domingo, 29 de setembro de 2019

Pensamento do Dia


Para que o carácter de um ser humano revele qualidades verdadeiramente excepcionais, temos de ter a boa sorte de ser capazes de observar o seu desempenho durante muitos anos. Se esse desempenho é desprovido de egoísmo, se o seu propósito é uma generosidade inigualável, se há certeza absoluta de que não existe uma ideia de recompensa e que esse propósito, além do mais, deixou a sua marca visível na terra, então, não haverá engano.

Jean Giono, O Homem que Plantava Árvores 

sábado, 28 de setembro de 2019

Opinião "O Homem que Plantava Árvores", Jean Giono

Sinopse

Com milhões de exemplares vendidos, este livro emocionou e inspirou várias gerações ao longo de décadas, em todo o mundo, e serve de parábola para os tempos modernos. O homem que plantava árvores conta a história de um jovem que, em 1913, sozinho, atravessa os Alpes franceses em busca da natureza e da paz, longe das grandes cidades, acabando por encontrar o abandono humano e a desertificação de uma paisagem desoladora. Há dias sem água, cruza-se com um velho pastor e as suas ovelhas. O pastor dá-lhe água, comida e abrigo, e revela-lhe a sua missão de vida: plantar centenas de árvores por dia a fim de recuperar a floresta.


Uma história inesquecível como O Principezinho de Saint-Exupéry e Siddhartha de Herman Hesse.


Opinião

O Homem Que Plantava Árvores é um conto alegórico escrito em 1953 pelo escritor Jean Giono, que, enquanto narrador, nos apresenta o pastor Elzéard Bouffier, um solitário homem que, depois de perder tudo, vive com as suas ovelhas e o seu cão nos Alpes, plantando diariamente cem bolotas, na tentativa de reflorestar o lugar inóspito onde escolheu passar os seus dias. 

Com o avançar dos anos o deserto dá lugar a uma floresta, uma floresta erguida, assim, por um único homem, sem pretensões, sem interesses além do desejo de reconstruir. Bouffier, dedicando a sua existência a esse propósito, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ignora até o passar das duas grandes guerras, como se fossem um pano de fundo de destruição a contrastar com algo muito mais importante: a capacidade humana de reedificar – “os humanos podem ser tão eficazes como Deus em outras áreas que não a destruição” – entregando ao leitor uma mensagem de Esperança na Humanidade. 

O Homem Que Plantava Árvores é um livro que se lê de um só fôlego, mas nem por isso deixa de conter uma poderosa mensagem ecológica e filosófica, equacionando-se o propósito da vida, e os efeitos a longo prazo dos pequenos gestos que decidimos ou não fazer na nossa curta estadia num planeta com um tempo de existência tão maior que o nosso. Muitas vezes mantemo-nos à sombra da inércia porque não acreditamos que o nosso contributo vá fazer a diferença ou pelo menos pensamos que não seremos nós a colher os frutos do nosso trabalho, e esta leitura força-nos a por esta visão em perspectiva, e a questionarmo-nos quanto egoísmo existe em nós e quão grande é o nosso desejo de recompensa imediata e fugaz quando poderíamos ter um papel muito mais activo na sociedade. 

Percebo as comparações com o clássico infantil O Principezinho de Saint-Exupéry, no entanto, não lhe dou assim tanto mérito, por ser um livro que sem a mensagem que quer transmitir é uma obra com uma história muito mais básica em argumento e estilo; além disso O Principezinho é um dos meus livros preferidos e isso pode influenciar eu vê-lo como uma obra de arte única e inigualável. 



Mais imagens fofas aqui

Termino agradecendo à Cultura Editora a cedência deste exemplar que enriqueceu a minha biblioteca, e aproveito para fazer um elogio a esta edição de capa dura lindíssima e repleta de ilustrações igualmente fantásticas.

E uma vez que já vamos entrar no último trimestre do ano deixo este livro como uma sugestão para uma prenda no sapatinho!



sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Opinião "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carrol

Sinopse

A obra mais famosa de Lewis Carroll narra a história de Alice e da sua viagem a um fantástico mundo povoado por estranhas criaturas quando persegue um Coelho Branco e cai na sua toca. Alice cruza-se então com o Chapeleiro Louco, o gato Cheshire e a terrível Rainha de Copas, personagens ora encantadoras ora cruéis ou simplesmente bizarras como as aventuras de Alice.

