sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Opinião "O Amante de Lady Chatterley", DH Lawrence

Sinopse

“A história da relação entre Constance Chatterley e Mellors, o guarda de caça do seu marido inválido, é o romance mais controverso de Lawrence e talvez o seu texto mais comovente sobre o amor. 
Escrevendo para libertar as gerações que, a seu ver, consideravam o sexo um simples constrangimento ou ato mecânico, Lawrence disse sobre este livro: «Trabalhei sempre o mesmo tema, encarar a relação sexual não como algo vergonhoso, mas válido e precioso. Penso que neste romance fui mais longe do que em qualquer outro. Para mim, é uma obra bonita, terna e frágil, tal como a nudez.»”


Opinião

Não é segredo que adoro romances clássicos. Os sentimentos assumem toda uma outra dimensão, e adoro o facto de, tendo lugar em épocas distantes à nossa, manterem a sua intemporalidade. São universais e, por isso, tão cativantes para mim.

Como tal, e sabendo que se tratava de uma obra com uma forte conotação sexual, parti para a sua leitura com expectativas relativamente altas. E ficaram defraudadas…

Para mim, o problema foi que o autor se foca tanto no seu objectivo de mostrar o sexo sob uma luz diferente que acaba por cair no exagero. As relações parecem ocas, as personagens dão-se a demasiados esforços para estarem juntas quando os momentos que partilham são superficiais, tornam-se arrogantes no seu egoísmo. E mesmo as cenas íntimas são por vezes tão exageradas que acabam por cair no ridículo…

Reconheço a agitação que deve ter causado na sociedade da época, uma vez que mesmo para os dias que correm é considerada uma obra ousada. No entanto, faltam-lhe os elementos que me prendem num romance: a profundidade das relações, todo o investimento que é colocado no outro, a expectativa...

Vale a pena ler “O Amante de Lady Chatterley” pelo contexto social da sua publicação, e pelo alvoroço que deve ter causado aquando da sua publicação original. Mas fica longe de ocupar um lugar na minha prateleira de favoritos…

domingo, 25 de novembro de 2018

Pensamento do Dia

Dá-me um sorriso ao domingo.

Dá-me um sorriso ao domingo.

Dá-me um sorriso ao domingo.
Para à segunda eu lembrar.
Bem sabes: sempre te sigo
E não é preciso andar.

Fernando Pessoa 


sábado, 24 de novembro de 2018

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Opinião "O Escritor e o Prisioneiro", Rute Simões Ribeiro


Sinopse


O Escritor e o Prisioneiro é a terceira obra publicada de Rute Simões Ribeiro, sucedendo aos romances Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade) (Finalista do Prémio LeYa 2015, sob o título Os Cegos e os Surdos) e A Alegria de Ser Miserável.

Assumindo a forma de um conto que se situa entre a narrativa e a dramaturgia, O Escritor e o Prisioneiro trata do conflito interno de um prisioneiro chamado Tom perante o seu médico psiquiatra, a quem solicita ajuda, por desconfiar da sua própria lucidez. Através de um quasi-monólogo, Tom narra os eventos que ocorreram dentro da prisão, ao mesmo tempo que confessa os questionamentos e as dúvidas que esses acontecimentos provocaram nele. Nesta exposição, fala obsessivamente de Otto, um escritor prisioneiro, que o agita e será talvez o causador dessa possível loucura, que procura esclarecer numa conversa onde se confundem intenções e identidades.

Opinião

Depois de ter lido e adorado o Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade), de Rute Simões Ribeiro, fiquei com imensa vontade de ler tudo o que esta autora viesse a escrever. E a verdade é que estou em falta para com a Rute, que amavelmente me enviou a sua segunda obra, A Alegria de Ser Miserável, e que eu ainda não tive oportunidade de ler. 

Mas deu-se o acaso de O Escritor e o Prisioneiro, a sua mais recente criação, ter ficado disponível na Amazon no formato de ebook num dia em que eu precisava de me entreter e só tinha disponível o meu pouco-smart phone. 

