quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Opinião" O Jardim das Borboletas", Dot Hutchison


Nunca a beleza foi tão assustadora

Sinopse

"Perto de uma mansão isolada, encontra-se um jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e... uma coleção de preciosas borboletas: jovens mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem com esses belos insectos.


Quando o jardim é descoberto pela Polícia, Maya, uma das vítimas, ainda se encontra em choque e o seu relato está cheio de fragmentos de episódios arrepiantes, no limite da credibilidade.
O que esconderão as suas meias palavras?"


Opinião


Comecei a ler O Jardim das Borboletas sem muitas expectativas. Achei o nome, a capa e a sinopse interessantes, e como gosto muito do género decidi que era uma boa leitura para fazer em Agosto, em tempo de praia.

Contudo, o que pensei que seria uma simples leitura de Verão acabou por se tornar uma viagem frenética até ao final do livro, que acabei por ler num dia!

Começamos a história pelo fim. O criminoso já foi apanhado, as vítimas estão a recuperar, exceto uma, que se encontra na esquadra a ser questionada. E a história é-nos contada através do relato desta vítima, vamos alternando entre as suas memórias e as conversas com os investigadores. Ficamos a conhecer não só a sua vida durante o tempo em que foi vítima, mas também o seu passado, o que nos permite perceber o seu comportamento em toda a situação que viveu.

Além disso, um aspeto que me agradou foi que a autora não tentou embelezar nem romantizar alguns pormenores. Define bem o que é errado e o que não é, quais as ligações que devemos valorizar e manter e aquelas que apenas são criadas por uma questão de sobrevivência.

Sendo assim, se querem um livro que vos prenda a cada linha e que vos faça perder a noção do tempo peguem neste O Jardim das Borboletas que ele cumpre o propósito.

Para aqueles que desejem continuar neste mundo de Dot Hutchison, fiquem sabendo que este livro é o primeiro de uma série, mas os seguintes não foram editados em Portugal.
 
Por fim gostaria de agradecer à Suma de Letras pela oferta do exemplar para leitura.


                                                     

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Opinião "A Rapariga Fatal", Leslie Wolfe

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Sinopse

Quando o corpo de uma jovem é encontrado no jardim da sua própria casa, uma semana após o seu desaparecimento, as provas levam os investigadores a uma conclusão assustadora: ela não é a primeira vítima de um assassino em série que até então agira nas sombras. E, definitivamente, não será a última.

A agente especial do FBI Tess Winnett junta-se aos detetives locais em busca de respostas na intrigante investigação. O agressor deixa atrás de si uma série de indícios, mas nenhuma pista viável. Quando outro corpo é encontrado, a busca intensifica-se, fazendo emergir a invulgar imagem de marca do assassino. Ele gosta de perseguir as suas vítimas antes de sequestrá-las.

Ele gosta de lhes oferecer um vislumbre do que está para chegar. Um presságio do futuro sem retorno.

Junte-se à inteligente e implacável agente do FBI Tess Winnett e à sua experiente equipa numa verdadeira caça ao homem. Uma história de fazer parar o coração e perder o fôlego, em busca de um assassino inteligente e implacável, levando o leitor num turbilhão vertiginoso repleto de mistério, ação e suspense. 

 

Opinião

A Rapariga Fatal, de Leslie Wolfe, é o terceiro volume da série que acompanha a imbatível agente especial Tess Winnett, que ainda se encontra em recuperação no hospital devido a mazelas do seu caso anterior. O seu quarto de hospital transforma-se no centro da investigação, uma investigação difícil, que muitas vezes caminha para becos sem saída. Desta vez, uma dupla de completos psicopatas escolhem mulheres com uma tipologia muito específica, mantém-nas em cativeiro e em constante tortura até que as matam. A perspectiva do assassino é muito bem conseguida e explica-nos as suas motivações. Neste livro achei as descrições mais gráficas e aterradoras, chegando a causar-me algum desconforto.

Como aconteceu com os livros prévios, este livro tem um clima muito semelhante a um episódio de Criminal Minds, mas por algum motivo que não vos sei explicar a leitura acabou por ser um bocadinho mais lenta que nos anteriores.

O enredo é simples e tal como aconteceu em A Rapariga Sem Nome, o primeiro volume da série, há uma coincidência que para mim acaba por estragar a credibilidade do livro.