O estrondoso êxito e o fascínio intemporal que exerce sobre leitores de todas as idades — dos elogios que a rainha Vitória e Oscar Wilde lhe teceram à mais recente adaptação cinematográfica de Tim Burton — convertem este clássico da literatura infantil numa das obras mais importantes escritas até hoje.

Opinião

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, é um incontornável clássico da literatura infantil. Publicado a primeira vez em 1865, distinguiu-se por ser uma história para crianças mas despojada de quaisquer moralismos. A história, familiar a todos nós, resume-se às aventuras da pequena Alice que cai na toca de um coelho e depara-se com um lugar estranho, povoado por criaturas surreais. E a narrativa é apenas isto, sem fio condutor, assistimos a um desfile de aberrações protagonizado por uma criança irritante.

Não posso dizer que seja um livro péssimo, mas tendo em conta a sua popularidade e estatuto não estava à espera de tamanha aleatoriedade, decididamente não esperava uma bizarria tão desconexa e isenta de sentido. E se por um lado é de louvar a ousadia em ser um livro que não tenta ensinar nada às crianças, por outro lado chega até a dar maus conselhos.

O final acaba por atenuar o que senti durante a leitura, mas fechei o livro bradando aos céus que Lewis Carroll deveria ter-se comedido no consumo de cogumelos mágicos.

As ilustrações, apesar de rocambolesco-macabras, não me desagradaram e ajudaram a prosseguir a leitura até ao fim. 


Considerei interessante o facto de o escritor ter sido matemático e esta obra ser um contraste, ser algo tão absurdo face a algo tão exacto, mas simultaneamente não deixando de haver referências a alguns fenómenos da realidade quântica – gatos que estão simultaneamente vivos e mortos ou partículas que se alteram sem razão aparente.

Não concordo que seja um livro para todas as idades, como li por aí, por ser um livro que se basta e se autolimita no pouco que é.

Leiam este livro como quem olha para uma pintura de arte abstracta, talvez assim ele faça algum sentido.


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Novidades Setembro - Alma dos Livros


 As Gémeas de Auschwitz


UMA HISTÓRIA NOTÁVEL DE FÉ, SOBREVIVÊNCIA E CORAGEM.

Eva Mozes Kor e Miriam Mozes, são gémeas idênticas, que sobreviveram às experiências genéticas conduzidas pelo médico Josef Mengele, em Auschwitz. Os seus pais, avós, irmãs mais velhas, tios, tias e primos não sobreviveram. Cerca de outros 1400 pares de gémeos foram alvo de estudo e tortura por parte de Josef Mengele, também conhecido como o Anjo da Morte.

TODOS OS SERES HUMANOS TÊM O DIREITO DE VIVER SEM A DOR DO PASSADO

«Se eu tivesse morrido, Mengele teria dado uma injeção letal à minha irmã para fazer uma autópsia dupla. Só me lembro de repetir para mim mesma: tenho de sobreviver, tenho de sobreviver.» Eva Mozes Kor


Elon Musk
O Homem de Ferro


Tesla, SpaceX, Paypal, e os melhores conselhos sobre sucesso, fama, dinheiro, investimentos e como tornar o mundo um lugar melhor.

ELON MUSK QUER MUDAR O MUNDO. A profundidade e a amplitude do seu trabalho são extraordinárias, inspiradoras e visionárias. É rebelde e visionário, alguém com a rara capacidade de identificar e lidar com problemas de escala e complexidade quase incompreensíveis, apesar das elevadas barreiras à entrada e do risco de um fracasso quase certo. Profundamente envolvido em todos os aspetos das suas empresas, ele é sobretudo engenheiro por gosto e empreendedor e empresário por necessidade.

A verdade é que, mesmo que todos os empreendimentos de Musk falhassem hoje, os seus esforços já aceleraram o progresso da humanidade em direção à energia sustentável e à civilização multiplanetária. Ultrapassou tantas vezes as expetativas, que é fácil esquecermos o mundo em que começou, um mundo onde não havia qualquer programa de veículos elétricos viável e os programas de lançamento espaciais estavam desatualizados e eram incapazes de transportar seres humanos para o espaço.

