selvagem e ao mesmo tempo salientando que nossa capacidade de amar pode ser, simultaneamente, a nossa maior força e fraqueza. 

É feita neste livro uma crítica muito audaciosa e perspicaz às redes sociais, a nossa necessidade de partilhar tudo, onde estamos, com quem estamos, o que gostamos, torna transparentes as nossas rotinas e faz de nós um alvo fácil para qualquer psicopatão, tornamo-nos prisioneiros, sem nos darmos conta, de tantas aplicações e servimo-nos de bandeja a esses predadores do demo. 

As personagens d’A Corrente são bem construídas e somos capazes de empatizar com a sua dor e perceber que as suas acções são fruto das circunstâncias a que foram submetidas, e sabemos que faríamos o mesmo. 

Rachel cumpre bem o papel de heroína, uma mulher forte e inteligente, sobrevivente de cancro, com uma casamento falhado que quase apagou a sua existência, começava a recompor-se quando foi arrastada para A Corrente. Rachel sabe que não pode hesitar para ter a sua filha de volta e ainda que o medo seja uma presença constante Rachel, junto com Peter, o seu ex-cunhado, embarcam na necessária vida do crime. Peter apesar de destruído pelo seu passado, viciado e sofrendo PTSD acaba por se tornar um bom parceiro. Kylie é, como a mãe, destemida e corajosa. Quanto aos vilões, noto-lhes algumas falhas, mas grosso modo, são interessantes e são nos apresentados envoltos numa macabra e fascinante história que poderia intitular-se A Origem do Mal. O narrador conta-nos as suas aventuras da infância em que as vidas das outras pessoas eram o seu grande recreio. 

A Corrente merece de mim quatro estrelas e meia porque o final foi demasiado conveniente, demasiado sangrento em relação ao resto do livro e o terço final da narrativa não me pareceu tão bem conseguido como a parte inicial. 

Esta é uma leitura viciante, rápida, sendo muito difícil largar o livro! 


Agradeço à Editorial Presença por ter cedido um exemplar ao blog para leitura. 
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