Tess mantém-se fiel a si mesma, tentando equilibrar o distanciamento social a que se auto-impõe e a sua vontade de se aproximar dos seus pares. Esta não é propriamente uma personagem inovadora, é uma agente brilhante mas com poucas capacidades sociais motivada por traumas do passado, mas acabamos por gostar dela. No fundo é uma receita que funciona.

A Rapariga Fatal foi me gentilmente cedido pela Alma dos Livros à qual agradeço imenso. Vou continuar a seguir esta série porque são livros super rápidos e uma excelente companhia para uma tarde na praia.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e ar livre 

 Podem ler a opinião dos outros volumes da série aqui.

 

sábado, 1 de agosto de 2020

Opinião " A Célula Adormecida", Nuno Nepomuceno

Sinopse


A Célula Adormecida
Um professor universitário vê-se envolvido num ato terrorista de dimensão mundial. As autoridades intervêm e interrogam-no. Mas enquanto as primeiras respostas começam a surgir, uma dúvida persiste: por que motivo continua ele a mentir?

Lisboa desperta para um cenário aterrador. Um bombista suicida barrica-se no interior de um autocarro e o novo primeiro-ministro é encontrado morto. Ao mesmo tempo, uma jornalista tão bela como determinada recebe um ultimato de um ente querido — é sua responsabilidade descobrir toda a verdade.

Os serviços secretos portugueses reúnem provas e concluem que uma célula terrorista adormecida está pronta a ressurgir. Com um evento internacional a aproximar-se, pedem ajuda a Afonso Catalão, um reputado especialista em Ciência Política e Estudos Orientais que já viveu no Médio Oriente. Mas é aí que acabam por se deparar com um poço de mistérios e meias-verdade ainda mais negras do que o novo ataque que está prestes a acontecer.

Pedido pelos fãs, passado durante os 30 dias do Ramadão, abordando temas atuais como a xenofobia e o racismo, A Célula Adormecida transporta-nos numa viagem deslumbrante por locais como Istambul, ou o interior da Mesquita Central de Lisboa. Inovador entre o género dos thrillers religiosos, este é não só um livro de leitura compulsiva e voraz, como também uma incursão temerária aos segredos mais recônditos da vida privada de um homem.

Opinião

A Célula Adormecida, do autor português Nuno Nepomuceno, é o início de uma série que tem como protagonista Afonso Catalão, um intrigante professor universitário e especialista em Ciência Política e Estudos Orientais. É impossível não terem ouvido falar desta obra, uma vez que a sua nova edição, com uma nova roupagem, está por todo lado!

Nunca tinha lido nada do Nuno, embora tivesse muita curiosidade para o fazer. Surgiu a oportunidade através da Cultura Editora que me cedeu um exemplar de A Célula Adormecida. Agradeço imenso à editora (e ao Nuno, claro) por me ter proporcionado uma leitura tão interessante, com um enredo intrincado e com uma escrita de um calibre ímpar no panorama nacional.

A Célula Adormecida começa com o ataque a um autocarro em Lisboa, que é reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico. Em simultâneo, o vencedor das eleições para o cargo de Primeiro-Ministro suicida-se. Mas como nem tudo é o que parece, embarcamos numa busca desenfreada pela verdade, que é tantas vezes tão inconveniente, e fazemo-lo na companhia de Afonso Catalão, um homem cheio de segredos.

O início da leitura foi bastante lento porque não tenho muita familiaridade com o tema central da obra, e senti inicialmente que estava a ser sobrecarregada de informação, mas à medida que as páginas foram avançado a fluidez foi tomando lugar até que a velocidade de leitura aumentou de forma proporcional à minha grande vontade de saber o final desta história. Uma história que mistura ficção e realidade, uma história que não teme, que diz o que tem a dizer, que nos coloca frente a nós mesmos, enquanto ocidentais, e nos relembra que ainda vivemos num mundo com muita intolerância religiosa e onde a ignorância é muitas vezes soberana. 

A Célula Adormecida fala de terrorismo, do medo, dos refugiados, dos conflitos no Médio Oriente e da guerra do petróleo. Coloca-nos, enquanto leitores, a bordo de um desses botes apinhados de esperança, mas que navegam em direcção ao abismo. O autor tenta também alertar para as responsabilidades do mundo ocidental na situação no Médio Oriente, e embora concorde com grande parte, senti que neste aspecto caiu um pouco no exagero.