Talvez um dos aspetos mais admiráveis do caráter de Musk seja ele demonstrar não se preocupar com os ganhos financeiros. Pode ser uma postura fácil para um multibilionário, mas Musk esteve perto da falência depois de aplicar a maior parte dos seus fundos pessoais na SpaceX e na Tesla durante um período difícil para ambas as empresas. Em vez disso, conforme veremos, ele parece inequivocamente dedicado a contribuir com soluções para a melhoria da humanidade e para assegurar que o futuro da mesma seja brilhante e inspirador.

«Acho que o que importa são as ações, e não o que as pessoas vão pensar de mim no futuro. Já estarei morto. Mas será que as coisas que fiz foram úteis?» ELON MUSK



O Tempo das Ilusões Perdidas


CINCO MILHÕES DE LEITORES EM TODO O MUNDO

UMA OBRA-PRIMA INESQUECÍVEL

Um romance extraordinário sobre o amor verdadeiro, a vida em liberdade e a amizade que dura para sempre.

O Tempo das Ilusões Perdidas (Le Grand Meaulnes, na versão original), considerado um clássico da literatura francesa e mundial, é o genial e único romance de Alain-Fournier, precocemente morto durante a Primeira Guerra Mundial. Fez sonhar mais de cinco milhões de leitores, expressando de forma única a época áurea da juventude e a transição para a vida adulta.

Numa pequena aldeia francesa, o pacato François Seurel, de 15 anos, narra a história da sua amizade com o alto e exuberante Augustin Meaulnes, dois anos mais velho. Mesmo com temperamentos muito diferentes, os rapazes desenvolvem um forte laço de lealdade.

Impulsivo, imprudente e heroico, Meaulnes incorpora o ideal romântico da juventude, a busca do inatingível. Todos ficam cativos da sua aparência, ousadia e carisma.

Certa manhã, Meaulnes perde-se a caminho da estação onde fora buscar os tios de François. Nas suas tentativas frustradas de encontrar o caminho, chega a uma propriedade com uma casa misteriosa. Exausto, adormece. Quando desperta, vê-se envolto numa atmosfera de sonho, plena de gente e de música. E há uma bela rapariga e uma alegria que se espalha pela grande casa e que domina o pátio e os bosques em redor. Quando tudo acaba, vê na noite aquela terra desaparecer no pó que as carruagens levantam na estrada. De regresso à aldeia, conta tudo a François, e o reencontro com aquele mundo perdido passa a ser a obsessão comum. E a vida de ambos jamais será como antes.

«Um dos grandes clássicos da literatura mundial.» JULIAN BARNES

«Uma das 10 melhores obras do século XX.» LE MONDE

«Um dos livros que mais me influenciaram. Adoro o herói deste romance.» HENRY MILLER

«Um dos maiores romances da literatura europeia.» JOHN FOWLES

A PRIMEIRA PARTE DO LIVRO ENCHE-NOS DE ENCANTAMENTO E A SEGUNDA ARREBATA-NOS INTEIRAMENTE.

É UM DOS LIVROS MAIS ACLAMADOS DE SEMPRE.



A Sabedoria dos Idiotas


CONTOS SIMPLES E BEM-HUMORADOS, COM RESPOSTAS PARA GRANDES QUESTÕES FILOSÓFICAS

A Sabedoria dos Idiotas contém histórias usadas pelos grandes mestres do sufismo, resgatadas de manuscritos antigos e contos da literatura oral das tradições culturais persa, afegã, turca e árabe.

Os mestres sufis apresentavam-se como «idiotas de Deus». Em árabe, esta expressão descreve alguém que tem a mente no céu e o corpo na terra. Em termos espirituais, poderia considerar-se um idiota aquele que afirma a sua ignorância perante a verdade, pois entende a sua transitoriedade neste mundo.

Nasrudin Hodja é o personagem central destas histórias, e aparece aqui e ali a desempenhar os mais variados papéis: às vezes, é um sábio; outras, um cortesão; outras ainda, um mendigo, um juiz, um professor, um tolo… É múltiplo e indefinível. As histórias de Nasrudin correm o mundo e são muito conhecidas em todo o Médio Oriente. No Ocidente, são-no menos.