O Escritor e o Prisioneiro apresenta-se-nos como uma espécie de pitoresco conto e leva-nos numa intimista conversa entre enigmáticas personagens. Um prisioneiro chamado Tom procura um psiquiatra por acreditar estar louco ou na eminência de perder a pouca lucidez que lhe resta, e vai partilhando com o seu médico eventos que tiveram lugar no seu tempo de clausura. Destaca-se nos seus relatos uma presença, Otto, um escritor, que ele desconfia ser o principal motivo da sua alienação. 

Rute torna-nos a nós, leitores, espectadores atentos de um estranho diálogo, e que pela sua estranheza nos prende numa leitura que é rápida e interessante, mas que, na minha perspectiva, se perde num final deixado demasiado em aberto. O Escritor e o Prisioneiro parece-me uma ideia (brilhante!) inacabada, queria saber mais destes personagens, mais do que se passou no cárcere. 

E ainda que o mistério em absoluto possa ser o propósito da autora e eu consiga interpretar e encontrar razões para isso gostava genuinamente de poder ler mais uns quantos capítulos. Acredito que Rute Simões Ribeiro levanta ao de leve questões sobre a reabilitação após os erros, sobre os recomeços, faz-nos pensar como por vezes somos a nossa própria prisão, como são tantas as versões de nós mesmos que vamos experimentando consoante as vicissitudes da vida, como quem muda de casaco ao virar da estação. 

A escrita de Rute mantém-se cuidada e de exemplar perfeição, coberta ainda das influências saramagueanas, porém dispensava por completo uma espécies de didascálias que foram introduzidas pelo texto e que a meu ver em nada o enriqueceram. 

O Escritor e o Prisioneiro não deixa de ser uma boa companhia para uma café, ainda que não alcançando a genialidade do primogénito de Rute Simões Ribeiro.



Podem ler a minha opinião do Ensaio sobre o Dever (Ou a Manifestação da Vontade) Aqui

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Pensamento do Dia


Nada detemos, amor.
Somos poeira na estrada do tempo.

Pedro Belo Clara,  Lydia

Opinião "Lydia" , Pedro Belo Clara

Opinião


Pedro Belo Clara mantém-se em Lydia, a sua mais recente obra, fiel ao seu percurso, continuando a ser o Poeta do Amor, que se deu a conhecer nas suas criações prévias. 

Embalado num epicurismo estival, não tão comedido e sem limitações à felicidade como o epicurismo triste de Ricardo Reis, o Poeta busca a felicidade apenas conseguida pela consumação do Amor, Porque só o Amor é salvação, só o Amor é capaz de fazer a noite morrer. 

Uma ténue linha temporal deixa transparecer o passar das estações, e o Carpe Diem, enaltecido nas temperaturas mais amenas, vai dando lugar à tranquila sabedoria da inevitabilidade da chegada do Inverno, à consciência da finitude e da inexorável passagem do tempo, mas ressalvando sempre que há momentos que podem ser eternizados: bebamos o eterno emergindo/da fugacidade lenta/de todos os instantes

Lydia é uma obra coesa, os poemas que a constituem, arestas de um lapidado diamante, fazem brilhar Lydia como se de um único poema se trata-se. Apesar disso, e tal como senti em Quando as manhãs eram flor, há uma grande proximidade entre as obras do autor, os seus poemas poderiam vaguear entre os seus livros sem que nos apercebêssemos de que ali não pertenciam. No entanto, percebo que possa ser um contínuo pretendido pelo escritor, todavia não poderia deixar de reparar nas evidentes semelhanças. 

Nada há a apontar à escrita de Belo Clara que nos habituou à voz principesca e romântica do seu eu poético, há neste livro versos de inigualável beleza, que nos embalam numa embriagante sinestesia. 

Termino agradecendo ao Pedro que mais uma vez me proporcionou uma leitura de fim de tarde maravilhosa e que me deixou ansiosa pelo Livro II de Lydia. Agradeço-lhe também que Lydia nos faça relembrar que podemos acordar de mãos vazias, vendo murchas todas as flores cujo perfume nos inebriou nas estações quentes, mas haverá sempre um recomeço, uma Nova Estação.