Por vezes tive também a sensação de que o Nuno era um profeta da desgraça, mas a verdade é que não raras vezes os relâmpagos caem mais que uma vez no mesmo sítio e há personagens que são arrebatadas por tragédias seguidas de tragédias.

O autor não nos poupa a descrições fortes e muito gráficas de situações de violência extrema, mas também nos recompensa com os cenários além-fronteiras que nos apresenta quase como num registo fotográfico, aproveitando para nos mostrar quão fascinante é a cultura Árabe.

Fiquei sempre presa ao protagonista por ser um homem misterioso, cheio de fantasmas do passado, arrastando uma bagagem que por vezes parecia demasiado pesada para ele carregar.

A Célula Adormecida tem um final que pede mais, não tivesse eu feito a promessa de não comprar livros este ano e teria corrido a comprar de Pecados Santos!



Podem ler a Opinião da Bloguinha Rosana à edição anterior Aqui
Podem ler a entrevista que fizemos ao autor em 2017 Aqui
Mais informação sobre os livros da Série Afonso Catalão Aqui.  

Um leitura com o apoio: 

 Cultura - Nuno Nepomuceno.com

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Opinião "Calor Humano", Mitch Albom

 

Opinião


A Editora Sextante, do Brasil, disponibilizou recentemente, em capítulos semanais, Calor Humano de Mitch Albom, um autor que eu já conhecia e que aprecio q.b, por isso, não podia perder a oportunidade de ler mais um dos seus livros. 

Calor Humano conta-nos uma história de esperança durante a pandemia que estamos a viver. Mitch Albom apresenta-nos um conjunto de vizinhos, que poderiam ser os nossos, e que se vêem diante de uma situação sem par, que altera as suas rotinas e os põe à prova das mais variadas formas. 

Esta narrativa descreve muito bem o poder desta ameaça invisível que nos separa fisicamente, mas que também nos aproxima nos nossos medos e na nossa capacidade de ultrapassar as adversidades. Confesso que me emocionei em alguns momentos, principalmente pela proximidade com a infeliz realidade que estamos a viver. A falta de material e o cansaço das equipas médicas, o medo de sermos agentes de transmissão no seio da nossa família e a xenofobia são alguns dos temas aqui retratados de forma muito verosímil. 

A espiritualidade e a esperança, muito caros ao escritor, têm uma presença forte e tocante nesta história. Moisés, uma criança que nunca adoece, é a personificação dessa esperança que tanto precisamos. Recomendo aos fãs de Mitch Albom e a todos aqueles que quiserem uma leitura fácil e realmente muito actual!




Podem encontrar os capítulos do livro gratuitamente Aqui

domingo, 28 de junho de 2020

Opinião "Os Outros", C. J. Tudor

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Uma rapariga pálida num quarto branco…

Ao conduzir uma noite para casa, Gabe vai atrás de um velho carro, quando vê a cara de uma menina aparecer na janela.
Ela diz uma palavra: papá.
É a sua filha de cinco anos, Izzy.
E nunca mais a vê.

Três anos mais tarde, Gabe passa os dias a conduzir na auto-estrada à procura do carro que levou a filha, recusando-se a desistir. Apesar de todos pensarem que Izzy está morta.
Fran e a filha, Alice, também estão na auto-estrada.
Não estão à procura. Estão em fuga. Tentando manter-se um passo à frente das pessoas que lhes querem fazer mal. Porque Fran sabe a verdade. Ela sabe o que aconteceu à filha de Gabe.
Sabe quem é o responsável e o que lhe farão a si e a Alice se a apanharem. 


Opinião

Os Outros, de C. J. Tudor, é um thriller psicológico viciante e sombrio que me levou numa leitura frenética, mas que foi arrefecendo e que culminou num final demasiado suave para a narrativa intensa que o antecedeu.

Após O Homem de Giz (2018) e Levaram Annie Thorne (2019), a escritora C. J. Tudor presenteia-nos em Os Outros com a trágica história de Gabe. A sua mulher e a filha foram assassinadas durante o que a polícia acredita ter sido um roubo que correu mal. Gabe não se conforma porque nesse dia, a caminho de casa, acredita ter visto no carro da frente a sua pequena Izzy. Durante os três anos seguintes vagueia pelas estradas e estações de serviço, numa solidão desesperada, à procura do carro que viu no fatídico dia que transformou a sua vida.