Uma das grandes vantagens das histórias é que penetram na consciência sem oferecer muita resistência e, sendo plásticas, podem ser aplicadas a diferentes situações e momentos. A lógica sábia, e por vezes absurda, destes contos é um dos métodos mais engenhosos para quebrar a nossa maneira habitual de pensar e as barreiras da mente.

HISTÓRIAS DE SABEDORIA INTEMPORAL PARA QUESTÕES DO DIA A DIA

OS ENSINAMENTOS ESPIRITUAIS MAIS DIVERTIDOS DE SEMPRE

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Opinião “Nada menos que um milagre”, Markus Zusak

Sinopse:

"Clay olhou para trás uma última vez antes de mergulhar - de emergir e voltar a mergulhar -rumo a uma ponte, a um passado, a um pai. E nadou nas águas douradas pela luz. Os cinco irmãos Dunbar vivem - lutando, amando e chorando a morte da mãe - no caos perfeito de uma casa sem adultos. O pai, que os abandonara, acaba de regressar. E tem um pedido surpreendente: algum deles aceita ajudá-lo a construir uma ponte. Clay, um rapaz atormentado por um segredo que esconde há muito, aceita. Mas porque está ele tão devastado. O que o leva a aceitar tão extraordinário desafio. Nada Menos Que um Milagre é a história de um rapaz apanhado numa espiral de sentimentos, um rapaz disposto a destruir tudo o que tem para se tornar na pessoa que precisa de ser. Diante dele, ergue-se a ponte, a visão que irá salvar a sua família - e salvá-lo a ele próprio. Será um milagre e nada menos que isso. Simultaneamente um enigma existencial e uma busca pela redenção, esta história de cinco irmãos em plena juventude, numa casa sem regras, transborda energia, alegria e emoções. Escrita no estilo inimitável de Markus Zusak, é um tour de force de um autor que conta histórias com o coração."


Opinião: 

Uma opinião difícil de escrever … Creio que assim como eu enveredei para esta leitura com inúmeras expectativas, também quem estiver a ler esta opinião e tiver lido previamente a obra A Rapariga que roubava livros as terá também. 

Para começar, posso dizer que é uma leitura daquelas de saborear cada palavra, cada parágrafo, cada página e cada capítulo. Dei por mim várias vezes a fechar o livro, encostá-lo a mim, fechar os olhos, e voltar a abrir. Não se trata de uma leitura leve e fácil. Torna-se necessário prestar atenção à forma como a obra é escrita, e a todas as pequenas histórias (com mais importância do que aquela que parecem ter na altura em que nos são contadas). E é neste ponto que a obra conquista o leitor, na minha opinião. Sem darmos conta somos absorvidos para aquelas páginas, prendemo-nos não só na história, mas na própria escrita. Por outro lado, creio que este facto pode levar a que nem todos os leitores queiram progredir na leitura. 

Como nos diz a sinopse, a história desenrola-se em torno da família Dunbar, em particular de Clay Dunbar (contada pelo seu irmão mais velho Mathew Dunbar). E logo aqui conseguimos ver uma das grandes dificuldades da obra. Qual a probabilidade de ter sucesso ao tentar contar uma história de alguém e nos fazer sentir essa história como se fosse a nossa? Difícil, mas é algo que efetivamente o autor consegue! No entanto, não o consegue na perfeição e senti que por vezes em alguns momentos e emoções tinham todo um potencial em si, e que não atingiam o seu auge da forma esperada. 

Assim como em A Rapariga que roubava livros, também em Nada menos que um milagre, Markus ZusaK traz-nos uma história dolorosa, mas bela. Desde Michael Dunbar e Abbey Dunbar, passando por Penélope Dunbar, terminando em Clay Dunbar e Carey, vivemos lado a lado as alegrias e tristezas, as conquistas e as perdas destas personagens maravilhosas. É impossível não empatizar com elas. A sua imperfeição torna a história acima de tudo real, carregada de amor e dor. 

No entanto, houve como já referi momentos que seriam de extrema importância que não foram explorados no seu máximo. Ficou aqui algo por dizer … por sentir. 