A par desta procura incessante conhecemos Fran e a sua filha Alice que andam em fuga, fugindo de uma ameaça que desconhecemos, Katie, a empregada de uma das estações de serviço frequentadas por Gabe, e uma rapariga adormecida em estado vegetativo desde há muito tempo.

Qual a relação entre estas personagens? Quem são Os Outros? Estará mesmo viva a filha de Gabe? As repostas a estas perguntas só começam a ser desvendadas depois do meio do livro, o que constituiu uma receita para o sucesso desta obra, pois ficamos presos a tentar perceber as revelações, apesar de ter antecipado quase todas elas.

Os seus capítulos curtos e a alternância entre as várias histórias tornam a leitura empolgante, envolvendo-nos numa ansiedade contínua, numa busca pelas respostas quase tão energética como a que é feita pelo protagonista.

C. J. Tudor inclui um elemento sobrenatural que não encaixa e que para mim não funcionou de todo e inclusive tirou alguma credibilidade a este thriller tão obscuro e que explora tão bem os sentimentos de vingança e desespero. Também acho que há um exagero de coincidências no livro que deveriam ter sido melhor ponderadas.

Apesar destas pequenas falhas recomendo Os Outros porque é entretenimento puro, vão devorar este livro
intrigante e bem escrito num ápice! 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Vencedor Passatempo Um Fio de Sangue

Aqui fica o resultado do passatempo do livro Um Fio de Sangue, da escritora Ann Yeti à qual mais uma vez agradecemos a disponibilidade e colaboração! 


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Carina Sofia 

A vencedora irá receber um email da nossa parte. Desejamos-lhe um boa viagem literária!

Boas viagens, 

Bloguinhas 

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Opinião "A Guerra dos Tronos", George R.R. Martin

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Sinopse

Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.

Uma galeria de personagens brilhantes dá vida a esta saga. Entre eles estão o anão Tyrion, a ovelha negra do clã Lannister; John Snow, um bastardo de Eddard Stark que, ao ser rejeitado pela madrasta, decide juntar-se à Patrulha da Noite, uma legião encarregue de guardar uma imensa muralha de gelo a norte, para lá da qual cresce uma assustadora ameaça sobrenatural ao reino. E ainda a princesa Daenerys Targaryen, da dinastia que reinou antes de Robert Baratheon, que pretende ressuscitar os dragões do passado e, com eles, recuperar o trono, custe o que custar.
 

Opinião 

A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin, é o primeiro volume de uma saga que dispensa apresentações. Tinha este livro há imenso tempo na estante e acabei até por ver a primeira temporada da série antes de o ler, algo que não tenho por hábito fazer. Mas fui adiando esta leitura até ter vontade de ler um livro de fantasia, que é um género que leio pouco.

Começo por dizer que este é um excelente livro, tem uma construção fenomenal, um enredo brutalíssimo e uma panóplia de personagens riquíssima. A narrativa é um elogio ao detalhe do detalhe.

O rei Robert Baratheon convida Eddard Stark a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei, no fundo ser o seu braço direito e aconselhá-lo. O anterior ocupante desse cargo teve um fim pouco agradável, a morte por envenenamento, e é possível que a própria Rainha tenha tido um pequeno contributo nesse desfecho. E assim, Eddard, como amigo de longa data do Rei, procura ficar a seu lado para o proteger da aura de conspiração que se adensa a cada página, acabando por se por a ele e à sua família em perigo. Este é o mote central, no entanto, várias tramas paralelas vão-se intrincando, e os capítulos terminam quase sempre em aberto motivando à leitura.

Todavia, há coisas que não funcionaram muito bem para mim, como a sobrecarga de informação e descrição que me fazia esquecer pormenores importantes ao longo da leitura e, apesar de se sucederem vários acontecimentos, a lenta velocidade da narrativa deixou-me muitas vezes aborrecida. É verdade que já conhecia a história deste primeiro volume o que pode ter contribuído para não ficar muito entusiasmada e, simultaneamente, sendo o início de uma saga percebo a necessidade de contextualização. Também não fiquei especialmente fã da maneira como o autor descreve os espaços, nem sempre me foi fácil imaginá-los.

Com o aproximar do final do livro o ritmo de leitura ficou um bocadinho mais do meu agrado e com tantas perguntas sem reposta naturalmente fiquei com vontade de ler os volumes seguintes!