Outro problema da obra (ou meu) foi a sua temporalidade. Confesso que decorrendo a história entre vários anos distintos, com histórias políticas distintas, seria necessário uma melhor contextualização para o leitor. Com a leitura, ficamos apenas a imaginar em que anos decorreram cada um dos acontecimentos, sem nunca associá-los a uma data, ou a uma época. E se por momentos achámos que estávamos em tempo de guerra, a seguir estávamos a comprar um piano, a ler livros, a ver televisão e a usar telemóvel. 

Confesso que o que senti no fim da leitura foi alguma tristeza por esta ter ficado aquém daquilo que poderia ter sido, ficando muito indecisa nas estrelas a atribuir. Está bem escrito, é uma história bonita, mas bolas … se lhe falta algo! Considero por fim, que apesar disto, é uma obra que merece ser lida e que pode proporcionar bons momentos a quem a ler, como me proporcionou a mim. E se me fez sentir algo, então já valeu a pena! Acabei por escolher as 4 estrelas: um bom escritor, uma história real, imperfeita, carregada de personagens que ficarão no meu coração.

Não se esqueçam nunca de amar, perdoar e viver!


Novidade Editorial Presença - "A Noite do Caçador", Sandra Carvalho


Sinopse:

"Amaldiçoada pelos pares, a feiticeira Korinna implora ao renegado Theron que encontre uma cura para o seu tormento. O feiticeiro aceita ajudá-la, sem imaginar que o plano que engendrou resultará em danos maiores. Mikkel, o rapaz nascido da perversidade de Theron, irá crescer no seio de uma tribo humana, no Norte do Mundo, ignorando as suas origens e o propósito para o qual foi gerado. Ciente de que é diferente dos demais, terá de lutar para conquistar a confiança dos seus líderes e defender o povo dos implacáveis norrenos. Confrontado com o seu destino, será forçado a empreender a arrepiante travessia dos Pântanos dos Danados. Porém, na terra onde lhe fora prometida salvação, a sorte armou-lhe outra cilada. Conseguirá Mikkel salvar a família dos feiticeiros que o perseguem, contrariar a maldição que o assombra e libertar a sua amada Kitta da cobiça do rei Uruz, enquanto explora a magia que pulsa no seu sangue? Ou sucumbirá à herança paterna que o compele a alimentar-se de vida, e acabará por se tornar o mais terrível dos Caçadores?

Uma aventura fantástica de autodescoberta e constante superação, construída sobre os laços da família, da amizade e do amor, e onde a força, a coragem, a lealdade e a determinação serão testadas a cada fôlego."

Colecção: Via Láctea
Número de páginas: 400
ISBN: 9789722364478

Sobre a autora:

"Sandra Carvalho é uma das autoras portuguesas mais conceituadas do romance fantástico. A Saga das Pedras Mágicas, que a Presença publicou também na coleção «Via Láctea», e que é constituída pelos títulos A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo, Os Três Reinos, A Sacerdotisa dos Penhascos, O Filho do Dragão e Sombras da Noite Branca, conquistou um vasto número de fãs entre os apreciadores do género. Depois de O Olhar do Açor e Filhos do Vento e do Mar, O Grito do Corvo é o último volume das Crónicas da Terra e do Mar.


Sandra Carvalho é uma das autoras portuguesas mais conceituadas de romance fantástico. A Saga das Pedras Mágicas conquistou um vasto número de fãs entre os apreciadores do género."


Para mais informações, consulte o site da Editorial Presença.

Pensamento do Dia


Sem se dar conta disso, as pessoas constroem e reforçam as próprias rotinas mentais e comportamentais, e estas, uma vez instaladas, não desaparecem nunca mais, salvo em circunstâncias extraordinárias. Dito de outro modo, as pessoas vivem encerradas numa espécie de prisão forjada pelos próprios esquemas.

Sono, Haruki Murakami

domingo, 15 de setembro de 2019

Opinião "Sono", de Haruki Murakami

Sinopse

«Há dezassete dias que não durmo.»
Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.

Opinião 

Comprei este livro por se terem juntados três motivos que me pareceram muito válidos: o livro é esteticamente muito bem conseguido, possuindo uma robusta capa dura e ilustrações maravilhosas, o preço apetecível a que o encontrei pesou muito na minha veia consumista, e o autor, Haruki Murakami, do qual nunca havia lido nada, no entanto, estava curiosa por ler algo deste escritor japonês contemporâneo tão aclamado pela crítica.

Murakami conta-nos em Sono a estranha história de uma mulher, da qual nunca vimos a saber o nome, o que sempre me agrada, a despersonalização, como se esta mulher pudesse ser qualquer pessoa. A protagonista não só não dorme há 17 dias como não tem sono ou qualquer sintoma de exaustão, pelo contrário, passa a ocupar a sua noite com actividades que há muito tinha esquecido gostar de fazer e que a definiam. Presa à vida monótona e rotineira e às obrigações familiares vivia de forma mecânica, como de resto vivemos todos ou quase todos, e de certa forma a insónia acordou-a para a tomada de consciência de que vivia inconsciente. 

O acto de dormir surge assim, provavelmente na perspectiva do autor, como um mecanismo reparador que apazigua as inquietudes, que nos impede de sair da Caverna de Platão e de ver para além das sombras, que nos desliga e nos mantém neste torpor onde estamos emersos. 

Vivemos inconscientes, e talvez seja essa a única maneira de suportar a vida. Dar de caras com uma existência sem sentido, com o absurdo de Camus é demasiado assustador. Talvez seja melhor dormir e desfrutar a inocência de viver sem analisar de Bernardo Soares.

A insónia funcionou como uma falha no sistema que nos impede de ver que a realidade é tão-somente o que conseguimos abarcar, uma falha no sistema que nos mantém como peões num jogo de tabuleiro, cujas regras desconhecemos, manuseados por invisíveis mãos que ao longo dos tempos têm pertencido a diferentes Deuses. 


Sono é assim uma leitura interessante com nuances de ensaio filosófico, uma espécie de conto meio surrealista meio fatalista, em que a protagonista se abstrai tanto da realidade que talvez tenha alcançado a transcendência. Acredito que esta seja uma leitura aberta a outras interpretações, e que por isso não seja um entretenimento para um público geral. 

Muitos leitores não gostaram do final por ser demasiado abrupto e aberto, inicialmente também eu procurei as páginas que achei estarem em falta no meu exemplar, mas depois de reflectir aceitei que o fim seja mais óbvio e linear do que aparenta, já que a única maneira de sobrevivermos e a única existência que nos foi permitida é aquela que conhecemos e mesmo após breves laivos de lucidez sabemos que é melhor cair no sono e dormir. 

Termino com uma passagem do Livro do Desassossego de Bernardo Soares que durante a leitura me surgiu de imediato no pensamento. 

Dorme, porque todos dormimos. Toda a vida é um sonho. Ninguém sabe o que faz, ninguém sabe o que quer, ninguém sabe o que sabe. Dormimos a vida, eternas crianças do Destino. Por isso sinto, se penso com esta sensação, uma ternura informe e imensa por toda a humanidade infantil, por toda a vida social dormente, por todos, por tudo.




terça-feira, 10 de setembro de 2019

Pensamento do dia

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"Nada era insubstituível, nada era perene. E ninguém melhor do que ele sabia que a existência era bela, mas frágil como uma teia de aranha."

Carla M. Soares

Opinião “O Ano da Dançarina”, Carla M. Soares

Sinopse:

“No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política. No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista. Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas. 

O Ano da Dançarina é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal.” 


Opinião:

Mais uma opinião em atraso, das que não poderiam ficar apenas na minha cabeça e no meu coração. Sinto que livros de autores portugueses não têm de todo a mesma visibilidade que muita da literatura estrangeira publicada. No entanto, superam muitos destes em termos de qualidade. E esse é um dos principais motivos pelo qual tento escrever esta opinião um ano após a sua leitura, aliado à cedência da obra pela Marcador para leitura e opinião. 

Para quem não sabe, Carla M. Soares é, sem sombra de dúvida, uma das minhas autoras preferidas, quiçá a minha autora portuguesa preferida. E, como tal, não posso deixar de ler todos os seus livros! Começando por Alma Rebelde, seguindo com Chama ao Vento, crescendo para O Cavalheiro Inglês, eis que cheguei a este O Ano da Dançarina

Trata-se de mais um romance histórico a acrescentar nas minhas estantes - um género que apesar de escasso nelas, tem vindo a crescer. Se há livros que li há um ano atrás e que me lembro das personagens é este! A forma brilhante como a autora caracteriza as personagens não é nenhuma novidade; é impossível não as ficar conhecer a todas como se fossem reais.

A história desenrola-se em torno de Nicolau, um jovem tenente-médico, ferido e traumatizado após a guerra, uma personagem extremamente humana e portuguesa, imperfeita, com a qual se torna impossível não empatizar. No entanto, não conseguimos também esquecer Cecília, César e até mesmo a dançarina. É bom quando nos apercebemos que a autora não se dedica apenas à personagem principal com maior intensidade, mas também a todas as outras, permitindo ao leitor por vezes gostar ainda mais destas últimas do que da primeira.

Trata-se de um livro muito bem caracterizado, simples e claro para quem já não se recorda muito da história de Portugal, não se tornando em momento algum maçudo ou pesado. Às vezes tenho pena de não nos podermos dedicar a tudo. Quem me dera lembrar-me pelo menos do que estudei em tempos sobre a história de Portugal! Quem me dera ter tempo para aprender até mais coisas sobre a mesma! E é com estas belas obras que o gostinho pelo nosso país e tudo o que temos de bom é relembrado!

E como seria de esperar nos livros de Carla, uma pitada de história de amor :). Foi por pouco que não alcançou mais uma vez as 5 estrelas. Mas tenho a confessar que talvez a culpa seja das minhas expectativas extremamentes elevadas depois de Alma Rebelde - um dos meus livros preferidos.

Um ano depois, infelizmente não consigo traduzir completamente o que senti e, por isso, fica mais uma vez o meu pedido de desculpas à Marcador e à Carla M. Soares, por não ser provavelmente a opinião ideal, digna da obra em questão.

Recomendo a obra sem reservas e não apenas para fãs do género, esperando que um dia estas pérolas literárias não fiquem esquecidas na nossa história :). Escusado será dizer que já tenho Limões na Madrugada na minha estante, à espera de um tempinho para pegar nele. :)



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Opinião “Deixa-me Ir”, Gayle Forman



Sinopse:

“Maribeth Klein é mãe de gémeos e editora de uma revista de moda. Conciliar essas duas facetas da vida tem sido um desafio quase impossível e Maribeth sente-se esgotada. A azáfama do dia a dia, cada vez mais intensa, não a deixa parar um segundo, nem para perceber que acaba de ter um ataque cardíaco. Durante a recuperação, dispondo finalmente de algum tempo para pensar, Maribeth decide fazer as malas e partir. Longe das obrigações familiares e apoiada por novas amizades, pode por fim lidar com os problemas que a atormentam há muito e enveredar por uma jornada de descoberta que lhe permitirá perceber o que é realmente importante. Gayle Forman, autora do bestseller Se Eu Ficar, estreia-se agora com Deixa-me Ir na ficção para adultos.”



Opinião:

Segundo registo no Goodreads, terei terminado esta leitura em Agosto de 2017. E estou em dívida para com a Editorial Presença que gentilmente nos cedeu a obra para leitura e opinião. Infelizmente não me foi possível a sua escrita na altura devida e agora será muito mais difícil transmitir aquilo que senti na altura. 

Quando me apercebi desta publicação fiquei extremamente contente, uma vez que tinha sido conquistada por Gayle Forman com os livros Se eu Ficar e Espera por mim. Mas infelizmente não posso dizer que isso tenha acontecido com esta leitura. Penso que tal se deveu essencialmente a não me ter identificado com a personagem principal – Maribeth. 

A obra relata essencialmente a história de uma mãe e mulher que após ter um enfarte do miocárdio, decide fazer as malas e sair de casa, sem aviso ou explicação. E foi-me difícil lidar com esta fuga, com a forma como deixou os seus dois filhos e marido durante bastante tempo. Com isto não quero dizer que não compreendo, provavelmente é até uma situação bastante comum na vida real, no entanto, efetivamente tornou-se difícil para mim caminhar lado-a-lado com esta personagem e com as suas decisões. Ao virar de cada página vemos Marybeth a tentar começar uma vida de novo. No entanto, nunca deixamos de ser quem somos, e é através da descoberta de si própria e do seu passado que percebe aquilo e quem realmente importa.

Assim, apesar de Gayle Forman ser uma autora capaz de levar o leitor página a página numa leitura emotiva, simples e real, não consegui empatizar com esta obra. No entanto, considero que possa ter sido apenas um problema entre mim e Maribeth Klein. :) Mais uma vez, deixo o meu mais sincero pedido de desculpa pelo grande atraso na publicação da opinião desta obra.



sábado, 7 de setembro de 2019

Opinião "Eleanor & Park", de Rainbow Rowell

Sinopse 

Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.

Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.

A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.



Opinião

Comprei Eleanor & Park completamente por impulso na Feira do Livro de Lisboa, em 2017, apenas porque a bloguinha Rosana também comprou. Além disso, a capa era tão deliciosa que me convenci que só poderia guardar uma história inesquecível. (#quemnunca

Mais tarde vim a descobrir que dentro do género Young Adult, que até aprecio bastante, Eleanor & Park, tem tido críticas muito positivas. Assim, quando peguei neste livro, que repousava na minha estante há 2 anos, parti para a leitura com alguma expectativa. 

Eleanor é a miúda nova na escola, em casa tem sempre à sua espera uma família para lá de disfuncional, vive, sem condições básicas, com os seus 4 irmãos mais novos, o padrasto untuoso e maligno e a mãe submissa e distante. Não bastando a ausência de suporte familiar, o facto de ser ruiva, ter excesso ponderal e vestir-se de forma peculiar torna-a motivo de chacota por parte dos seus colegas, claramente dotados de um QI com menos de dois algarismos. 

Park é o miúdo asiático, não sendo propriamente popular consegue distrair as atenções dos reis do bullyng, fazendo dos livros, da música e da sua roupa preta um manto de invisibilidade quase invencível. Até que conhece Eleanor, capaz de penetrar nesse manto. 

As viagens no autocarro da escola tornam-se o melhor momento do dia para ambos. Eleanor e Park vão-se dando a conhecer um ao outro, Eleanor sempre muito mais na defensiva e com medo de se deixar ser feliz, Park sempre tentando trazer Eleanor para si e procurando ajudá-la a resolver todos os seus problemas. Cria-se entre eles mais do que um romance, uma amizade realmente bonita e que me fez muito pensar na frase de Pablo Neruda: Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida. Acredito que muitas vezes basta o amor de alguém para tornar a nossa miserável existência num sofrimento mais suportável. 



Passando-se a narrativa em 1986 há muitas referências a essa época, algumas das quais conhecia, outras tive de procurar. É também engraçado voltar ao passado e ver como as pessoas viviam num tempo em que não havia telemóveis ou internet, a ânsia de poder usar o telefone e esperar por aquela chamada ou o carinho de gravar uma cassete com as nossas músicas preferidas para a nossa pessoa preferida. 

O facto de o livro ser escrito alternadamente sob a visão de cada um quebra também a monotonia da leitura, e foi para mim mais um ponto a favor neste primeiro livro que li de Rainbow Rowell, e que me deixou com imensa vontade de ler outras coisas da autora. Gostava também muito de ver Eleanor & Park adaptado ao grande ecrã. 

Este é um delicioso livro sobre pessoas e sentimentos, é um livro simples, e que se lê muito depressa, e que me entreteve e agarrou do início ao fim. É impossível não empatizar com Eleanor e a sua força e resiliência, e revi-me nela em muitos aspectos, e é igualmente impossível não adorar o Park, pela sua sensibilidade e bom coração. Além disso, é um livro que retrata bem o amor na adolescência, a inocência da descoberta. E não é um livro cliché – aliás Eleanor goza muito com o Park quando ele é fofinho – não é um livro com um romance inverosímil entre a cheerleader e o nerd, é uma história de amor entre dois adolescentes vulgares com vidas que poderiam ser as de qualquer um, e que não deixa de ser uma chamada de atenção para que sempre que julgarmos alguém não nos esqueçamos que há sorrisos que podem esconder muitas lágrimas. 

O final? Foi o necessário. Amei. 


Saída de Emergência